Para quem anda de olho nos lançamentos indie de 2026, a semana trouxe uma ótima notícia. A Thunderful Games liberou, de uma só vez, demos gratuitas para dois de seus títulos mais aguardados: Replaced e Planet of Lana 2. É uma chance rara de experimentar, antes do lançamento oficial, duas aventuras de ficção científica que, apesar de compartilharem o gênero, prometem experiências completamente distintas. As demonstrações já estão disponíveis em PC e consoles, embora as plataformas específicas variem entre os jogos.

Replaced: Uma Imersão Cyberpunk em 2.5D
Depois de uma série de adiamentos que deixaram fãs ansiosos – o jogo foi anunciado para 2022 e depois remarcado –, Replaced finalmente tem uma data firme: 12 de março de 2026. Desenvolvido pelo estúdio Sad Cat Studios, este é um projeto que chamou atenção desde o primeiro trailer pelo seu visual único. Ele combina uma estética pixel art meticulosa com cenários em 2.5D, criando uma atmosfera cyberpunk densa e imersiva que prioriza a narrativa.
A demo, disponível agora, é um sinal promissor de que o desenvolvimento está nos trilhos finais. E, francamente, depois de tantos atrasos, ver o jogo em um estado jogável é um alívio. A experiência está acessível apenas no PC (via Steam) e nos Xbox Series X|S, plataformas que receberão o lançamento inicial. Ainda não há confirmação sobre ports futuros para outras consoles, então a demo serve como a única janela para muitos jogadores conhecerem este mundo distópico.
Planet of Lana 2: A Volta a um Mundo Encantador e Perigoso
Enquanto Replaced é uma nova aposta, Planet of Lana 2 é a continuação de um jogo aclamado. Quem jogou o original, lançado em 2023, sabe que se trata de uma experiência serena e melancólica, um jogo de plataforma e quebra-cabeças onde acompanhamos a jovem Lana e sua criaturinha companheira, Mui. A sequência, marcada para 5 de março de 2026, promete expandir essa fórmula.
A demo aqui é um pouco mais generosa em escopo. Segundo a descrição, os jogadores terão acesso a cerca de 30 minutos de gameplay, extraídos de cinco capítulos diferentes. Isso deve dar uma boa amostra dos novos ambientes e mecânicas que a desenvolvedora Wishfully está introduzindo. O melhor? A demo tem uma disponibilidade mais ampla, chegando ao PC (Steam), Xbox e também ao PlayStation.

Dois Lados da Mesma Moeda Sci-Fi
É curioso pensar que a mesma publicadora está trazendo dois jogos no mesmo mês que são tão diferentes em tom e estilo, mas unidos pelo guarda-chuva da ficção científica. De um lado, a escuridão tecnológica e a narrativa adulta de Replaced. Do outro, a esperança, a conexão com a natureza e o puzzle tranquilo de Planet of Lana 2. Ambos, no entanto, parecem investir pesado na construção de mundo e na atmosfera.
Para quem ficou interessado em mergulhar na história desde o início, uma dica: o primeiro Planet of Lana não é um pré-requisito para jogar a sequência, mas está frequentemente em promoção. Vale a pena para entender o charme da dupla Lana e Mui.
A estratégia de lançar demos robustas assim, com meses de antecedência, é interessante. Mais do que apenas um "gostinho", elas funcionam como um termômetro de interesse da comunidade e uma forma valiosa de feedback final para os desenvolvedores. E para nós, jogadores, é uma oportunidade de ouro de planejar as próximas aventuras que entrarão para a lista de desejos.
Falando especificamente sobre a demo de Replaced, o que mais impressiona de imediato é a direção de arte. A pixel art não é apenas um estilo retrô; ela é usada com uma intenção cinematográfica clara. As cenas de diálogo, por exemplo, têm enquadramentos que lembram close-ups de filmes, com a expressão dos personagens transmitida por sutis mudanças de poucos pixels. A trilha sonora, que já era um ponto alto nos trailers, se mostra igualmente imersiva na prática, com camadas de sintetizadores que realmente mergulham você naquele universo opressivo. A jogabilidade, por sua vez, parece apostar em um combate metódico e na exploração ambiental para contar sua história, mais do que em ação frenética.
E sobre os controles? Bem, é aí que demos como essa se tornam tão cruciais. Muitas vezes, a "sensação" de um jogo em 2.5D pode ser traiçoeira. A movimentação precisa ser fluida, os saltos precisam ter um peso certo, e a câmera precisa acompanhar sem causar enjoos. Experimentar isso em primeira mão, meses antes do lançamento, permite que os jogadores formem uma opinião muito mais concreta do que apenas assistindo a vídeos. Você consegue sentir se a resposta dos comandos é satisfatória, se a dificuldade dos primeiros desafios está bem calibrada. É um teste drive real.
Que Esperar da Jornada de Lana e Mui?
Já em Planet of Lana 2, a demo de cinco capítulos sugere que a sequência está pronta para evoluir a fórmula sem perder a alma. Um dos grandes trunfos do primeiro jogo era a comunicação não-verbal entre Lana e Mui, uma mecânica de comando simples, mas profundamente emotiva. A pergunta que fica é: como a Wishfully vai expandir isso? A demo de 30 minutos pode oferecer pistas sobre novos comandos, novos tipos de interação com o ambiente, ou talvez até a introdução de outros seres com os quais se relacionar.
Outro aspecto que vale a pena observar de perto é a progressão da narrativa. O original contava uma história silenciosa e poderosa sobre resistência e simbiose. A sequência, ao acessar capítulos do meio do jogo, pode já apresentar um conflito mais estabelecido, talvez mostrando Lana e Mui em uma dinâmica já consolidada, enfrentando ameaças maiores. Será que veremos mais elementos de sobrevivência? Ou os quebra-cabeças se tornarão mais complexos, envolvendo múltiplos personagens ou elementos do cenário de forma mais integrada?
E não podemos ignorar o fator "acessibilidade" que essa dupla de demos traz. Ter um título disponível no Game Pass desde o dia do lançamento (como é o caso de ambos, através do acordo da Thunderful com a Microsoft) é uma coisa. Mas permitir que qualquer um, assinante ou não, baixe e jogue um pedaço significativo do jogo, é uma estratégia de marketing muito mais democrática e confiante. Quase como dizer: "Acreditamos tanto na qualidade do produto que você pode experimentar sem compromisso".
O Cenário Indie em 2026 e a Importância das Demos
Esse movimento da Thunderful Games não acontece no vácuo. Nos últimos anos, vimos um renascimento das demos, não mais como discos de capa de revista, mas como ferramentas estratégicas. Em um mercado saturado, onde o preço dos jogos AAA só sobe, os jogos indie precisam capturar a atenção e a confiança do público de forma mais direta. Uma demo bem-feita pode ser a diferença entre um jogo passar despercebido e se tornar um sucesso de culto.
Pense bem: quantas vezes você adicionou um jogo na lista de desejos por causa de um trailer bonito, mas acabou nunca comprando porque surgiu a dúvida sobre a jogabilidade? Agora, imagine poder resolver essa dúvida na hora. Para jogos como Replaced e Planet of Lana 2, que dependem tanto da atmosfera e do "feeling", essa experiência prática é inestimável. Ela converte curiosidade em interesse genuíno.
Além do mais, lançar as demos agora, com o lançamento marcado para março, cria um ciclo de hype muito mais saudável. Em vez de um marketing concentrado apenas na semana de lançamento, a conversa começa agora. Fóruns, redes sociais e vídeos de gameplay vão gerar conteúdo orgânico por semanas, mantendo os jogos na mente das pessoas. E, francamente, é um respiro para os jogadores também. Em vez de serem bombardeados com anúncios, eles são presenteados com algo tangível para jogar.
Resta saber como o feedback dessas demos vai ecoar no desenvolvimento final. É comum que os estúdios monitorem reações a dificuldades específicas, bugs ou até mesmo aspectos de acessibilidade. Um ajuste de balanceamento aqui, uma dica de tutorial ali – tudo pode ser refinado antes do dia D. Essa interação com a comunidade, quando bem conduzida, pode resultar em um produto final mais polido e alinhado com as expectativas do público. Claro, sempre há o risco de uma demo não fazer justiça ao jogo completo, ou de criar expectativas irreais. Mas, pelo histórico da Sad Cat Studios e da Wishfully, a aposta parece segura.
E você, já baixou alguma das duas? Qual delas te cativou mais: a promessa de uma narrativa cyberpunk complexa ou o retorno a um mundo de descobertas tranquilas e quebra-cabeças? A beleza desse momento é que não precisamos escolher. Podemos experimentar ambas as viagens e, quem sabe, em março, embarcar nas duas aventuras completas. Enquanto isso, as demos estão aí, não apenas como uma prévia, mas como um convite para participar do processo – mesmo que de forma pequena – da chegada desses dois mundos até nossas telas.
Com informações do: Adrenaline











