O cenário de jogos independentes ganha mais um título para chamar de seu. Após seis meses em Acesso Antecipado, Netherworld Covenant: Pacto do Submundo finalmente chega à sua versão 1.0 completa. Desenvolvido pela pequena MadGoat Game Studio, este roguelike de ação com uma estética gótica marcante promete desafiar fãs do gênero com combate técnico e uma progressão que exige estratégia. E o melhor? Já está disponível nas principais lojas digitais para PC.

Da fase beta ao lançamento: uma jornada de refinamento
Aqueles que acompanharam o jogo durante seu período em Acesso Antecipado sabem que essa não foi apenas uma espera. Foi um processo crucial. A MadGoat, um estúdio indie chinês formado por apenas duas pessoas, usou esses meses para algo que, na minha opinião, mais desenvolvedores deveriam fazer: ouvir atentamente o feedback da comunidade.
O resultado? Um gameplay que foi sendo lapidado, ajustado e aprimorado continuamente. É sempre interessante ver como um jogo evolui da visão inicial dos criadores para uma experiência moldada também pelos jogadores. Esse diálogo entre estúdio e comunidade é, muitas vezes, o que separa um bom jogo de um grande jogo.
E com o lançamento da versão 1.0, essa evolução atinge seu ápice. A campanha principal, que deixou jogadores curiosos, finalmente recebe seu desfecho com a adição dos capítulos 5 e 6, além das cinemáticas que amarram a narrativa. Para quem se importa com a história em um roguelike, é um grande atrativo.

Novo conteúdo e profundidade estratégica
O que realmente chama a atenção na atualização 1.0 é a expansão concreta do conteúdo. A variedade é a palavra de ordem aqui. O jogo agora oferece seis classes jogáveis distintas e introduz quatro novos tipos de armas. Isso não é apenas "mais do mesmo".
Essa combinação abre um leque enorme de possibilidades para builds. Você pode focar em um estilo agressivo de corpo a corpo, optar por ataques à distância, ou talvez uma abordagem mágica ou de suporte. A liberdade para experimentar e encontrar a combinação que melhor se adapta ao seu jeito de jogar é um dos pilares de um bom roguelike, e o Netherworld Covenant parece estar entregando isso.
Mas as novidades não param por aí. Para quem busca desafio puro ou variedade infinita, a atualização traz dois novos modos de jogo:
Boss Rush: Um desafio direto e intenso, colocando você contra os chefes do jogo em sequência. É o teste definitivo de habilidade.
Chaos Mode: Aqui, a aleatoriedade reina. Inimigos e mapas são gerados de forma randômica, garantindo que nenhuma partida seja igual à outra. Replayability garantida.
Além disso, o jogo ganha novos níveis de dificuldade, incluindo o interessante Corruption Mode. Este modo permite que os próprios jogadores personalizem o desafio através de várias opções, criando uma experiência sob medida. Quer um jogo brutalmente difícil? Ou apenas um pouco mais desafiador? A escolha é sua.

Uma publicação que conecta o Brasil ao mundo
A história por trás da publicação do Netherworld Covenant também merece destaque. Na América Latina, o jogo é publicado pela CriticalLeap. E aqui vai um ponto interessante: a CriticalLeap é o novo selo de publishing da Nuuvem, uma das principais lojas digitais brasileiras.
Isso representa uma mudança significativa no cenário. O selo tem uma missão dupla: levar o talento de estúdios brasileiros e latino-americanos para o mercado global e, ao mesmo tempo, trazer títulos internacionais de qualidade para o público brasileiro. É uma via de mão dupla que fortalece a cena local.
Além do Netherworld Covenant, a CriticalLeap já trouxe outros jogos como Enigma do Medo, Granblue Fantasy: Relink e Copycat. É um sinal de que a distribuição de jogos indie no Brasil está se profissionalizando e ganhando novos caminhos.
O jogo está disponível com suporte a 12 idiomas, incluindo o português, nas plataformas Steam, Nuuvem e Epic Games Store.

E pensar que tudo isso vem de um estúdio de apenas duas pessoas. A MadGoat Game Studio, com seus mais de 20 anos de experiência combinada na indústria, conseguiu finalizar este, seu primeiro projeto indie em tempo integral, em cerca de dois anos. É uma prova de que, com uma visão clara e muito trabalho, equipes pequenas podem criar experiências ambiciosas. Resta agora aos jogadores mergulharem de cabeça neste submundo e descobrirem se o pacto valeu a pena.
Mas vamos falar um pouco mais sobre o que realmente importa: como o jogo se sente nas mãos. O combate técnico prometido não é apenas um chavão de marketing. Em minha experiência com jogos do gênero, muitos acabam caindo em uma rotina de "esmagar botões" até vencer. O Netherworld Covenant, no entanto, parece ter uma filosofia diferente. A sensação de impacto dos golpes, a necessidade de gerenciar a stamina e os tempos de recuperação das habilidades impõem um ritmo mais tático. Você não pode simplesmente sair atacando tudo que se move; precisa escolher seus momentos, observar os padrões dos inimigos e, claro, errar e aprender com cada morte. É frustrante? Às vezes, sim. Mas também é incrivelmente recompensador quando você finalmente domina um chefe que te derrotou uma dúzia de vezes.
E sobre a progressão entre as corridas? Esse é outro ponto crucial que define um roguelike. O que você leva de uma run para a outra? Aqui, a sensação é de que a MadGoot tentou equilibrar a sensação de poder crescente com a necessidade de manter o desafio fresco. Além dos desbloqueios de classes e armas permanentes, há um sistema de bênçãos e maldições que pode alterar profundamente uma partida. Imagine encontrar um artefato que dobra o dano de suas habilidades de fogo, mas ao custo de reduzir sua saúde máxima pela metade. São escolhas arriscadas que transformam cada decisão em uma aposta. Será que vale a pena?

A estética gótica como personagem
É impossível falar deste jogo sem destacar sua identidade visual. A atmosfera gótica não é apenas um pano de fundo bonito; ela é parte integrante da experiência. Os ambientes, repletos de arquitetura sombria, vitrais quebrados e uma paleta de cores dominada por tons de roxo, vermelho sangue e preto, criam uma sensação constante de opressão e mistério. A trilha sonora, com seus corais soturnos e instrumentais de cordas, mergulha você ainda mais nesse mundo. Em um gênero onde muitos títulos optam por um visual pixelado ou cartoonizado, a ousadia de adotar uma arte mais "adulta" e detalhada é notável. Dá a impressão de estar explorando as páginas de um grimório antigo que ganhou vida.
E os detalhes técnicos? Para um estúdio tão pequeno, a performance parece ser um ponto forte. Durante o Acesso Antecipado, relatos de jogadores apontavam para uma otimização sólida, mesmo em máquinas mais modestas. Com a versão 1.0, espera-se que isso tenha sido ainda mais polido. Afinal, de nada adianta um combate técnico se o jogo engasga no meio de uma batalha contra dez inimigos. A fluidez é parte do feedback, e um frame rate estável pode ser a diferença entre uma morte justa e uma morte irritante.
O cenário indie e o desafio da visibilidade
Lançar um jogo indie hoje é, em muitos aspectos, mais desafiador do que nunca. A concorrência é feroz, com dezenas de títulos chegando às lojas todas as semanas. Então, o que pode fazer um jogo como o Netherworld Covenant se destacar? A parceria com a CriticalLeap, sem dúvida, é um fator importante. Ter o apoio de um publisher, mesmo que um selo novo, oferece uma estrutura de marketing e distribuição que um estúdio de duas pessoas dificilmente teria sozinho. Mas, no final do dia, a palavra dos jogadores ainda é o que mais conta.
O período em Acesso Antecipado foi vital para construir uma comunidade inicial, aqueles jogadores fiéis que testam, dão feedback e, principalmente, geram o "boca a boca" orgânico. Ver avaliações positivas no Steam, discussões em fóruns e gameplays no YouTube cria um ciclo virtuoso de atenção. Para quem está pensando em comprar o jogo agora, na versão 1.0, vale a pena dar uma olhada nesse histórico. O que a comunidade que jogou durante meses está dizendo? As promessas feitas durante o desenvolvimento foram cumpridas?

Falando em comunidade, um aspecto que sempre me intriga é o suporte pós-lançamento. A MadGoot já sinalizou planos para o futuro do jogo? Muitos roguelikes bem-sucedidos vivem de atualizações que trazem novos conteúdos, balanceamentos e eventos. Isso mantém o jogo vivo e os jogadores engajados por muito mais tempo. Será que veremos novos biomas, chefes ou até modos cooperativos no roadmap? Ainda é cedo para dizer, mas a postura receptiva ao feedback durante o early access é um bom indicativo de que o estúdio não pretende abandonar o projeto agora que a versão 1.0 saiu.
E você, já teve a chance de experimentar o Netherworld Covenant? Qual classe tem sido a sua favorita? A variedade de opções é tamanha que é comum ver jogadores defendendo fervorosamente um estilo de jogo específico. Alguns juram que a classe "Espadachim das Sombras" com sua mobilidade é imbatível, enquanto outros preferem a força bruta do "Cruzado do Abismo". Essa diversidade de experiências e a discussão em torno delas é, talvez, a maior riqueza que um jogo como este pode oferecer. Cada jogador acaba criando sua própria história dentro do submundo, sua própria maneira de quebrar o pacto.
Com informações do: Adrenaline








