A Capcom está alimentando a empolgação dos fãs de Resident Evil com uma nova leva de conteúdo de Resident Evil Requiem. Após as primeiras impressões positivas da mídia, a empresa liberou um extenso gameplay focado em Leon S. Kennedy, revelando detalhes cruciais sobre como a ação e o terror vão se equilibrar neste novo capítulo. E, francamente, a diferença entre os dois protagonistas prometidos parece ser mais do que apenas cosmética.

Leon S. Kennedy: Ação Brutal e Confronto Direto
O vídeo de 18 minutos, publicado pelo canal Punish, deixa claro: Leon está de volta em sua essência mais agressiva. Logo de cara, vemos o agente especial não fugindo, mas encarando uma criatura gigantesca de frente. A espingarda e a pistola voltam a ser extensões de seu corpo, com execuções finais que são, para usar um termo adequado, visceralmente satisfatórias. A sensação é de um retorno ao estilo de ação tático e intenso que consagrou o remake de Resident Evil 4.
Mas não é só nostalgia. A Capcom está adicionando camadas. Um novo sistema de furtividade permite que Leon elimine zumbis silenciosamente – um contraste interessante para um personagem conhecido por fazer barulho. Só que, é claro, se algo der errado e o alerta for soado, a situação rapidamente se transforma no caos característico da série. É um jogo de risco e recompensa que adiciona profundidade estratégica.
E os inimigos? Eles evoluíram também. Os chamados "zumbis inteligentes" agora são uma ameaça mais complexa, capazes de usar ferramentas como motosserras. Leon, por sua vez, pode pegar armas deixadas por eles no campo de batalha, criando um ciclo de combate dinâmico e imprevisível. Até mesmo seu machado clássico ganha um sistema de afiação. Parece que a filosofia é dar ao jogador ferramentas para o confronto, mas em um ambiente que constantemente testa sua eficiência.

Grace Ashcroft: O Outro Lado do Terror
Aqui está onde a dualidade do jogo realmente brilha. Enquanto Leon lida com problemas na base do poder de fogo, Grace Ashcroft representa uma experiência radicalmente diferente. Menos experiente e sem o arsenal pesado, sua jogabilidade é descrita como sendo focada em se esconder, fugir e sobreviver. É o puro survival horror, a sensação de vulnerabilidade que os fãs mais antigos tanto apreciam.
O vídeo dá um gostinho dessa dinâmica ao mostrar o breve e tenso primeiro encontro entre os dois. Eles se cruzam, mas as circunstâncias os forçam a se separar quase imediatamente. Essa narrativa paralela promete oferecer duas perspectivas únicas da mesma história, algo que, se bem executado, pode ser uma das maiores forças de Requiem. Será que veremos os mesmos eventos pelos olhos do veterano confiante e da novata aterrorizada?
Essa abordagem me lembra um pouco títulos como Resident Evil 2, com suas campanhas de Leon e Claire, mas elevada a um novo patamar de contraste mecânico. Não se trata apenas de caminhos narrativos diferentes, mas de gêneros de jogo quase distintos coexistindo. É uma aposta ousada da Capcom.
O Que Esperar do Lançamento
Com a data de lançamento marcada para 27 de fevereiro, a estratégia de marketing da Capcom parece focada em acentuar essa dualidade. A pergunta que fica é: como essas duas campanhas vão se entrelaçar? O jogo alternará entre os personagens em capítulos, ou teremos campanhas separadas e mais longas?
O fato de Resident Evil Requiem chegar para PC, PlayStation 5, Xbox Series X|S e, significativamente, para o Nintendo Switch 2, mostra a ambição da Capcom em alcançar um público amplo. A prévia já está gerando discussões acaloradas. Alguns fãs anseiam pela ação ininterrupta de Leon, enquanto outros estão curiosos para a experiência de terror puro com Grace.
Uma coisa é certa: a Capcom não está apenas repetindo uma fórmula. Eles estão tentando fundir duas almas da franquia – a ação cinematográfica e o horror claustrofóbico – em um único pacote. Resta saber se os jogadores vão abraçar essa dualidade ou sentir que prefeririam uma experiência mais coesa. O vídeo completo do gameplay de Leon pode ser visto no canal Punish no YouTube.
E essa dualidade não para na jogabilidade. Olhando mais de perto, percebe-se que os próprios cenários parecem reagir de forma diferente a cada protagonista. Em uma cena rápida do gameplay de Leon, vemos ele usando o ambiente a seu favor, explodindo barris de combustível para eliminar grupos de inimigos. Já nas imagens de Grace, os mesmos corredores escuros e salas apertadas transmitem uma sensação opressora, onde cada sombrio pode esconder uma ameaça. A iluminação, a sonoplastia, até a maneira como a câmera se comporta – tudo parece ser calibrado para reforçar a identidade única de cada experiência.
Isso levanta uma questão interessante sobre o design de níveis. Será que a Capcom criou mapas que podem ser percorridos de duas maneiras radicalmente diferentes? Imagine um armazém: para Leon, um playground tático cheio de cobertura e pontos altos para sniping; para Grace, um labirinto aterrorizante onde cada porta fechada é um potencial desastre. Essa abordagem, se for o caso, representaria um trabalho monumental de design, mas o potencial de rejogabilidade seria enorme.
Detalhes Técnicos e a Evolução do RE Engine
Falando em trabalho monumental, não podemos ignorar o elefante na sala: o desempenho gráfico. O RE Engine já nos entregou maravilhas visuais como o remake de Resident Evil 4 e Resident Evil Village, mas Requiem parece dar mais um salto. Nos vídeos, os efeitos de iluminação são notáveis – veja como a luz do holofote de Leon se dispersa no nevoeiro, ou como o brilho tênue de uma lanterna treme na mão de Grace. A física dos materiais, dos casacos molhados aos estilhaços de madeira, parece mais convincente do que nunca.
E o que isso significa para o Switch 2? A inclusão da plataforma na lista de lançamentos é, no mínimo, curiosa. A Capcom claramente acredita no hardware da Nintendo, mas será que veremos grandes compromissos visuais na versão portátil, ou o RE Engine foi otimizado de forma milagrosa? Lembro-me do ótimo trabalho feito com Monster Hunter Rise, também no RE Engine. Talvez tenhamos uma surpresa agradável pela frente, com a essência do jogo preservada mesmo em uma potência menor.
Outro ponto técnico que salta aos olhos é a inteligência artificial dos inimigos. Aqueles "zumbis inteligentes" não são apenas um nome bonito. Em um momento do gameplay, um deles não apenas empunha uma motosserra, mas parece usar o ambiente para flanquear Leon, quase como se estivesse tentando cortar sua rota de fuga. É um comportamento que vai além do "correr em direção ao jogador". Se isso for consistente, o combate vai demandar muito mais atenção tática do que simples mira rápida.
O Peso da Narrativa e o Legado dos Personagens
Além do terror e da ação, Resident Evil sempre teve seu coração na história – por mais absurda que às vezes possa ser. Onde Requiem se encaixa na cronologia? Sabemos que Leon é um veterano, mas a presença de Grace, uma personagem totalmente nova, sugere uma narrativa que pode servir tanto para os fãs de longa data quanto para os novatos. Aquele breve encontro entre os dois no vídeo não foi por acaso. Há uma tensão palpável, uma desconfiança instantânea. O que Leon sabe que Grace não sabe? E o que ela viu que o tornou tão cauteloso?
Alguns fãs já estão especulando nas redes sociais. A teoria mais popular é que Grace pode estar ligada a uma das organizações antagonistas do passado, talvez até sendo filha de alguém que Leon enfrentou. Outros acreditam que ela é simplesmente uma civil comum, arrastada para o pesadelo, representando o ponto de vista do cidadão médio em um mundo onde o bioterrorismo se tornou rotina. De qualquer forma, a dinâmica entre o cínico sobrevivente e a ingênua (potencialmente) recruta é um terreno fértil para drama.
E não podemos esquecer do título: "Requiem". Um réquiem é uma missa para os mortos. Um canto de lamento. Isso estabelece um tom sombrio desde o início. Será que este jogo pretende ser um ponto final para alguma era da franquia, ou para a jornada de algum personagem? A Capcom gosta de brincar com significados duplos. Talvez seja um réquiem para a inocência, para a ideia de que algum dia o pesadelo vai acabar. Para Leon, que já viu tanto, talvez seja o canto fúnebre para o último resquício de sua esperança.
O que me deixa genuinamente animado, porém, é a possibilidade de escolha narrativa. Jogos como Resident Evil 6 tentaram campanhas múltiplas, mas muitas vezes elas se sentiam desconectadas. A promessa aqui é de uma história entrelaçada, onde as ações de um personagem podem, de alguma forma, impactar o mundo do outro. Talvez um caminho aberto por Leon com explosivos se torne uma rota de fuga para Grace mais tarde. Ou talvez um item crucial escondido por Grace em pânico seja encontrado por Leon quando ele revisitar a área. Esse nível de interconexão é o santo graal do design narrativo para jogos com múltiplos protagonistas.
Com a data de lançamento se aproximando, é inevitável que mais detalhes vazem. A Capcom provavelmente tem um gameplay focado em Grace na manga, pronto para ser liberado e acentuar ainda mais o contraste. Enquanto isso, a comunidade vai dissecar cada frame desse vídeo de 18 minutos, procurando por easter eggs, pistas narrativas e avaliando cada micro-decisão de design. A expectativa está no ponto certo: alta o suficiente para gerar empolgação, mas com um pé no ceticismo saudável, dado o histórico irregular da franquia com desvios ousados.
No fim, o sucesso de Resident Evil Requiem vai depender de um equilíbrio delicadíssimo. Equilibrar a ação satisfatória de Leon com o terror genuíno de Grace. Equilibrar uma história que honre o legado com uma que seja acessível. Equilibrar a inovação mecânica com a essência que os fãs amam. É uma tarefa hercúlea, mas se alguém pode fazer isso, é a Capcom da era moderna, que ressuscitou a franquia das cinzas com tanta maestria. Resta-nos aguardar fevereiro para ver se o réquiem soa como uma bela e aterrorizante melodia, ou como uma nota dissonante.
Com informações do: Adrenaline







