O mercado de computadores all-in-one costuma ser associado a máquinas elegantes, mas com desempenho modesto, focadas em tarefas do dia a dia. Mas e se alguém resolvesse colocar um processador de ponta, daqueles que equipam laptops gamers e workstations, dentro de um design fino e integrado? É exatamente isso que a SEAVIV parece estar tentando com o AidaONE R27, um dispositivo que chama a atenção não só pelo visual, mas pela ficha técnica surpreendentemente robusta.

SEAVIV AidaONE R27 coloca um Ryzen AI Max+ 395 em um all-in-one de 27 polegadas

Design Inovador e Especificações de Peso

A primeira grande quebra de paradigma aqui está na construção. Em vez de espalhar a placa-mãe e outros componentes atrás da tela, como é comum, a SEAVIV optou por integrar toda a eletrônica na base do aparelho. O resultado é um perfil traseiro incrivelmente fino, com apenas 15 mm de espessura, dando ao conjunto uma estética minimalista e moderna. A carcaça é em alumínio anodizado, o que promete durabilidade e um toque premium.

Mas o que realmente impressiona está escondido dentro dessa base compacta. O coração do AidaONE R27 é um processador AMD Ryzen AI Max+ 395, um chip de 16 núcleos e 32 threads que pode chegar a 5.1 GHz. Sozinho, isso já colocaria o dispositivo em uma categoria de performance completamente diferente da maioria dos all-in-ones. Para acompanhar essa CPU, a SEAVIV equipou o sistema com nada menos que 128 GB de memória LPDDR5X-8000 e um SSD de 2 TB PCIe 4.0, com um slot extra disponível para expansão. A placa de vídeo integrada é uma Radeon 8060S. Em termos brutos, essas especificações são mais típicas de uma estação de trabalho de alto nível do que de um computador de mesa integrado.

SEAVIV AidaONE R27 coloca um Ryzen AI Max+ 395 em um all-in-one de 27 polegadas

Para Quem Faz Sentido um All-in-One Assim?

Com um preço listado em cerca de 21.999 yuan (aproximadamente R$ 16.633 na conversão direta), o AidaONE R27 claramente não é um produto para o consumidor médio. O público-alvo parece ser o profissional que precisa de um poder de processamento significativo – pense em editores de vídeo 4K/8K, engenheiros trabalhando com modelagem 3D, cientistas de dados rodando análises complexas – mas que também valoriza um espaço de trabalho limpo, sem um gabinete de torre e um emaranhado de cabos.

A tela de 27 polegadas em resolução 4K UHD, com painel IPS e cobertura 100% sRGB, reforça essa vocação para criação de conteúdo. Não é um painel de alta taxa de atualização para gamers, mas sim focado em precisão de cores e nitidez para trabalho profissional. A inclusão de uma câmera de 5 MP para videoconferências e um conjunto de portas generoso, incluindo USB4 e duas portas Ethernet 2.5GbE, mostra que a SEAVIV pensou também na conectividade moderna que esses profissionais demandam.

Claro, surge a pergunta: como um sistema com um chip tão potente se comporta termicamente dentro de uma base tão compacta? A empresa afirma ter desenvolvido um sistema de resfriamento com dois coolers e três heatpipes, capaz de dissipar até 120W de calor. Será suficiente para manter o Ryzen AI Max+ 395 sob controle durante cargas de trabalho prolongadas? Essa é uma das grandes interrogações que só um teste prático poderia responder. A fonte de alimentação é um adaptador externo de 240W.

A aposta da SEAVIV é interessante porque desafia a noção de que all-in-ones são necessariamente limitados. Eles estão essencialmente tentando criar uma categoria híbrida: a praticidade e elegância de um AiO com o músculo de uma workstation. Se o execution for tão bom quanto a proposta no papel, e se o preço for justificado para o nicho certo, o AidaONE R27 pode encontrar seu espaço. Mas é um produto que levanta mais questões do que respostas no momento. Como será o suporte a longo prazo? A manutenção ou upgrade de componentes na base é viável? E, principalmente, como esse desempenho se traduz em uso real, com aquela combinação específica de hardware?

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Fonte: VideoCardZ

Falando em execução, a escolha do Ryzen AI Max+ 395 é particularmente intrigante. Esse processador não é apenas um monstro de núcleos; ele carrega o NPU (Neural Processing Unit) mais avançado da AMD até o momento, projetado especificamente para acelerar tarefas de inteligência artificial local. Para o profissional criativo moderno, isso pode significar uma diferença brutal. Imagine aplicar filtros de remoção de ruído em vídeos 8K no Adobe Premiere, ou usar ferramentas de geração de conteúdo assistido por IA no Photoshop, tudo rodando diretamente na máquina, sem depender da nuvem e com uma latência muito menor. A SEAVIV pode estar antecipando uma demanda que ainda não é totalmente óbvia para o consumidor geral, mas que começa a ser crucial em certos nichos profissionais.

E o que dizer da memória? 128 GB de RAM em um all-in-one soa quase como um exagero, mas para quem trabalha com projetos imensos – um arquivo do After Effects com dezenas de camadas em 4K, uma simulação de engenharia com milhões de elementos, ou simplesmente ter 50 abas do Chrome abertas enquanto renderiza um vídeo (não julgamos) – essa quantidade pode ser a linha entre a fluidez e a frustração. É um sinal claro de que este dispositivo não foi feito para "quase" atender às necessidades; ele foi projetado para excedê-las, para que o hardware nunca seja o gargalo no fluxo de trabalho.

O Dilema da Atualização e o Futuro da Categoria

Aqui é onde a proposta da SEAVIV esbarra em um dos maiores pontos de crítica dos all-in-ones tradicionais: a falta de capacidade de upgrade. Colocar um hardware tão poderoso e caro em um formato tão integrado é um risco calculado. Por um lado, a empresa afirma que o SSD é acessível para substituição, e há aquele slot extra M.2, o que já é mais do que a maioria dos concorrentes oferece. Mas e a RAM, soldada na placa? E a placa de vídeo integrada, que é parte do próprio processador? E a CPU? Em cinco anos, quando esse Ryzen AI talvez já pareça lento para tarefas de ponta, o usuário estará preso a ele.

Talvez essa seja a pergunta mais importante: o AidaONE R27 é um produto à frente do seu tempo ou simplesmente um conceito errado para um público que, no fundo, prefere a modularidade de um desktop tradicional? Para algumas empresas e profissionais freelancers que trocam de máquina a cada 3-4 anos por um modelo completamente novo, a obsolescência programada pode não ser um problema tão grande, especialmente se o desempenho inicial for esmagador. A elegância e a economia de espaço têm um valor tangível. Mas para o entusiasta ou para o estúdio que gosta de fazer upgrades incrementais, é um dealbreaker.

Outro aspecto curioso é a ausência de uma GPU dedicada discreta. A Radeon 8060S integrada é certamente competente, mas em um sistema com esse preço e foco em performance bruta, a falta de uma opção para uma placa de vídeo mais parruda – mesmo que uma mobile – pode ser vista como uma oportunidade perdida. Será que limitações térmicas ou de espaço na base impossibilitaram essa configuração? Ou a SEAVIV acredita que, para o público-alvo de criativos que priorizam CPU e RAM, a GPU integrada de última geração é suficiente? É uma aposta arriscada em um mercado onde até mesmo editores de vídeo estão utilizando mais e mais os núcleos CUDA ou RTX Acceleration da NVIDIA.

E não podemos ignorar o contexto de mercado. A Apple, com o seu Mac Studio e o Mac mini, dominou a mente dos profissionais que buscam performance silenciosa e compacta. Do outro lado, montar um PC desktop com especificações similares provavelmente sairia mais barato e seria infinitamente mais customizável, mas ocuparia mais espaço e exigiria mais conhecimento. O AidaONE R27 parece querer navegar no meio-termo: oferecer a conveniência "plug-and-play" e o design minimalista de um produto da Apple, mas com a arquitetura x86/Windows e o poder bruto cru de um PC high-end. É um território pouco explorado e cheio de armadilhas.

No fim das contas, o maior legado do AidaONE R27 pode não ser comercial, mas conceitual. Ele serve como um lembrete de que os limites do que pode ser colocado em um formato all-in-one estão sendo constantemente empurrados. Ele desafia outras marcas a pensarem além do básico. Se uma empresa relativamente nicho como a SEAVIV consegue empacotar um Ryzen AI Max+ em uma base de 15mm, o que impediria as gigantes como Dell, HP ou Lenovo de oferecerem opções similares em suas linhas premium? O produto levanta a fasquia, mesmo que seu público seja restrito.

A verdadeira prova, claro, está no uso diário. Como será o ruído dos coolers sob carga total? A base de alumínio ficará desconfortavelmente quente ao toque? A performance será sustentada ou o thermal throttling vai cortar as asas do Ryzen após alguns minutos de renderização? São dúvidas que apenas uma unidade nas mãos de revisores poderá sanar. Mas só de fazer essas perguntas sobre um all-in-one, a SEAVIV já conseguiu algo notável: fazer todos reconsiderarem o que esse tipo de computador pode realmente ser.

Com informações do: Adrenaline