A CES 2026 não foi apenas sobre notebooks. Enquanto a Acer apresentava suas novas máquinas gamer, a empresa também soltou uma série de monitores que parecem ter saído de um sonho de entusiastas. A linha Predator, focada no jogador hardcore, e a Nitro, mais acessível, ganharam modelos com especificações que beiram o absurdo: taxas de atualização que chegam a 1.000 Hz, resoluções 5K e até 6K, e a tão desejada tecnologia QD-OLED em um formato ultrawide curvo. É um verdadeiro banquete para quem busca o máximo em fluidez, contraste ou densidade de pixels.
Predator: A Busca pela Fluidez Absoluta e pelo Contraste Perfeito
Para o jogador competitivo, cada milissegundo conta. E a Acer parece ter levado isso ao pé da letra com o Predator XB273U F6. Este monitor de 27 polegadas IPS QHD (2560x1440) oferece uma taxa de atualização nativa de 500 Hz. Já é um número impressionante, mas a mágica acontece no chamado "modo dual": ao reduzir a resolução para HD (1280x720), ele é capaz de atingir incríveis 1.000 Hz. Imagine a suavidade. É uma opção claramente voltada para títulos como CS2 ou Valorant, onde a vantagem competitiva pode residir nesses frames extras.
Mas e para quem quer imersão e qualidade de imagem além da pura velocidade? Aí entra o Predator X34 F3. Este aqui é diferente. Com uma tela curva de 34 polegadas QD-OLED em resolução Ultrawide QHD (3440x1440), ele promete um contraste adaptativo de 1.000.000:1. Na prática, pretos profundos e cores vibrantes que só o OLED pode entregar, agora com o brilho e a durabilidade potencialmente melhorados pela tecnologia Quantum Dot. E não é lento: mantém uma taxa de atualização de 360 Hz, com suporte a AMD FreeSync Premium Pro. É o melhor dos dois mundos para quem joga títulos single-player impressionantes ou até mesmo para consumo de conteúdo.


Nitro e ProDesigner: Quando a Resolução e a Precisão de Cores Importam
A linha Nitro, normalmente associada a um custo-benefício agressivo, surpreendeu com o Nitro XV270X P. Este monitor de 27 polegadas carrega uma resolução 5K (5120x2880). Fazendo as contas, são 218 pixels por polegada (PPI), uma densidade que promete uma nitidez de imagem excepcional, quase sem a percepção de "grãos" dos pixels. É uma proposta interessante para quem trabalha com texto, edição de fotos ou simplesmente quer a imagem mais nítida possível. E não deixa o jogador na mão: são 165 Hz nativos, que dobram para 330 Hz no modo QHD.
Já para o profissional criativo, a Acer apresentou o ProDesigner PE320QX. Este é um monstro de resolução: 6K (6016x3384) em um painel IPS de 32 polegadas. A taxa de atualização é de 60 Hz, o que é mais do que suficiente para seu propósito principal. O foco aqui está na fidelidade de cor, com cobertura de 98% do espaço DCI-P3, e em um brilho que atinge 600 nits de pico em HDR. Um detalhe curioso é o sensor de proximidade, que desliga a tela quando você se afasta – uma feature pequena, mas que mostra a atenção ao uso profissional e até ao consumo de energia.


Preços, Disponibilidade e a Realidade Brasileira
Todos os modelos têm lançamento previsto para o segundo trimestre de 2026, inicialmente na América do Norte. Os preços em dólar são:
Predator XB273U F6 (500Hz/1000Hz QHD): US$ 799,99
Predator X34 F3 (QD-OLED 360Hz): US$ 1.199,99
Nitro XV270X P (5K 165Hz): US$ 799,99
ProDesigner PE320QX (6K 60Hz): US$ 1.499,99
Agora, a parte que sempre dói: a vinda para o Brasil. A Acer tem uma presença forte por aqui, o que é um bom sinal. No entanto, como bem sabemos, o preço final por essas bandas raramente é uma conversão direta. Taxas de importação, margem de distribuição e a complexa burocracia nacional costumam inflacionar significativamente esses valores. Resta torcer para que a empresa consiga trazer esses modelos com uma política de preços que, se não for acessível, seja pelo menos menos dolorosa do que o habitual para produtos de ponta.
O que me impressiona nesse anúncio é a clara segmentação. Temos um monitor para o jogador de eSports que não abre mão de frames (XB273U F6), outro para o jogador que prioriza experiência visual cinematográfica (X34 F3), um para quem precisa de nitidez extrema (XV270X P) e um para o profissional que exige precisão de cor e resolução (PE320QX). A Acer não está tentando fazer um monitor para todos, mas sim o monitor certo para perfis específicos de usuário.
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Mas será que essas especificações de tirar o fôlego realmente se traduzem em uma diferença perceptível na experiência do usuário comum? Vamos pensar um pouco. A diferença entre 240 Hz e 360 Hz, por exemplo, já é sutil para a maioria dos jogadores. Chegar a 500 Hz nativos, e ainda oferecer um "overclock" para 1.000 Hz, parece mais uma conquista de engenharia do que uma necessidade prática. No entanto, para o 0,1% dos jogadores profissionais de elite, onde os reflexos são medidos em milissegundos e cada frame pode significar a diferença entre a vitória e a derrota em um campeonato milionário, essa busca pelo infinito faz sentido. É um mercado de nicho, mas que impulsiona a tecnologia para todos.
E o QD-OLED? Ah, essa é uma tecnologia que realmente me entusiasma. Já testei alguns monitores OLED e a experiência com pretos absolutos e tempos de resposta instantâneos é, de fato, transformadora para jogos e filmes. O problema sempre foi o risco de burn-in (imagem fantasma) e o brilho máximo, que em monitores tradicionais de PC pode ser um limitante em ambientes muito claros. A promessa do QD-OLED é justamente mitigar esses pontos fracos, combinando a matriz de pontos quânticos para cores mais vivas e brilhantes com a base de emissão de luz dos OLEDs. Se a Acer acertar na implementação, o Predator X34 F3 pode se tornar um dos monitores ultrawide mais desejados do mercado, rivalizando de frente com os modelos da Samsung e da Alienware.
O Desafio do Hardware: Sua Placa de Vídeo Dá Conta?
Aqui reside uma questão crucial, quase filosófica, para quem acompanha o mercado de hardware. De que adianta um monitor de 5K a 165 Hz se não existe uma placa de vídeo no mercado, hoje, que consiga rodar jogos AAA nativos nessa resolução e com essa taxa de frames? É um cenário clássico do "ovo e da galinha". A indústria de monitores avança, criando demandas por GPUs mais poderosas, que por sua vez justificam a existência desses mesmos monitores. O Nitro XV270X P, em particular, é um caso interessante. Para trabalho produtivo, sua densidade de pixels é um luxo maravilhoso. Para jogar, porém, você provavelmente vai precisar usar upscaling (como DLSS ou FSR) de uma resolução mais baixa ou simplesmente reduzir drasticamente as configurações gráficas para alcançar framerates altos.
Isso nos leva a pensar no propósito real desses lançamentos. Eles não são necessariamente para o consumidor que vai comprar amanhã. São uma declaração de intenções, um mapa do que a Acer acredita que será o futuro. E, francamente, é um futuro empolgante. A diversificação é clara: não estamos mais na era do "monitor gamer" genérico. Agora temos categorias bem definidas dentro do próprio universo gamer e criativo. O que me pergunto é: com a taxa de atualização parecendo ter atingido um platô de retornos decrescentes (para a maioria), será que o próximo grande salto estará em outras métricas, como o tempo de resposta de pixel verdadeiro, a latência de entrada ou até mesmo em tecnologias de conforto visual que reduzam a fadiga em longas sessões?
Além das Especificações: Design, Conectividade e Software
Os releases oficiais focam nas estrelas do show – resolução, Hz, tipo de painel –, mas a experiência diária com um monitor é feita de detalhes. Como é o suporte? Ele permite ajustes de altura, rotação e inclinação de forma suave? Quantas entradas DisplayPort e HDMI temos? O menu OSD (On-Screen Display) é intuitivo ou uma bagunça confusa? A Acer tem uma história mista nesses aspectos. Alguns modelos Predator antigos tinham um design agressivo demais, com muitas arestas e luzes RGB que nem todo mundo aprecia. Espero que, nessa nova leva, o design siga uma tendência mais sóbria e funcional, como vemos em marcas como Dell ou LG.
Outro ponto é o software de acompanhamento. A Acer possui o PredatorSense, um hub que controla não apenas o monitor, mas também outros periféricos da marca e até a iluminação do sistema. A integração pode ser um diferencial se for bem-feita, permitindo criar perfis de jogo que alteram configurações do monitor com um clique. Para o ProDesigner, será que teremos um software de calibração de cores incluído ou, pelo menos, um relatório de fábrica que ateste a precisão de cada unidade? Para um profissional que trabalha com cor, isso não é um luxo, é uma necessidade.
E o HDR? É mencionado brevemente, mas a qualidade da implementação HDR é onde muitos monitores prometem mundos e entregam continentes. Um painel com 600 nits de pico, como o ProDesigner, já está em um patamar interessante para HDR600. Mas o verdadeiro salto para uma experiência HDR convincente em jogos e filmes muitas vezes exige brilhos ainda mais altos e um número grande de zonas de escurecimento local, algo que painéis IPS tradicionais sofrem para entregar. O QD-OLED, por sua natureza de controle de pixel individual, tem potencial para um HDR espetacular, mesmo com números de brilho absoluto um pouco menores.
No fim das contas, a CES 2026 mostrou que a Acer não quer ser apenas mais uma no mercado de monitores. Ela quer liderar em várias frentes ao mesmo tempo. Se conseguirem entregar produtos que correspondam às especificações no mundo real, com controle de qualidade e um preço final que não seja proibitivo, podem realmente sacudir o mercado. A concorrência, é claro, não vai ficar parada. É uma época fantástica para ser entusiasta de tecnologia, mesmo que nosso bolso chore um pouco só de pensar nas possibilidades.
Com informações do: Adrenaline











