A Electronic Arts acaba de revelar os requisitos finais para a versão PC de Battlefield 6, marcando o que a empresa descreve como o lançamento mais avançado da franquia na plataforma. Com suporte a tecnologias modernas e centenas de opções de personalização, o jogo promete uma experiência técnica impressionante - mas também traz algumas exigências que estão gerando discussão entre a comunidade.

Os Requisitos Definitivos para Battlefield 6 no PC

Nesta quinta-feira (28), a EA não apenas divulgou um novo trailer focado na versão PC, mas também detalhou as especificações técnicas necessárias para rodar o jogo em diferentes níveis de qualidade. E olha, alguns desses requisitos são bastante exigentes, especialmente para quem busca a experiência Ultra.

EspecificaçãoMínimoRecomendadoUltraSistema OperacionalWindows 10 (64-bit)Windows 11 (64-bit)Windows 11 (64-bit)Processador (Intel)Intel Core i5-8400Intel Core i7-10700Intel Core i9-12900KProcessador (AMD)AMD Ryzen 5 2600AMD Ryzen 7 3700XAMD Ryzen 7 7800X3DMemória RAM16 GB16 GB32 GBPlaca de vídeo (NVIDIA)GeForce RTX 2060 (6 GB)GeForce RTX 3060 Ti (8 GB)GeForce RTX 4080 (16 GB)Placa de vídeo (AMD)Radeon RX 5600 XT (6 GB)Radeon RX 6700 XT (8 GB)Radeon RX 7900 XTX (16 GB)Placa de vídeo (Intel)Intel ARC B380 (6 GB)Intel ARC B580 (8 GB)Não informadaDirectX121212ArmazenamentoHDD – 55 GBSSD – 90 GBSSD – 90 GBConexão OnlineObrigatóriaObrigatóriaObrigatóriaDesempenho1080p @ 30 FPS, configurações baixas1440p @ 60 FPS, configurações altas / 1080p @ 80 FPS+, configurações baixas2160p (4K) @ 60 FPS, configurações ultra / 1440p @ 144 FPS, configurações altas

O que mais me chamou atenção foi a diferença significativa entre as configurações. Enquanto o mínimo pede uma RTX 2060 para 1080p a 30 FPS, o Ultra exige uma RTX 4080 para 4K a 60 FPS. É um salto considerável, mas a EA promete que tecnologias de upscale como DLSS, XESS e FSR podem ajudar a melhorar o desempenho.

Battlefield 6 requisitos oficiais versão final PC

A Polêmica do Secure Boot e o Sistema Anti-Cheat

Aqui é onde as coisas ficam interessantes - e um pouco controversas. A Electronic Arts confirmou que Battlefield 6 exigirá o Secure Boot ativado nos PCs dos jogadores. E essa não é uma decisão que a empresa tomou levianamente.

Christian Buhl, diretor técnico do jogo, admitiu à Eurogamer que "é uma pena" que alguns jogadores ficarão de fora por causa desse requisito. Mas ele defendeu a medida como necessária para o funcionamento adequado do sistema anti-cheat Javelin, que segundo ele performou excepcionalmente bem durante o beta.

Battlefield 6 diretor técnico comenta Secure Boot

Buhl foi transparente ao reconhecer que o Secure Boot não era "totalmente necessário", mas explicou que a equipe optou por essa camada adicional de segurança para combater ameaças comuns e entregar o nível de proteção que acreditam que os fãs merecem. Ele também admitiu que a batalha contra trapaceiros é um eterno jogo de "gato e rato" - algo que qualquer jogador multiplayer experiente já sabe muito bem.

A EA mantém dois times dedicados exclusivamente ao combate de cheats, mostrando que leva a sério a questão do "jogo justo" que sempre foi marca registrada da franquia Battlefield. Mas será que essa medida drástica do Secure Boot vai afastar mais jogadores do que proteger? Essa é uma discussão que certamente continuará nos fóruns e comunidades nos próximos dias.

Fontes: Electronic Arts/Steam, Eurogamer

O Impacto dos Requisitos no Mercado de Hardware

Olhando para esses números, fica claro que a EA está mirando no futuro - talvez um futuro mais distante do que muitos jogadores gostariam. A exigência de uma RTX 4080 ou RX 7900 XTX para o modo Ultra coloca Battlefield 6 entre os jogos mais demandantes do mercado atual. E isso me faz pensar: será que estamos testemunhando uma mudança de paradigma nos requisitos dos jogos AAA?

Conversando com alguns colegas da comunidade, notei uma divisão interessante de opiniões. De um lado, os entusiastas que investiram em hardware recente estão empolgados por finalmente terem um jogo que realmente vai desafiar suas máquinas. Do outro, jogadores com configurações mais modestas se sentem deixados para trás - especialmente considerando que muitas placas de vídeo da série RTX 30 ainda são bastante populares e capazes.

O que mais me surpreendeu foi a inclusão de opções Intel ARC nas especificações mínimas e recomendadas. A EA claramente está antecipando uma maior adoção dessas placas, o que mostra confiança na evolução da concorrência no mercado de GPUs. Mas a ausência de uma opção Intel para o modo Ultra sugere que ainda há um caminho a percorrer.

O Papel das Tecnologias de Upscaling

Aqui é onde a coisa fica realmente interessante. A EA mencionou explicitamente que tecnologias como DLSS, FSR e XESS serão suportadas desde o lançamento. E isso não é apenas um detalhe técnico - pode ser a salvação para muitos jogadores.

Pense bem: se você tem uma RTX 3060 Ti (a placa recomendada), mas quer jogar em 1440p com mais de 60 FPS, essas tecnologias podem fazer toda a diferença. O DLSS Quality Mode, por exemplo, pode permitir que você jogue em resoluções mais altas sem sacrificar tanto a qualidade visual. É quase como ter um upgrade de hardware sem gastar um centavo extra.

Mas será que essas tecnologias são realmente a solução mágica que todos esperamos? Em minha experiência, o upscaling funciona bem na maioria dos casos, mas alguns jogos implementam melhor que outros. A qualidade final vai depender muito de como a DICE integrou essas tecnologias no motor gráfico do jogo.

Aliás, você já parou para pensar como seria jogar Battlefield sem essas tecnologias? Provavelmente teríamos requisitos ainda mais absurdos, ou performance abaixo do ideal mesmo em hardware topo de linha. É fascinante como o upscaling se tornou essencial tão rapidamente.

A Questão do Armazenamento: HDD vs SSD

Outro ponto que merece atenção é a diferença nos requisitos de armazenamento. Para configurações mínimas, a EA ainda permite instalação em HDD, mas já avisa que você precisará de 55GB livres. Já para as configurações recomendadas e Ultra, o SSD é obrigatório - e com 90GB necessários.

Isso me faz lembrar dos tempos em que instalar um jego em SSD era luxo, não necessidade. Hoje, parece que os HDDs estão sendo gradualmente aposentados para jogos AAA. E faz sentido: tempos de carregamento mais rápidos, streaming de texturas mais eficiente e menos pop-in são benefícios tangíveis que todo jogador merece.

Mas e aqueles que ainda dependem de HDDs? Bem, a EA pelo menos manteve a opção para o modo mínimo, mas é difícil não sentir que estão sendo deixados para trás. Será que em alguns anos sequer teremos a opção de instalar jogos triple A em discos rígidos?

As Implicações do Secure Boot para a Comunidade

Voltando à polêmica do Secure Boot, é importante entender o que isso significa na prática para jogadores comuns. Muitas pessoas, especialmente aquelas que montaram seus próprios PCs, podem nem saber se têm o Secure Boot ativado. E ativar não é sempre tão simples quanto apertar um botão.

Requisições de segurança como essa não são exatamente novidade - jogos como Valorant já implementaram medidas similares. Mas no caso do Battlefield, que tradicionalmente atrai um público mais casual, a medida pode ter um impacto maior. Quantos jogadores eventuais vão se dar ao trabalho de configurar o Secure Boot apenas para jogar?

E tem outra questão: a compatibilidade com sistemas operacionais alternativos. Jogadores que usam Linux através do Proton, por exemplo, podem enfrentar obstáculos adicionais. A EA mencionou algo sobre suporte a essas configurações? Até agora, silêncio total.

Christian Buhl mencionou que a equipe está "consciente das limitações" mas acredita que "a segurança dos jogadores honestos deve vir primeiro". É um argumento válido, mas também um tanto quanto paternalista. Será que não existiria um meio-termo que não excluísse parte da base de jogadores?

O que me preocupa é que essa medida pode criar um precedente perigoso. Se Battlefield 6 conseguir implementar o Secure Boot sem grandes perdas de players, outros estúdios certamente seguirão o exemplo. E antes que percebamos, pode se tornar padrão da indústria - para o bem ou para o mal.

Fontes: PC Gamer Hardware Guide, Tom's Hardware GPU Analysis

Com informações do: Adrenaline