O cenário dos jogos de ação e RPG está em constante evolução, e a franquia Nioh sempre ocupou um espaço peculiar dentro dele. Misturando a complexidade e a dificuldade dos "soulslike" com um sistema de combate profundo e uma ambientação histórica japonesa, a série conquistou uma base de fãs fiel. Agora, a notícia de que o terceiro título, ainda não oficialmente anunciado, já estaria recebendo avaliações preliminares extremamente positivas e alcançando a nota mais alta do ano no agregador Metacritic coloca a comunidade em polvorosa. Será que estamos diante de um forte candidato ao prêmio de Jogo do Ano? E o que isso significa para o futuro da Team Ninja?Superando o antecessor e conquistando a crítica

Segundo as informações que circularam, este novo capítulo não apenas manteve a qualidade, mas superou seu antecessor, Nioh 2, tornando-se o segundo título mais bem avaliado de toda a franquia no Metacritic. Isso é significativo, considerando que Nioh 2 já foi amplamente elogiado por refinamentos no combate, na construção de personagem e na narrativa. A pergunta que fica é: como a Team Ninja conseguiu evoluir ainda mais uma fórmula que muitos já consideravam madura?

Em minha experiência acompanhando a série desde o primeiro jogo, a evolução tem sido clara. O combate, que sempre foi o carro-chefe, parece ter atingido um novo patamar de fluidez e profundidade estratégica. Relatos iniciais sugerem uma maior integração entre os estilos de luta, os espíritos guardiões (Yokai) e o ambiente, criando situações de combate mais dinâmicas e imprevisíveis. É frustrante quando sequências promissoras estagnam, mas a Team Ninja parece ter ouvido o feedback da comunidade e dobrado a aposta naquilo que deu certo.

O caminho para o GOTY e o peso das expectativas

Alcançar a nota mais alta do ano em um agregador como o Metacritic, ainda que em estágios iniciais, automaticamente coloca qualquer jogo na conversa para o prêmio de Jogo do Ano (GOTY). No entanto, o caminho até lá é árduo e repleto de competidores ferozes. Títulos de franquias estabelecidas e novos IPs de grandes estúdios sempre dominam a cena. O que diferencia Nioh 3 nesse cenário?

A resposta pode estar justamente em seu nicho. Enquanto muitos jogos buscam um apelo massivo, Nioh nunca teve medo de ser desafiador e complexo. Ele cativa um público específico que valoriza a maestria, a rejogabilidade e a riqueza de sistemas. Um possível prêmio GOTY para um jogo com essas características seria um reconhecimento importante para experiências de nicho que alcançam a excelência em seu próprio terreno. Será que os comitês de premiação estão prontos para isso? Acho que sim, especialmente após títulos como Elden Ring quebrarem barreiras.

Mas, cá entre nós, a pressão é enorme. Quando você eleva o nível a ponto de ser considerado o "melhor do ano", qualquer falha mínima é amplificada. A expectativa da comunidade, que já está nas alturas, pode se tornar um fardo. A Team Ninja terá que entregar não apenas um grande jogo, mas uma experiência que justifique esse hype todo desde o primeiro minuto.

O que isso significa para o futuro da franquia e da Team Ninja?

O sucesso crítico de um terceiro título consolida Nioh como uma das franquias mais importantes da Team Ninja, ao lado de Ninja Gaiden. Isso dá à desenvolvedora uma liberdade criativa e financeira significativa. Podemos esperar suporte pós-lançamento robusto, com DLCs expansivos como nos jogos anteriores, que praticamente se tornavam jogos novos. Talvez até spin-offs ou experimentações dentro do mesmo universo.

Por outro lado, também estabelece um padrão altíssimo para o que vem a seguir. A inovação terá que continuar. Onde a série pode ir depois de um terceiro capítulo tão aclamado? Novos períodos históricos? Uma mistura ainda maior de mitologias? Ou será que a Team Ninja colocará a franquia em hiato para se dedicar a outros projetos, como seu novo título Rise of the Ronin? O sucesso de Nioh 3 não é um ponto final, mas um novo ponto de partida cheio de possibilidades e, claro, grandes expectativas.

Enquanto aguardamos o anúncio oficial e mais detalhes, uma coisa é certa: a conversa sobre Nioh 3 já começou, e ela está sendo feita em tom de grande expectativa e respeito. A bola agora está com a Team Ninja para transformar essa recepção crítica preliminar em uma experiência que marque de vez sua posição no hall dos grandes jogos de ação da história. Resta saber se eles conseguirão manter esse ritmo até a linha de chegada.

Falando em detalhes, os rumores mais consistentes apontam para uma expansão significativa no sistema de Yokai Shift. Em Nioh 2, a transformação em um espírito guardião era poderosa, mas muitas vezes funcionava como um "botão de emergência". Agora, parece que a mecânica está mais integrada ao fluxo do combate. Imagine poder alternar entre formas diferentes de Yokai para explorar fraquezas específicas de inimigos, quase como ter múltiplas ferramentas especializadas no seu cinto. Isso adicionaria uma camada estratégica colossal, transformando cada encontro em um quebra-cabeça dinâmico. Será que é por isso que os primeiros avaliadores estão tão impressionados?

E não podemos esquecer do cenário. Os dois primeiros jogos já nos levaram pelo Japão do período Sengoku e além. Para onde ir agora? Alguns fãs especulam sobre a era Bakumatsu, o turbulento final do xogunato, que seria um terreno fértil para conflitos entre samurais tradicionais, forças modernizadoras e, claro, toda a mitologia yokai que a Team Ninja adora inserir. Outros apostam em uma viagem ainda mais ousada, talvez cruzando o mar para trazer elementos de outras mitologias asiáticas. A ambientação histórica sempre foi mais do que um pano de fundo bonito; ela moldava a narrativa, os designs de inimigos e até a filosofia por trás do combate. A escolha do próximo período será crucial.

O elefante na sala: a comparação inevitável com FromSoftware

É impossível falar de Nioh sem mencionar os jogos da FromSoftware, os pais do gênero "soulslike". Por anos, a discussão era sobre qual franquia fazia o combate mais desafiador ou os chefes mais memoráveis. Mas algo mudou. Enquanto a FromSoftware explorou a amplitude e a exploração aberta com Elden Ring, a Team Ninja parece ter dobrado a aposta na profundidade e complexidade sistêmica. Nioh não é mais apenas um "clone bom de Souls"; é uma entidade própria, com uma identidade combativa tão densa e rica que quase se assemelha a um jogo de luta em sua exigência de maestria.

Isso levanta uma questão interessante: o sucesso de Elden Ring, ao popularizar ainda mais a dificuldade e a exploração meticulosa, pode ter preparado o terreno para um Nioh 3? O público pode estar mais receptivo e treinado para os desafios que a série oferece. A Team Ninja, em vez de tentar imitar a fórmula de mundo aberto, pode estar prestes a entregar a expressão mais pura e refinada de seu próprio estilo. E, sinceramente, acho que é aí que reside sua maior força.

Outro ponto que merece destaque é a rejogabilidade. Os jogos da série são famosos por seus ciclos de dificuldade (Way of the Samurai, Way of the Strong, etc.) e a montanha de loot e builds possíveis. É o tipo de jogo que você não "termina" em 40 horas; você o domina ao longo de centenas. Os relatos iniciais sugerem que Nioh 3 pode ter triplicado essa aposta. Estamos falando de árvores de habilidades ainda mais ramificadas, armas com mecânicas únicas que alteram completamente o estilo de jogo, e talvez até um sistema de afinidade entre equipamentos que incentive a experimentação constante. Para o jogador casual, isso pode parecer assustador. Mas para o fã da série, é música para os ouvidos.

Além das notas: o desafio do lançamento e do pós-venda

Ter uma nota alta no Metacritic é um feito impressionante, mas é apenas o começo da jornada. A Team Ninja tem um histórico... complicado com lançamentos de PC, por exemplo. Nioh 2 chegou à Steam com alguns problemas de performance e controles que levaram um tempo para serem corrigidos. Em uma era onde a primeira impressão é digital e eterna nas redes sociais, um lançamento técnico impecável é quase tão importante quanto a qualidade do design do jogo. A pressão para acertar em todas as plataformas, no dia um, nunca foi tão grande.

E depois há o plano de conteúdo pós-lançamento. A franquia estabeleceu um padrão ouro com suas DLCs. Elas não eram meros pacotes de armaduras ou dungeons extras; eram expansões narrativas substanciais que introduziam novos reinos, chefes lendários e, o mais importante, novos ciclos de dificuldade e graus de raridade de loot. O ciclo de vida de um jogo Nioh é longo. A comunidade espera que Nioh 3 siga essa tradição, oferecendo um roadmap claro e conteúdo que continue a desafiar os jogadores mais dedicados por meses, se não anos. A nota alta inicial cria a expectativa de que esse suporte será não apenas mantido, mas elevado.

O que você acha? O foco em atender a uma base de fãs hardcore, em vez de diluir a experiência para um público mais amplo, é a estratégia certa? Em um mercado saturado, essa autenticidade pode ser justamente o que faz Nioh 3 se destacar não só nas notas, mas na memória dos jogadores. A Team Ninja parece confiante em seu caminho. Agora, só nos resta esperar para ver se o jogo consegue entregar essa promessa de excelência nichada em uma escala que ressoe com a crítica e com os jogadores da mesma forma.

Com informações do: IGN Brasil