A Ubisoft lançou, de forma bastante discreta, a chamada "Edição Definitiva" de Tom Clancy's The Division. A notícia, que passou quase despercebida, deixou muitos fãs da franquia com uma sensação de decepção. Afinal, o que era esperado como um grande retorno ou uma revitalização do título, se mostrou algo bem mais modesto.

E aqui está o ponto crucial: não se trata de um remake, nem de um remaster. A expectativa por uma versão atualizada com gráficos de nova geração, ou uma reconstrução mais profunda do jogo de 2016, simplesmente não se concretizou. A Edição Definitiva parece ser, na prática, uma compilação que reúne o conteúdo base e todas as expansões já lançadas em um único pacote. É uma oferta conveniente para quem nunca jogou, mas pouco atrativa para os veteranos que já possuem tudo.

O que realmente está na Edição Definitiva?

Segundo as informações disponíveis, o pacote inclui o jogo principal e todo o conteúdo pós-lançamento: as expansões "Underground", "Survival" e "Last Stand". Basicamente, é a experiência completa de The Division como ela existiu ao final de seu ciclo de suporte. Nada de novas missões, ajustes de jogabilidade significativos, ou melhorias técnicas que tirem proveito do hardware mais recente de consoles como PS5 e Xbox Series X/S.

Para quem está entrando agora no universo pós-apocalíptico de Nova York, pode ser um bom ponto de partida. Mas para a comunidade que manteve o jogo vivo por anos, esperando por um sinal de que a Ubisoft ainda valoriza o legado do primeiro título, o lançamento silencioso desta edição soa mais como um ponto final do que como um novo começo.

Um contraste com as expectativas do mercado

É interessante observar como essa estratégia contrasta com o que outras publishers têm feito com seus títulos clássicos. O mercado vive uma onda de remakes e remasters bem-sucedidos, que não apenas modernizam a experiência visual, mas muitas vezes revisitam a jogabilidade. The Division, com seu mundo aberto denso e atmosfera única, parecia um candidato perfeito para esse tratamento.

Em vez disso, a Ubisoft optou pelo caminho mais simples. E isso levanta questões. Será que os recursos estão todos focados em The Division 2 e no futuro projeto Heartland? A falta de alarde no lançamento sugere que a própria empresa não via isso como um produto de grande impacto.

Na minha experiência, quando um jogo recebe uma "Edição Definitiva" anos depois, há uma oportunidade de ouro para reacender a comunidade e atrair novos jogadores. Mas isso exige mais do que apenas empacotar o conteúdo antigo. Requer cuidado, uma pitada de novidade e o respeito por aqueles que estiveram lá desde o início. Parece que essa oportunidade foi, no mínimo, subestimada.

E pensar que, há alguns anos, The Division era um dos jogos mais aguardados. Lembro-me da empolgação em torno do E3, dos trailers que mostravam uma Nova York coberta de neve e caótica. O jogo entregou muita coisa boa, é verdade. A ambientação era imersiva, o combate tático tinha seu charme, e a progressão de equipamentos viciante. Mas também teve seus problemas notórios de balanceamento, conteúdo final-game repetitivo e aquela sensação de que o potencial não foi totalmente explorado.

Por isso, a simples reunião de tudo em um pacote único, sem nenhum polimento adicional, parece um tanto... desleixada. Não custaria tanto assim corrigir alguns dos problemas de performance que persistem, especialmente no PC, ou implementar suporte nativo para as resoluções e taxas de quadros mais altas dos consoles atuais. São melhorias que fariam uma diferença enorme na experiência, transformando essa "Edição Definitiva" em algo realmente digno do nome.

O silêncio que fala mais alto

Talvez o aspecto mais revelador de todo esse episódio tenha sido o completo silêncio de marketing. Não houve um anúncio triunfante, nem um trailer nostálgico, nem mesmo um comunicado oficial destacando os méritos desta nova versão. Ela simplesmente apareceu nas lojas digitais, como se a Ubisoft não quisesse chamar muita atenção para ela.

O que isso nos diz? Na minha opinião, é um sinal claro de onde estão as prioridades da empresa. O foco é inquestionavelmente The Division 2, que continua recebendo temporadas e conteúdo. E, é claro, todos os olhos estão voltados para o futuro projeto Heartland, que promete ser uma experiência free-to-play dentro do universo. O primeiro jogo da franquia, portanto, acaba relegado ao status de relíquia, um produto para ser vendido de forma passiva sem exigir mais investimento.

É uma estratégia de negócios compreensível, mas um tanto fria para com os fãs. A comunidade que dedicou centenas de horas ao jogo, que explorou cada centímetro do Dark Zone e superou os incríveis desafios do modo Survival, merecia um pouco mais de consideração. Um remaster, mesmo que modesto, seria um gesto de apreço. Esta compilação, por outro lado, parece mais um gesto de encerramento de estoque.

Uma lição sobre o que "Definitivo" realmente significa

Esse lançamento acaba servindo como um caso de estudo interessante sobre a indústria. O termo "Edição Definitiva" foi tão desgastado que perdeu quase todo o seu significado. Antigamente, podia indicar uma versão aprimorada, com conteúdo extra e ajustes. Hoje, muitas vezes é só um sinônimo chique para "Game of the Year Edition" ou "Bundle Completo".

Para o consumidor, fica a lição: é preciso ler a letra miúda. O que está incluso? São apenas os DLCs, ou há melhorias técnicas? No caso de The Division, a resposta é desanimadoramente a primeira opção. E isso cria um precedente perigoso. Se os jogadores aceitarem pacotes de relançamento com o mínimo esforço, as publishers terão cada vez menos incentivo para investir em remasters verdadeiros.

E você, o que acha? Será que ainda vale a pena esperar por um remake ou remaster digno do primeiro The Division, ou devemos aceitar que seu legado está congelado no tempo, assim como a Nova York do jogo? A franquia claramente segue em frente, mas parte do seu coração ficou para trás, em 2016.

Enquanto isso, para os curiosos ou para aqueles que misteriosamente nunca jogaram, a Edição Definitiva cumpre seu papel básico. É a forma mais completa e (provavelmente) mais barata de vivenciar a história do agente da Strategic Homeland Division. Só não espere nenhuma surpresa ou brilho novo. A neve é a mesma, os inimigos são os mesmos, e a sensação será, muito provavelmente, a de revisitar uma memória exatamente como ela foi guardada – para o bem e para o mal.

Com informações do: IGN Brasil