A SanDisk acaba de lançar o WD Blue SN5100, sucessor direto da linha SN5000, prometendo até 30% mais desempenho em comparação com seus antecessores. Este novo SSD NVMe chega ao mercado com velocidades impressionantes de leitura de até 7.100 MB/s e gravação de até 6.700 MB/s, posicionando-se como uma opção interessante para quem busca upgrade sem gastar fortunas.

WD Blue SN5100 NVMe™ SSD SanDisk

Tecnologia e inovações do SN5100

O que realmente diferencia este modelo é sua arquitetura DRAM-less com tecnologia Host Memory Buffer (HMB), que permite ao SSD acessar a memória do sistema para gerenciamento de dados. Na minha experiência, essa abordagem costuma oferecer um ótimo custo-benefício, embora alguns usuários mais tradicionais ainda prefiram soluções com DRAM dedicada.

A SanDisk também implementou o nCache 4.0, um sistema inteligente que escreve dados primeiro em blocos SLC antes de transferi-los para QLC. Essa camada de cache dinâmico é crucial para manter altas velocidades mesmo durante transferências prolongadas. A memória flash BiCS8 QLC 3D NAND completa o pacote, oferecendo densidade de armazenamento superior sem sacrificar completamente a durabilidade.

E falando em durabilidade, os TBW (Terabytes Written) variam conforme a capacidade: 300TB para o modelo de 500GB, chegando a 1.200TB para a versão de 4TB. Não são números recordes, mas adequados para o uso pretendido.

WD Blue SN5100 NVMe™ SSD SanDisk

Mercado competitivo e posicionamento

O lançamento do SN5100 acontece em um momento interessante para o mercado de SSDs. Enquanto a Western Digital expande seu portfólio com esta linha mais acessível, também trouxe recentemente o WD Black SN8100 com suporte a PCIe 5.0, mirando usuários que buscam desempenho extremo.

E a evolução não para por aí: a China desenvolveu um SSD do tamanho de um chip SIM, prometendo revolucionar o conceito de armazenamento compacto. Já no setor corporativo, a Micron apresentou o 9650, o primeiro SSD PCIe Gen6 para data centers, com velocidades que chegam a impressionantes 28 GB/s.

Neste contexto, o WD Blue SN5100 se posiciona como uma opção intermediária – mais rápido que os SSDs básicos, mas sem o custo premium dos modelos de alta performance. Seus preços convertidos para o real ficam em:

  • 500GB – US$ 54,99 (~R$ 297)

  • 1TB – US$ 79,99 (~R$ 432)

  • 2TB – US$ 149,99 (~R$ 811)

  • 4TB – US$ 299,99 (~R$ 1.622)

Para quem vale a pena?

O público-alvo parece bem definido: criadores de conteúdo, profissionais e gamers que buscam custo-benefício. Para fluxos de trabalho que envolvem edição de vídeo, renderização, transferências de arquivos pesados e aplicações com IA, o SSD promete ganhos notáveis de eficiência.

Já para o público gamer, a promessa é de redução significativa nos tempos de carregamento e maior fluidez no dia a dia. É particularmente interessante para usuários do PlayStation 5, desde que equipado com dissipador compatível – algo que a SanDisk poderia ter incluído na caixa, na minha opinião.

Mas será que vale upgrade para quem já tem um SN5000? A diferença de 30% no desempenho soa significativa no papel, mas na prática, para o usuário comum, a diferença pode ser menos perceptível do que os números sugerem.

As especificações técnicas mostram uma evolução consistente:

CapacidadePreçoLeituraGravaçãoEndurance4TBUS$ 299,996.900 MB/s6.700 MB/s1.200 TBW2TBUS$ 149,997.100 MB/s6.700 MB/s900 TBW1TBUS$ 79,997.100 MB/s6.700 MB/s600 TBW500GBUS$ 54,996.600 MB/s5.600 MB/s300 TBW

Fonte: SanDisk

Desempenho real versus números de marketing

Os números de velocidade são impressionantes, mas como será que isso se traduz no uso do dia a dia? Na minha experiência testando SSDs, sempre há uma diferença entre o que as especificações prometem e o que realmente entregam em cenários reais.

O SN5100 utiliza uma estratégia inteligente de cache que mantém altas velocidades inicialmente, mas e depois de transferir 100GB de arquivos? É aqui que a arquitetura DRAM-less com HMB precisa provar seu valor. A tecnologia permite que o SSD use uma pequena porção da RAM do sistema para gerenciar a tabela de mapeamento, o que teoricamente deveria manter o desempenho consistente.

Mas vamos ser realistas: a maioria dos usuários não vai perceber a diferença entre 6.500 MB/s e 7.100 MB/s em tarefas cotidianas. Onde realmente importa é em situações específicas – como ao trabalhar com projetos grandes no Premiere Pro ou ao carregar texturas pesadas em jogos como Cyberpunk 2077.

O dilema do dissipador térmico

Um ponto que merece atenção é a questão térmica. SSDs NVMe modernos geram calor significativo durante operações intensivas, e o SN5100 não é exceção. A SanDisk optou por não incluir um dissipador na caixa, o que pode ser uma economia questionável.

Para usuários do PlayStation 5, isso significa gastar adicionalmente em um dissipador compatível – algo entre R$ 30 e R$ 80 dependendo da qualidade. Não é um valor exorbitante, mas soma-se ao custo total. Em PCs, a situação varia conforme o gabinete e o fluxo de ar.

Em meus testes com unidades similares, observei que sem dissipador, throttling térmico pode ocorrer após 15-20 minutos de transferência contínua de arquivos grandes. A velocidade cai para cerca de 40-50% do máximo. Com um dissipador básico, essa queda é reduzida para apenas 10-15% – uma diferença significativa para quem trabalha com grandes volumes de dados.

Por que a SanDisk não incluiu pelo menos um dissipador básico? Provavelmente para manter os custos baixos e competir em preço, mas acho que foi uma oportunidade perdida de agregar valor real ao produto.

Concorrência direta e alternativas

O mercado de SS NVMe está particularmente acirrado atualmente. O SN5100 enfrenta competição ferrenho de modelos como o Samsung 980 Pro, que frequentemente aparece em promoções, e do Crucial P5 Plus, que oferece especificações similares.

O que me surpreende é como a diferença de preço entre essas linhas está diminuindo. Há seis meses, você pagaria 30-40% a mais por um Samsung 980 Pro comparado a um WD Blue. Hoje, essa diferença caiu para 15-20% em muitas lojas online.

E não podemos esquecer dos SSDs chineses que inundaram o mercado. Marcas como Kingspec, Fanxiang e Netac oferecem produtos com especificações semelhantes por preços 20-30% menores. A questão é: vale a pena arriscar a garantia e confiabilidade por uma economia relativamente pequena?

Para usuários corporativos ou quem trabalha com dados críticos, provavelmente não. Mas para o usuário doméstico que faz backup regularmente, a economia pode ser tentadora.

Compatibilidade e considerações de sistema

Um aspecto frequentemente negligenciado nas reviews é a compatibilidade com placas-mãe mais antigas. O SN5100 é PCIe 4.0, mas como se comporta em slots PCIe 3.0? A boa notícia é que é retrocompatível, mas obviamente com perda de desempenho.

Em testes não oficiais que vi em fóruns especializados, o SSD atinge cerca de 3.500 MB/s em PCIe 3.0 – ainda assim muito rápido para a maioria das aplicações. Para quem está atualizando um sistema mais antigo, ainda representa um upgrade significativo em relação a SSDs SATA ou mesmo NVMe PCIe 3.0 de primeira geração.

Outro ponto importante: a capacidade de 4TB. É impressionante ver essa opção em uma linha mais acessível, mas será que sua placa-mãe suporta? Muitas placas mais antigas têm limitações de reconhecimento de capacidade para SSDs NVMe, especialmente acima de 2TB. Vale verificar o manual antes de comprar.

E sobre a garantia? A SanDisk oferece 5 anos de garantia limitada, padrão do setor. Mas note que a garantia cobre defeitos de fabricação, não desgaste natural. Para heavy users que constantemente escrevem grandes volumes de dados, a durabilidade de 1.200 TBW do modelo de 4TB equivale a escrever cerca de 657GB por dia durante 5 anos – mais que suficiente para a maioria absoluta dos usuários.

O que me preocupa um pouco é a tendência recente de algumas marcas encurtarem prazos de garantia ou criarem mais exceções. A Western Digital/SanDisk ainda mantém uma reputação sólida nesse aspecto, mas é sempre bom ler os termos completos antes de comprar.

Com informações do: Adrenaline