Imagine conseguir quase triplicar a taxa de quadros em um jogo como Cyberpunk 2077 usando uma placa de vídeo de entrada. Parece um sonho distante, mas um teste recente com a Intel Arc A380 e a tecnologia XeSS 3 Multi-Frame Generation (MFG) mostrou que isso é possível, ainda que com algumas ressalvas importantes. A descoberta, que envolveu um "mod" manual nos drivers, revela um potencial impressionante para hardware modesto, abrindo novas portas para jogadores com orçamento limitado.
O Teste e a Configuração Improvisada
O youtuber Alva Jonathan foi quem colocou a mão na massa. Ele usou uma placa ASRock Arc A380 Low Profile de 6 GB, um modelo claramente posicionado no segmento de entrada. O sistema de teste era sólido, com um processador AMD Ryzen 5 7500F, 32 GB de RAM DDR5 e um SSD NVMe, garantindo que o gargalo não estivesse em outros componentes.
Aqui está o detalhe curioso: a Intel ainda não liberou drivers oficiais com suporte ao MFG para a série Arc A. Então, como ele fez? Foi necessário um trabalho manual de "transplante": copiar dois arquivos de biblioteca específicos (igxell.dll e igxess_fg.dll) de um driver mais antigo para uma versão mais recente. Só assim a opção de geração de quadros apareceu no painel de controle. Já dá para perceber que não se trata de um recurso plug-and-play para o usuário comum, pelo menos não ainda.
O cenário escolhido foi Cyberpunk 2077 em 1080p com configurações gráficas no mínimo. Com o XeSS Super Resolution no modo "Ultra Quality" mas com a geração de quadros desligada, a placa entregava uma base de 55 a 60 FPS. Nada mal para uma placa de entrada, mas o verdadeiro salto estava por vir.

Ganhos Impressionantes e Limitações Inevitáveis
Ao habilitar o XeSS MFG no multiplicador 4x, os números dispararam. A média de FPS saltou para a faixa de 135 a 140. Praticamente o triplo da performance visual. É um resultado que faz qualquer um levantar a sobrancelha. No entanto, como quase tudo na vida, esse ganho extraordinário tem seu preço.
O modo 4x é tão intenso para o modesto processamento da A380 que a taxa de quadros base (aqueles realmente renderizados pela GPU) despencou para 33-35 FPS. Além disso, Alva Jonathan relatou um aumento perceptível na latência de entrada, especialmente nos movimentos do mouse. Em suas palavras, para o MFG 4x funcionar de forma ideal, você precisaria de uma base de 180 a 240 FPS. Valores abaixo de 45 FPS na base, como ocorreu aqui, geralmente prejudicam a fluidez e a responsividade.
Buscando um equilíbrio, ele testou também no multiplicador 3x. O resultado foi cerca de 120 FPS no jogo, com uma taxa de quadros base um pouco melhor, perto dos 40 FPS. A latência de entrada melhorou em comparação ao teste 4x, mas ainda estava longe do ideal. E aqui temos outro ponto: a Intel não possui uma ferramenta equivalente ao NVIDIA Reflex para medir e compensar essa latência com precisão, então a avaliação acaba sendo mais subjetiva.
O Que Isso Significa Para o Mercado?
Bem, na minha opinião, o teste é mais uma prova de conceito fascinante do que uma solução pronta para uso. A disponibilidade da geração de quadros XeSS em GPUs de entrada e até em gráficos integrados de processadores Intel Core Ultra (com arquitetura Xe2/Xe3) é, sem dúvida, um avanço significativo. Ela promete uma experiência visivelmente mais suave em notebooks gamers de entrada ou PCs montados com orçamento apertado.
Mas a condição é clara: o jogo precisa ter suporte nativo ao Intel XeSS 2 com Multi-Frame Generation. A lista não é tão extensa quanto a do DLSS 3 da NVIDIA, por exemplo. A esperança é que, com o lançamento futuro dos processadores Intel Panther Lake, que devem popularizar ainda mais essa arquitetura gráfica, mais desenvolvedores se sintam incentivados a implementar o suporte.
Para o jogador comum hoje, o "mod" é arriscado e complicado. Mas ele aponta para um futuro onde tecnologias de upscaling e geração de quadros não serão privilégio do hardware topo de linha. Isso é democratização de performance. Ainda é um caminho longo, com a necessidade de drivers oficiais estáveis e uma adoção mais ampla pelos estúdios, mas a direção é promissora.
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O Desafio da Latência e a Experiência Prática
E aí é que mora o grande "mas" dessa história toda. Você já sentiu aquele atraso irritante entre mover o mouse e a ação acontecer na tela? Pois é, a latência de entrada. No teste com o MFG 4x, o youtuber descreveu que o jogo ficou "bem mais lento para responder". Em um título frenético como Cyberpunk 2077, onde você está constantemente mirando e desviando, essa sensação pode ser a diferença entre vencer um combate ou virar pó. É como tentar dirigir um carro com o volante respondendo meio segundo depois do seu comando – tecnicamente você está se movendo, mas a sensação é desconcertante.
O modo 3x trouxe um alívio, mas ainda assim não era perfeito. Isso levanta uma questão prática: até que ponto um ganho de FPS puro vale se a jogabilidade fica comprometida? Para um jogo de corrida ou um RPG de mundo aberto onde você passa mais tempo apreciando a paisagem, talvez seja um trade-off aceitável. Agora, para um shooter competitivo? Esqueça. A tecnologia ainda precisa amadurecer muito nesse aspecto, especialmente sem uma ferramenta dedicada de redução de latência como a NVIDIA tem.
Além do Cyberpunk: Onde Mais Isso Poderia Brilhar?
Fica a pergunta: se funciona (com ressalvas) em um jogo tão pesado, onde mais essa combinação de hardware modesto e MFG poderia ser uma mão na roda? Pense nos jogos single-player lindos, mas que exigem muito, como Alan Wake 2 ou o futuro GTA VI. Para o jogador que prioriza a experiência narrativa e visual sobre a reatividade milimétrica, ter a opção de "esticar" a performance de uma placa de entrada pode ser revolucionário.
Outro cenário promissor são os eSports. Jogos como Counter-Strike 2 ou Valorant já rodam bem em hardware básico, mas e se, com o MFG, uma Arc A380 conseguisse entregar 300 FPS estáveis em 1080p? A latência seria o grande obstáculo a superar, claro. Mas se a Intel conseguir refinar a tecnologia e os drivers, quem sabe? Poderia criar uma nova categoria de PCs acessíveis para jogadores que buscam alta taxa de atualização sem gastar uma fortuna.
E não podemos esquecer do mundo dos notebooks. Os gráficos integrados Intel Arc das CPUs Core Ultra já são uma realidade. A implementação nativa do XeSS MFG nesses chips poderia transformar ultrabooks comuns em máquinas capazes de rodar jogos atuais de forma jogável. Isso seria um divisor de águas para quem quer um dispositivo único para trabalho e lazer.
O Caminho pela Frente: Drivers, Suporte e Expectativas
Toda essa empolgação, porém, esbarra na realidade do suporte. Atualmente, a lista de jogos com XeSS 2 e MFG nativo é bem menor que a do DLSS 3 com Frame Generation. A Intel precisa correr atrás não só para convencer os grandes estúdios, mas também os desenvolvedores de títulos indie e AA, que muitas vezes são os mais criativos com o orçamento de performance.
A liberação de drivers oficiais com suporte ao MFG para a série Arc é o próximo passo lógico e urgente. Enquanto depender de um "mod" manual de arquivos DLL, a tecnologia permanece no território dos entusiastas e testadores. O usuário comum, aquele que mais se beneficiaria de um boost de performance em sua placa de entrada, não vai querer saber de fuçar em pastas de sistema.
E há também a questão da qualidade da imagem. O upscaling do XeSS já é bastante respeitado, mas a geração de quadros extras pode introduzir artefatos visuais, especialmente em cenas de movimento muito rápido. Como será que a A380, com seu poder limitado, lida com isso? O teste focado no Cyberpunk deu um vislumbre, mas uma análise mais profunda, comparando a suavidade da imagem e a ocorrência de "ghosting" ou distorções, seria fundamental para avaliar a verdadeira qualidade da experiência.
Por fim, a própria estratégia da Intel. Eles estão claramente apostando na acessibilidade e na integração entre CPU e GPU. O sucesso do XeSS MFG em hardware de baixo custo pode ser uma carta importante nesse jogo, criando um nicho onde a NVIDIA e a AMD não focam tanto. Mas será que os consumidores vão comprar a ideia? Ou vão preferir economizar um pouco mais e ir para uma placa da geração anterior da concorrência, que oferece performance nativa mais sólida, mesmo sem a mágica da geração de quadros? A resposta a essa pergunta vai ditar muito do futuro dessa tecnologia.
Com informações do: Adrenaline











