A corrida pela próxima geração de memória para dispositivos móveis está esquentando, e os próximos smartphones podem ganhar um impulso significativo de performance. A SK hynix anunciou que vai apresentar seus novos módulos LPDDR6 operando a impressionantes 14,4 gigabits por segundo (Gbps) na ISSCC (International Solid-State Circuits Conference), que acontece em São Francisco entre 15 e 19 de fevereiro. Enquanto isso, rumores apontam que a Samsung já estaria enviando amostras de uma versão ainda mais avançada, a LPDDR6X, para a Qualcomm. Parece que a batalha pelo domínio do mercado de memórias está entrando em uma nova fase crítica.

O salto de performance da SK hynix
A SK hynix, uma das gigantes coreanas que compete de perto com a Samsung, está fabricando seus módulos LPDDR6 de 16 gigabits usando seu próprio processo de fabricação, chamado 1c, que está na classe dos nodos de 10 nanômetros. O foco declarado da empresa é a eficiência energética, um ponto crucial para celulares, laptops e outros dispositivos portáteis onde cada watt conta para a duração da bateria.
É interessante notar que, no início deste ano, a Samsung já havia demonstrado LPDDR6 rodando a 10,7 Gbps. Agora, a meta de 14,4 Gbps da SK hynix parece estabelecer um novo patamar de performance que outras empresas do setor também estão mirando. Esse aumento de velocidade não é apenas um número bonito para o marketing; na prática, pode significar tempos de carregamento mais rápidos para aplicativos, multitarefa mais fluida e uma experiência geral mais responsiva, especialmente em tarefas que exigem muita memória, como edição de vídeo ou jogos pesados em dispositivos móveis.
Mas será que os usuários comuns vão perceber essa diferença no dia a dia? Em alguns cenários, sim. Pense em quando você alterna rapidamente entre vários apps pesados ou em como um jogo com gráficos complexos carrega os seus assets. A memória mais rápida atua como uma rodovia mais larga e veloz para os dados, reduzindo gargalos.
A corrida pela LPDDR6X e o papel da Qualcomm
Nos últimos ciclos, cada nova geração de memória LPDDR veio acompanhada de uma variante "X" – pense no LPDDR5 e no LPDDR5X – que traz melhorias incrementais, geralmente em velocidade ou eficiência. A LPDDR6 não será diferente. O que chama a atenção agora são os rumores de que a Samsung já estaria enviando amostras de seus chips LPDDR6X para a Qualcomm.
Essa informação, divulgada pelo site The Bell, é significativa porque não é comum enviar componentes ainda em desenvolvimento para clientes testarem. Isso sugere, na visão da publicação, que a Qualcomm pode estar com uma "agenda apertada". E faz todo sentido quando olhamos para o contexto maior.

Há especulações de que a Qualcomm planeja implementar módulos LPDDR6X em seus futuros aceleradores de IA, como o projetado AI250, previsto para 2027. Com a corrida pela inteligência artificial acelerando a todo vapor, especialmente em dispositivos de borda (como smartphones que rodam modelos de IA localmente), a pressão por memória mais rápida e eficiente é enorme. A dona dos chips Snapdragon claramente não quer ficar para trás e está adiantando o processo de validação com seus fornecedores.
E isso nos leva a um ponto crucial: o papel da memória na era da IA. Enquanto a HBM (High Bandwidth Memory) ainda é a preferida para aceleradores de IA de alto desempenho em servidores, o formato LPDDR tem ganhado espaço como uma alternativa viável para inferência em dispositivos móveis. O motivo? Custo reduzido e consumo de energia significativamente menor. Para colocar IA no seu bolso, a eficiência é tão importante quanto a velocidade bruta.
Se os rumores se confirmarem, o cenário que se desenha é de LPDDR6 a 14,4 Gbps chegando ao mercado ainda este ano, com a tecnologia LPDDR6X começando a aparecer em produtos de ponta a partir de 2027. Essa transição, no entanto, nunca é instantânea. Leva tempo para os fabricantes de smartphones integrarem os novos controladores de memória em seus SoCs (System on a Chip) e para a cadeia de produção se ajustar.
Para quem quer se aprofundar mais na colaboração entre as gigantes e no caminho até aqui, vale a pena ler sobre como a Samsung e a SK Hynix se juntaram para desenvolver as memórias LPDDR6, ou como a série Medusa Halo de APUs da AMD pode usar memória LPDDR6. Até mesmo as estratégias de mercado são fascinantes, como quando Samsung, SK Hynix e Micron se uniram para controlar o estoque excessivo de memória.
Mas, é claro, essa corrida tecnológica não acontece no vácuo. Ela é impulsionada por demandas muito concretas do mercado. Você já parou para pensar em quantos dados um smartphone moderno precisa processar em tempo real? Câmeras de alta resolução capturando vídeos em 8K, jogos com gráficos que rivalizam com consoles, assistentes de IA que processam linguagem natural localmente... Tudo isso exige uma banda de memória monstruosa. A transição para o LPDDR6 não é um luxo; é uma necessidade para que os próximos dispositivos não engasguem com suas próprias capacidades.
E falando em necessidades, a eficiência energética é o outro lado dessa moeda. A SK hynix não está focando nisso à toa. Cada salto de velocidade, se não for acompanhado por um ganho em eficiência, pode ser um tiro no pé para a duração da bateria. É um equilíbrio delicado. A empresa alega que sua arquitetura de 16Gb (gigabits) por chip permite módulos de maior capacidade sem aumentar o tamanho físico do pacote – o que é crucial para designs de smartphones cada vez mais finos. Menos espaço ocupado, mais espaço para uma bateria maior ou para outros componentes. É um jogo de soma positiva quando bem executado.
Os desafios por trás dos números impressionantes
Atingir 14,4 Gbps em um ambiente móvel, com todas as restrições de energia e calor, é um feito de engenharia considerável. Não se trata apenas de miniaturizar mais os transistores. Envolve melhorias profundas na interface de E/S (Entrada/Saída), no sinalização, e no controle de energia. A SK hynix deve detalhar algumas dessas inovações na ISSCC, que é justamente o palco para esse tipo de discussão técnica de alto nível.
E o que isso significa para a Samsung, que parece um passo atrás nos anúncios públicos? Bom, na minha experiência acompanhando esse setor, é perigoso subestimar a gigante de Suwon. Ela tem uma integração vertical impressionante, fabricando desde os wafers de silício até os smartphones finais. Esse controle sobre toda a cadeia permite otimizações que concorrentes sem fábricas (as chamadas *fabless*) só podem sonhar. O fato de já estar enviando amostras da variante "X" para um cliente-chave como a Qualcomm pode indicar uma estratégia diferente: menos foco em marcar território com números de pico e mais em entregar uma solução validada e pronta para integração rápida. É uma abordagem mais pragmática, talvez.
Aliás, a relação entre a Qualcomm e seus fornecedores de memória é um capítulo à parte. A Qualcomm não é uma espectadora passiva. Ela define especificações rigorosas para o que precisa em seus futuros SoCs, especialmente para recursos como o NPU (Neural Processing Unit). Se os rumores do AI250 estiverem corretos, a pressão por uma memória que alimente esses aceleradores de IA sem drenar a bateria em minutos deve ser enorme. A LPDDR6X, com suas melhorias incrementais, pode ser a resposta exata para esse problema. É fascinante ver como a demanda por uma aplicação específica (IA no dispositivo) está moldando o roadmap de um componente fundamental como a RAM.
E o usuário final no meio disso tudo?
Para o consumidor comum, toda essa sopa de letrinhas – LPDDR6, LPDDR6X, 1c nm, 14.4 Gbps – pode parecer distante. A pergunta que fica é: quando e como isso vai chegar no meu bolso? A resposta, como sempre, é em camadas.
Os primeiros a se beneficiar serão, naturalmente, os *flagships* de 2026. Provavelmente veremos smartphones topo de linha anunciando com orgulho "LPDDR6" em suas especificações ainda este ano, baseados nos designs que a Qualcomm e a MediaTek estão finalizando agora. A diferença de performance no uso diário pode ser sutil no início, mas será a base que permitirá novos recursos. Pense em gravação de vídeo em resolução ainda mais alta com processamento em tempo real, ou em assistentes de IA que respondem instantaneamente, sem precisar "pensar".
Já a LPDDR6X, se o cronograma de 2027 se confirmar, pode ser o divisor de águas para uma nova geração de dispositivos "AI-first". Não seriam apenas smartphones, mas talvez laptops sempre conectados, óculos de realidade aumentada ou até dispositivos de IoT avançada que realizam tarefas complexas de percepção localmente. O custo inicial será alto, é claro. Essa tecnologia sempre pinga dos produtos premium para o mercado médio com o tempo.
E há um outro aspecto que muitas vezes passa batido: a longevidade. Memória mais rápida e eficiente pode, indiretamente, prolongar a vida útil de um dispositivo. Se o sistema operacional e os aplicativos se tornam mais otimizados para aproveitar essa banda extra, um celular pode se manter ágil por mais tempo, adiando a sensação de obsolescência. É um benefício indireto, mas muito valioso.
Enquanto isso, do lado da indústria, a batalha é ferrenha. A SK hynix busca consolidar sua liderança em tecnologia de ponta, enquanto a Samsung usa seu poderio de fabricação e integração. A Micron, a outra grande do setor, certamente não está parada e deve revelar seus planos em breve. E no centro disso tudo, empresas como Apple, Google e a própria Qualcomm, que definem a demanda final, observam e pressionam por melhorias contínuas. O ritmo é implacável. Cada avanço anunciado em uma conferência como a ISSCC é um passo em uma maratona que redefine, ano após ano, o que é possível carregar no nosso bolso.
Com informações do: Adrenaline











