A Shift Up, estúdio sul-coreano por trás do sucesso de ação Stellar Blade, está mergulhando fundo na cultura e arquitetura chinesa para construir o mundo de sua tão aguardada sequência. Em um anúncio recente, a desenvolvedora confirmou que a megacidade de Chongqing servirá como uma das principais inspirações visuais para Stellar Blade 2. Mas essa não é uma escolha meramente estética; é uma jogada estratégica que reflete o enorme sucesso do primeiro jogo em um mercado específico. Vamos explorar o que isso significa para o futuro da franquia e como uma cidade real pode se transformar em um cenário pós-apocalíptico.

Stellar Blade 2 vai usar cidades da China como inspiração para cenários

Chongqing: A Metrópole que Inspira um Apocalipse

Chongqing não é uma cidade qualquer. Localizada no sudoeste da China, é um dos quatro municípios diretamente administrados pelo governo central, um centro urbano colossal conhecido por sua topografia montanhosa e por uma densidade arquitetônica que beira o surreal. Os arranha-céus se aglomeram, criando uma paisagem vertical que mistura o ultramoderno com traços tradicionais. É, em muitos aspectos, o cenário perfeito para um jogo que explora um planeta Terra devastado.

Na imagem divulgada pela Shift Up, já podemos vislumbrar essa transposição. A paisagem futurista e densa de Chongqing aparece maltratada, corroída pelo tempo e, presumivelmente, pela invasão alienígena que forçou a humanidade a fugir no primeiro jogo. Os prédios que outrora brilhavam agora estão em ruínas, pontuados por vegetação invasora e os vestígios de uma civilização perdida. A arte conceitual sugere que os jogadores explorarão uma versão distópica e renomeada da cidade, onde a grandiosidade humana foi subjugada por forças maiores. É uma premissa visual poderosa, não é?

Uma Jogada de Mercado (Muito) Inteligente

Agora, você pode estar se perguntando: por que a China? A resposta está nos números. Após o lançamento da versão para PC de Stellar Blade, estimativas apontaram que um impressionante 58% das vendas da plataforma vieram do mercado chinês. Esse dado é colossal e transforma a China de um simples mercado consumidor em um pilar fundamental para o sucesso financeiro da franquia.

Incluir referências diretas à cultura e geografia chinesa em Stellar Blade 2 é, portanto, muito mais do que um capricho artístico. É um reconhecimento tácito e uma forma de engajar diretamente essa base de fãs fervorosa. É como um aceno, uma maneira de dizer "nós vimos o seu apoio e estamos incorporando um pedaço do seu mundo no nosso". Na minha experiência, quando desenvolvedores fazem esse tipo de conexão cultural autêntica, o resultado costuma ressoar com muito mais força do que um cenário genérico.

Stellar Blade 2 vai ser multiplataforma

O Futuro é Multiplataforma

Enquanto os cenários tomam forma inspirados em Chongqing, outra grande mudança estratégica está em andamento. Diferente do primeiro título, que foi um exclusivo temporário do PlayStation 5, tudo indica que Stellar Blade 2 nascerá como um jogo multiplataforma. Uma vaga de emprego divulgada pela própria Shift Up mencionava explicitamente o desenvolvimento para "vários consoles", sinalizando uma ambição de alcance muito maior.

Isso é enorme. Significa que a sequência pode chegar simultaneamente a PlayStation, Xbox, PC e, possivelmente, até ao sucessor do Nintendo Switch. Essa expansão de plataformas não apenas maximiza o potencial de vendas, mas também democratiza o acesso à história de Eve. Além disso, abre a possibilidade de o jogo original, Stellar Blade, finalmente fazer sua estreia no ecossistema da Microsoft e da Nintendo, mantendo o interesse pela franquia aquecido até a chegada da sequência. Uma jogada de negócios bastante astuta, se você me pergunta.

A Shift Up mantém um manto de silêncio sobre detalhes concretos como data de lançamento ou mecânicas de jogabilidade novas. Mas as peças do quebra-cabeça que temos—a inspiração arquitetônica chinesa, a estratégia de mercado focada e a mudança para o modelo multiplataforma—pintam o retrato de um estúdio confiante, aprendendo com seus acertos e expandindo ambiciosamente o universo que criou. O sucesso do primeiro jogo lhes deu carta branca para sonhar maior, e eles estão usando essa liberdade para construir um mundo que é, ao mesmo tempo, uma homenagem a seus fãs e uma expansão natural de sua mitologia pós-apocalíptica.

Fonte: Insider-Gaming

Mas vamos além da superfície. A escolha de Chongqing não é apenas sobre arranha-céus. A cidade é famosa por seus labirintos urbanos, com ruas que se sobrepõem em múltiplos níveis, viadutos que cruzam entre edifícios e um sistema de metrô que se integra de forma quase orgânica à paisagem. Imagine explorar isso em um contexto pós-apocalíptico: túneis escuros que antes eram linhas de trem, praças públicas agora tomadas por criaturas, e aquela famosa névoa constante da cidade servindo como cobertura para emboscadas. A arquitetura vertiginosa praticamente pede por sequências de parkour e combates verticais, algo que o primeiro jogo apenas arranhou.

E o que isso significa para a jogabilidade? Bom, se a Shift Up for fiel à inspiração, podemos esperar um design de nível muito mais vertical e complexo. Em vez de corredores lineares, talvez tenhamos distritos interconectados que podem ser abordados de diferentes alturas. A própria densidade de Chongqing sugere uma exploração mais orgânica, onde descobrir um atalho no telhado de um prédio pode ser tão importante quanto encontrar uma arma nova. Será que veremos mecânicas de escalada ou gancho mais elaboradas? É uma possibilidade tentadora.

O Desafio da Autenticidade vs. Fantasia

Aqui surge um desafio interessante para os artistas e designers da Shift Up: como equilibrar a autenticidade de uma cidade real com as necessidades de um jogo de ficção científica? Eles não estão fazendo um simulador de Chongqing, afinal. O risco é criar uma cópia tão fiel que se torne previsível, ou uma distorção tão grande que perca a essência que os fãs chineses reconheceriam.

Na minha opinião, o segredo está na "impressão" mais do que na réplica. Capturar a sensação de estar naquela cidade—a escala esmagadora, a justaposição do novo e do velho, a energia caótica—e então infectar essa sensação com a estética única de Stellar Blade. Os Naytibas e a tecnologia alienígena precisam se integrar à arquitetura de forma que pareça que sempre estiveram lá, corroendo o concreto e adaptando as estruturas para seus próprios fins sinistros. É um trabalho de worldbuilding delicado.

Falando em worldbuilding, essa inspiração geográfica específica também abre portas para a narrativa. Chongqing tem uma história rica, tendo servido como capital provisória durante a Segunda Guerra Mundial. Será que a Shift Up vai incorporar elementos dessa resiliência histórica na história da cidade no jogo? Talvez os sobreviventes humanos naquele local tenham desenvolvido uma cultura única, diferente dos que vimos em Xion. Ou talvez as ruínas guardem segredos tecnológicos de uma resistência passada. A localização não é só um pano de fundo bonito; pode ser a raiz de missões, facções e conflitos inteiros.

Além de Chongqing: Um Planeta para Reconhecer

E se a inspiração for ainda mais ampla? O anúncio menciona Chongqing como "uma das principais inspirações". Isso deixa a porta aberta para que outras cidades ou regiões do mundo real também moldem o planeta Terra de Stellar Blade 2. Imagina explorar uma versão devastada do deserto de Gobi, com dunas engolindo antigas rodovias, ou as florestas subtropicais do sul da China retomando megacidades.

Essa abordagem faria do jogo uma espécie de colagem pós-apocalíptica do nosso mundo, onde os jogadores de diferentes nacionalidades poderiam se surpreender ao reconhecer uma paisagem distorcida de seu próprio país. Seria uma maneira poderosa de universalizar a experiência, enquanto ainda mantém aquele aceno especial ao mercado que mais abraçou a franquia. Afinal, por que se limitar a uma única cidade quando você tem um planeta inteiro para reinventar?

O silêncio da desenvolvedora sobre detalhes é, ao mesmo tempo, frustrante e eletrizante. Por um lado, mal podemos esperar por um trailer que mostre essa Chongqing digital em ação. Por outro, a especulação é parte da diversão. Cada nova imagem vazada ou descrição de vaga de emprego será analisada com lupa, tentando decifrar como essa ambição arquitetônica se traduzirá em horas de jogo. A Shift Up claramente entende que cenário é personagem, especialmente em um RPG de ação. E ao escolher uma cidade com tanta personalidade quanto Chongqing, eles estão prometendo um personagem inesquecível.

O que você acha? Uma cidade real como base é um risco que vale a pena, ou você prefere mundos totalmente originais? De qualquer forma, uma coisa é certa: o visual de Stellar Blade 2 já está gerando mais conversa do que muitos jogos com data de lançamento marcada. E isso, no fim das contas, é um primeiro passo vitorioso.

Com informações do: Adrenaline