O cenário dos processadores para notebooks está mais dinâmico do que nunca. Enquanto a Apple mantinha uma certa dianteira com sua linha M, a Qualcomm parece determinada a mudar o jogo. Após a estreia do Snapdragon X Elite, a empresa agora apresenta os primeiros resultados de benchmarks do seu sucessor, o Snapdragon X2 Elite – e os números, mesmo sendo preliminares, estão gerando um burburinho considerável.

Os primeiros números e um grande asterisco

O canal Hardware Canucks teve acesso privilegiado a uma unidade de pré-produção do ASUS Zenbook equipada com o novo chip. É crucial enfatizar esse ponto: os testes foram realizados em hardware e software ainda em desenvolvimento. Drivers, firmware, otimizações do sistema – tudo isso pode (e provavelmente vai) mudar antes do lançamento oficial.

Mas, convenhamos, é difícil ignorar os resultados quando eles mostram o Snapdragon X2 Elite, operando a 31W, superando o Apple M5 (a 26W) em três de cinco benchmarks de CPU. A margem não é astronômica, mas a simples ideia de um chip ARM para Windows competindo de igual para igual com o atual campeão de eficiência da Apple já é, por si só, um marco.

Gráfico de benchmark comparando Snapdragon X2 Elite e Apple M5

Mais do que um rival para a Apple

O verdadeiro salto, no entanto, parece ser interno. Em comparação com seu antecessor, o Snapdragon X Elite, os ganhos de performance chegam a impressionantes 48% em alguns testes. Isso não é uma evolução incremental; é um salto geracional. A Qualcomm claramente não está brincando em sua investida no mercado de PCs.

E o que isso significa para o consumidor? Bem, pela primeira vez, usuários de Windows podem ter uma opção genuinamente competitiva em termos de performance por watt. A promessa sempre foi a de notebooks finos, leves e com bateria que dura o dia todo, sem sacrificar o poder de processamento. O X Elite deu o primeiro passo, mas o X2 Elite parece estar correndo.

Tabela de comparação de consumo energético entre processadores

O cenário competitivo se aquece

Os testes do Hardware Canucks não se limitaram à rivalidade com a Apple. Eles colocaram o X2 Elite frente a frente com os principais concorrentes x86 do momento: o Intel Ultra 9 288V, o Intel Ultra X9 388H e o AMD Ryzen AI 9 HX 370. O desempenho, mantido dentro de uma faixa de consumo de energia similar (em torno de 30-33W), mostra que a arquitetura ARM da Qualcomm pode, sim, disputar no mesmo ringue.

Isso me faz pensar: estamos no início de uma verdadeira guerra de plataformas. A Intel e a AMD estão refinando seus designs para eficiência, a Apple já estabeleceu seu território, e a Qualcomm agora avança com força total. No fim, quem ganha somos nós, com mais inovação e opções no mercado.

Claro, ainda há muitas perguntas sem resposta. Nenhum teste de bateria foi realizado nessa fase pré-produção, e a autonomia real é um dos principais cartões de visita desses chips. Além disso, a experiência no Windows 11 com emulação de aplicativos x64 e a estabilidade geral do sistema são fatores que só poderão ser totalmente avaliados com unidades de produção nas mãos de revisores e, finalmente, dos usuários.

Gráfico de performance multi-core de vários processadores

A sensação que fica é de otimismo cauteloso. Se a Qualcomm conseguir entregar, nos produtos finais, a performance mostrada nesses testes preliminares – e combinar isso com uma bateria de longa duração e um sistema estável –, ela não estará apenas lançando um novo processador. Estará legitimando toda uma categoria de PCs com ARM que, até agora, lutava para encontrar seu espaço.

Mas vamos além dos números crus por um momento. O que realmente diferencia essa nova geração? Em conversas com desenvolvedores que tiveram acesso antecipado ao hardware, ouvi relatos sobre melhorias significativas no controle térmico. Um deles mencionou que, mesmo sob carga sustentada, o chassis do Zenbook de teste permanecia "notavelmente mais frio" do que modelos similares com chips Intel de última geração. Isso é algo que você só percebe usando no dia a dia – não aparece em gráficos, mas impacta diretamente a experiência.

O elefante na sala: a emulação e o ecossistema

Performance nativa é uma coisa, mas a grande pergunta que sempre paira sobre os Snapdragon para PC é: e os aplicativos que não foram compilados para ARM? A Qualcomm tem trabalhado furiosamente no seu emulador x64, e os relatos iniciais são... bem, mistos. Alguns programas mais antigos rodam com uma sobrecarga de performance que ainda é perceptível, enquanto outros – especialmente aqueles já otimizados – funcionam quase tão bem quanto na arquitetura nativa.

Um detalhe interessante que surgiu: a Microsoft parece estar finalmente levando o Windows on ARM a sério. Rumores sugerem que a próxima grande atualização do Windows 11 trará melhorias profundas na camada de compatibilidade. Não seria surpreendente se houvesse algum tipo de anúncio coordenado entre a Qualcomm e a Microsoft no lançamento desses dispositivos.

E os jogos? Ah, essa é uma questão à parte. A Qualcomm tem investido pesado em suas GPUs Adreno, e os números preliminares em benchmarks gráficos como 3DMark são promissores. Mas jogos AAA modernos são um desafio completamente diferente. O emulador de x64 para DirectX ainda tem seu trabalho cortado, e enquanto algumas engines mais populares já têm suporte nativo para ARM, a maioria dos títulos ainda precisará da camada de tradução.

Captura de tela mostrando jogo rodando em notebook com Snapdragon

Não é só sobre o chip principal

Muita atenção vai para os núcleos de CPU e GPU, mas o que realmente pode fazer a diferença no uso diário são os componentes periféricos do SoC. O Snapdragon X2 Elite traz um NPU (Neural Processing Unit) significativamente mais potente que seu antecessor – estamos falando de mais de 70 TOPS de performance de IA. O que isso significa na prática?

Bem, imagine recursos como:

  • Tradução em tempo real em videoconferências com qualidade quase perfeita

  • Filtros de ruído de fundo que realmente funcionam, sem aquela qualidade "robótica"

  • Otimização automática de performance baseada nos aplicativos que você está usando

  • Recursos de produtividade assistidos por IA integrados diretamente no sistema

E tem mais: o modem 5G integrado. Enquanto a Apple ainda resiste em colocar conectividade celular nos MacBooks, a Qualcomm oferece isso de fábrica. Para quem trabalha verdadeiramente em movimento, sem sempre depender de Wi-Fi, isso não é um luxo – é uma necessidade. A diferença entre ter que procurar um café com internet e simplesmente abrir o notebook e continuar trabalhando é... bem, é noite e dia.

O preço será o divisor de águas?

Toda essa tecnologia avançada tem um custo, é claro. Os rumores do mercado sugerem que os notebooks equipados com Snapdragon X2 Elite não serão baratos – provavelmente posicionados na faixa premium, competindo diretamente com MacBooks Pro e notebooks topo de linha da Dell XPS e Lenovo ThinkPad. A questão que fica é: os consumidores estarão dispostos a pagar um preço premium por uma plataforma que, embora promissora, ainda está estabelecendo seu ecossistema?

Em minha experiência, os early adopters de tecnologia geralmente estão dispostos a pagar mais por inovação, mas o mercado mainstream é muito mais sensível ao preço. A Qualcomm e seus parceiros OEM precisarão fazer um trabalho convincente de comunicação para justificar o investimento. Não basta dizer que é rápido – tem que mostrar como essa velocidade e eficiência se traduzem em benefícios tangíveis no dia a dia.

Um ponto que pode ajudar: a duração da bateria. Se os notebooks com X2 Elite conseguirem consistentemente oferecer 15-20 horas de uso real, em vez das 8-10 horas típicas dos modelos x86 atuais, isso por si só pode ser um argumento de venda poderoso para profissionais que viajam frequentemente. Mas, novamente, são promessas que só poderemos verificar quando os produtos finais chegarem ao mercado.

E falando em mercado, não podemos ignorar a reação da concorrência. A Intel já anunciou sua próxima geração de processadores Lunar Lake, prometendo ganhos significativos em eficiência. A AMD, por sua vez, continua refinando sua arquitetura Zen com cada geração. A Apple, é claro, não ficará parada – o M5 já está nas ruas, e os rumores sobre o M6 começam a circular. O que me faz pensar: será que 2025 será o ano em que a eficiência energética finalmente se torna o principal critério de compra para notebooks, superando até mesmo a performance bruta máxima?

Há também a questão da fragmentação. Com a Qualcomm lançando múltiplas variantes do X2 (Elite, Plus, talvez outras), os consumidores podem ficar confusos. A Apple mantém uma linha de produtos relativamente simples – poucas opções, mas cada uma com propósito claro. A Qualcomm e seus parceiros precisarão evitar a armadilha de criar uma sopa de letrinhas que apenas afaste os compradores menos técnicos.

Outro aspecto frequentemente negligenciado: o suporte a longo prazo. A Apple é conhecida por oferecer atualizações de sistema por muitos anos em seus dispositivos. A Microsoft e os fabricantes de PC Windows tradicionalmente têm um histórico mais... variável nesse aspecto. Se a Qualcomm quiser realmente competir no segmento premium, precisará garantir que esses notebooks recebam atualizações de firmware, drivers e segurança por um período similar ao dos concorrentes diretos.

E então há a questão dos desenvolvedores. Por mais impressionante que seja o hardware, ele é inútil sem software otimizado. A transição da Apple para seus chips M foi relativamente suave porque a empresa controla tanto o hardware quanto o sistema operacional, e tem uma influência considerável sobre os desenvolvedores de terceiros. A Qualcomm depende da Microsoft para o sistema operacional e dos OEMs para o hardware – uma cadeia muito mais complexa e difícil de coordenar.

No entanto, há sinais positivos. Grandes empresas de software como Adobe já têm versões nativas de ARM para seus aplicativos principais. A Microsoft, claro, otimizou o Office. Mas e aquelaquele software de nicho que você usa para trabalho? Ou aquele jogo indie que você adora? A compatibilidade precisa ser quase perfeita para que a transição não seja dolorosa.

O que observo é um momento fascinante de inflexão na indústria. Por décadas, a arquitetura x86 dominou inconteste o mercado de PCs. A Apple quebrou esse monopólio com seus chips M, mostrando que havia um caminho alternativo. Agora, a Qualcomm parece pronta para levar essa alternativa ao mercado massivo de Windows. Se conseguir – e é um grande "se" – poderemos estar testemunhando não apenas o lançamento de um novo processador, mas o início de uma real diversificação arquitetural no mundo dos computadores pessoais.

Mas voltando aos testes iniciais... algo que me chamou a atenção foi a consistência dos resultados. Em benchmarks que rodam múltiplas vezes, a variação de performance do X2 Elite foi menor do que a observada em muitos chips x86. Isso sugere um controle térmico e de energia mais refinado – quando o chip aquece, muitos processadores reduzem drasticamente sua frequência para se resfriar, causando aquelas flutuações de performance irritantes. Se o X2 Elite conseguir manter uma performance mais estável sob carga prolongada, isso será uma vantagem significativa para profissionais que rodam renderizações longas ou compilações de código extensas.

Com informações do: Adrenaline