A Lenovo acaba de oficializar um movimento que muitos entusiastas de jogos portáteis já esperavam: uma versão do seu poderoso Legion Go 2 que abandona o Windows 11 em favor do SteamOS. Anunciado para a CES 2026, este novo modelo promete não só um preço mais acessível, mas também uma experiência potencialmente mais otimizada e focada no que realmente importa para os jogadores. Será que a escolha de um sistema operacional baseado em Linux pode ser o divisor de águas para os PCs portáteis de alta performance?

O Que Realmente Muda no Novo Modelo?
À primeira vista, as mudanças podem parecer sutis, mas são significativas. A principal diferença, claro, é o sistema operacional. Em vez do familiar Windows 11, o Legion Go 2 agora roda o SteamOS, o mesmo sistema desenvolvido pela Valve para o Steam Deck. Isso não é apenas uma troca de interface; representa uma mudança filosófica completa na abordagem do dispositivo.
E aí vem a pergunta: o que se ganha com isso? Bem, em teoria, um sistema mais leve, mais rápido para inicializar e otimizado desde o kernel para uma coisa só: jogar. Fora isso, a única alteração física perceptível é a adição de um botão Steam dedicado, funcionando como um botão "home" para acesso rápido ao menu e atalhos. É uma adição pequena, mas que sinaliza para quem o dispositivo é feito.
Curiosamente, a Lenovo está oferecendo apenas a configuração topo de linha nesta variante com SteamOS. Isso significa que você só pode comprá-lo com o processador mais potente, o Ryzen Z2 Extreme de 8 núcleos baseado na arquitetura Zen 5. Parece uma estratégia para posicionar este modelo como a opção "premium" para o jogador hardcore que não quer concessões.
Performance, Autonomia e a Questão do Preço
Aqui é onde a coisa fica realmente interessante. A Lenovo já tem experiência com o SteamOS em um modelo anterior, o Legion Go S. E os resultados foram, digamos, promissores. Nos testes, a versão com SteamOS superou a com Windows tanto em performance bruta em alguns jogos quanto, crucialmente, na autonomia da bateria.
E faz sentido, não é? O Windows é um sistema operacional de propósito geral, cheio de serviços rodando em segundo plano. O SteamOS é um sistema enxuto, feito para uma tarefa específica. Menos overhead do sistema significa mais recursos para o jogo e menos drenagem da bateria. Para um dispositivo portátil, essa eficiência pode ser a diferença entre uma sessão de jogo no trem e ter que carregar no meio do caminho.

Mas a vantagem que provavelmente vai chamar mais a atenção é o preço. Sem os custos de licenciamento do Windows 11, a Lenovo consegue oferecer o Legion Go 2 com SteamOS por um valor significativamente menor. O modelo original com Windows foi lançado a US$ 1.349, enquanto esta nova variante chegará ao mercado em junho por US$ 1.199. É uma economia de US$ 150 que pode ser decisiva na hora da compra.
O Ecossistema SteamOS e o Futuro dos Portáteis
Esta jogada da Lenovo não acontece no vácuo. Ela reflete uma tendência maior no mercado de PCs portáteis para jogos. A Valve, com o Steam Deck, provou que um sistema operacional dedicado e otimizado pode oferecer uma experiência superior para jogadores, mesmo em hardware menos potente. A ASUS, com seu ROG Ally, também explora essa dualidade, embora ainda dependa do Windows.
A adoção do SteamOS por um grande fabricante como a Lenovo é um voto de confiança significativo no ecossistema da Valve. E levanta uma questão importante: estamos caminhando para um futuro onde os portáteis de jogos terão seu próprio sistema operacional, separado do PC tradicional? A compatibilidade com a biblioteca da Steam é enorme, mas e os jogos da Epic Store, ou da Xbox Game Pass para PC, que dependem do aplicativo da Microsoft?
Para o jogador que vive dentro do ecossistema Steam, o Legion Go 2 com SteamOS parece uma proposta quase perfeita: hardware de ponta, software otimizado e um preço mais baixo. Mas para quem gosta de diversificar suas fontes de jogos ou precisa do Windows para outras tarefas, a versão tradicional ainda faz mais sentido. No fim, a escolha vai depender de como você joga. E ter opções, como sempre, só é bom para nós, consumidores.
E essa questão da compatibilidade é um ponto que merece um mergulho mais profundo. O SteamOS, baseado no Linux, usa uma camada de compatibilidade chamada Proton para rodar jogos feitos para Windows. A mágica da Valve foi tornar esse processo praticamente invisível para o usuário final. Você clica em 'jogar' na sua biblioteca Steam e, na maioria dos casos, funciona. Mas e quando não funciona?
É aí que a experiência pode ficar um pouco mais... técnica. Alguns títulos com anti-cheat mais agressivo, ou que dependem de DRMs específicos, podem apresentar problemas. A comunidade é incrivelmente ativa, criando configurações personalizadas de Proton e compartilhando soluções em fóruns. Para quem não tem medo de fuçar um pouco nas configurações, é uma aventura. Para o jogador que só quer abrir e jogar, pode ser uma fonte de frustração. A Lenovo, ao adotar o SteamOS, está basicamente dizendo: "Confie na Valve e na comunidade". É um risco calculado.
Além do Jogo: A Experiência do Usuário no Dia a Dia
Vamos falar sobre a experiência fora do jogo. No Windows, você tem um computador completo. Pode instalar o Spotify, o Discord, um navegador para ver um guia no YouTube enquanto joga, editar documentos... é um PC. O SteamOS, na sua essência, é uma console. A interface é linda, fluida e pensada para ser usada com os controles. Mas se você quiser fazer algo que fuja um pouco do script, a coisa complica.
Existe um modo desktop, claro. É o Linux puro e simples. Mas a transição pode ser brusca para quem nunca viu um ambiente KDE ou GNOME na vida. Instalar um aplicativo que não está na loja da Steam pode exigir usar o terminal. Eu já passei por isso no meu Steam Deck, e posso dizer: não é para todos. A pergunta que fica é: quanta flexibilidade você está disposto a abrir mão por uma experiência de jogo mais polida e uma bateria que dura mais?
Para mim, a resposta depende muito do momento. Se o portátil for meu companheiro principal em viagens longas, onde cada minuto de bateria conta e meu objetivo é exclusivamente jogar, o SteamOS é imbatível. Mas se for um dispositivo que também uso no sofá para tarefas leves, ou para acessar serviços de streaming que não têm app nativo no Steam, a conveniência do Windows pesa na balança. A Lenovo, ao lançar as duas versões, está cobrindo ambos os lados dessa moeda.
A Guerra dos Sistemas e o Que Isso Significa Para a Indústria
O anúncio do Legion Go 2 com SteamOS é mais um capítulo em uma competição silenciosa, mas crucial, pelo controle da experiência do jogador portátil. De um lado, a Microsoft, com seu Windows onipresente e a promessa de compatibilidade universal. Do outro, a Valve, com um sistema verticalmente integrado que prioriza performance e eficiência sobre flexibilidade.
E os desenvolvedores? Eles estão no meio. Criar jogos para PC já é complexo; agora precisam considerar a otimização para duas arquiteturas de software radicalmente diferentes em um mesmo tipo de hardware. Alguns estúdios menores podem não ter recursos para testar extensivamente no Proton. Isso pode, paradoxalmente, levar a uma certa "steamificaçã o" do mercado de portáteis, onde os jogos que funcionam perfeitamente no ecossistema da Valve são os mais bem-sucedidos.
Outro ponto interessante é a pressão que isso exerce sobre a própria Microsoft. Será que veremos uma edição especial "Gaming" do Windows, mais enxuta e com menos serviços de fundo? Ou a empresa vai dobrar a aposta no seu ecossistema, integrando ainda mais o Xbox Game Pass na experiência nativa do Windows para esses dispositivos? A concorrência é saudável e, no fim das contas, quem ganha somos nós, com produtos melhores e mais opções.
E quanto aos outros fabricantes? A ASUS deve estar observando atentamente. A Ayaneo e a GPD, marcas menores que também fazem portáteis poderosos, podem ver no SteamOS uma oportunidade de reduzir custos e se diferenciar. Se a Lenovo tiver sucesso, é bem possível que vejamos uma enxurrada de dispositivos "SteamOS-certified" nos próximos anos. O que começou com um experimento da Valve pode se tornar um padrão de facto para uma categoria inteira de produtos.
No fim, a escolha entre o Legion Go 2 com Windows ou com SteamOS vai além de uma simples preferência por um sistema operacional. É uma escolha sobre que tipo de usuário você é. É uma declaração sobre o que você valoriza mais: a liberdade absoluta de um PC de bolso ou a eficiência otimizada de uma console de alta performance. A beleza é que, pela primeira vez, temos essa escolha de forma tão clara em um hardware de ponta. E isso, por si só, já é uma pequena revolução.
Com informações do: Adrenaline










