A partir de agora, as ruas de Birmingham não estão mais confinadas à tela da TV. O PUBG Mobile, um dos maiores battle royales do mundo, abriu as portas para uma colaboração imersiva com a icônica série Peaky Blinders. Até 5 de fevereiro de 2026, os jogadores podem mergulhar em um submundo de estratégia, estilo e conflito inspirado na famosa família Shelby. E não se trata apenas de skins novas – é uma experiência completa, com narrativa, mapas criados pela comunidade e uma estética que captura perfeitamente a essência da série. Vamos explorar o que essa parceria, que já está disponível, oferece aos fãs de ambos os universos.

Vestindo o terno e a atitude dos Shelby

O primeiro contato com a colaboração é, naturalmente, visual. E a equipe do PUBG Mobile não economizou nos detalhes. Você pode equipar seu personagem com skins fiéis aos irmãos que comandam as operações em Birmingham: Thomas Shelby, com seu olhar calculista e postura de líder; Arthur Shelby, o braço direito impetuoso; e John Shelby, o irmão mais novo. Cada conjunto de roupa parece saído diretamente do guarda-roupa do seriado, transmitindo aquela aura de poder e perigo que define os Peaky Blinders.

Mas os cosméticos vão além dos trajes. O item mais emblemático, é claro, não poderia faltar: o Chapéu de Jornaleiro, aquele acessório de aba plana que se tornou sinônimo da gangue. Imagine descer de paraquedas em Erangel ou Miramar usando esse chapéu – é uma declaração de estilo e intenção. A ambientação continua com itens temáticos para o campo de batalha:

  • A SMG Thompson – Cidade Nebulosa, uma arma que combina perfeitamente com a estética de época.

  • Um paraquedas temático que deixa claro sua afiliação antes mesmo de tocar o solo.

  • A mochila Pronta para Ação.

  • O veículo UAZ Alma Nebulosa, que evoca os carros clássicos da década de 1920.

  • E uma série de gestos, grafites e presentes exclusivos para completar a imersão.

É uma curadoria de itens que transforma cada partida em um episódio extra da série. Você não está apenas jogando um battle royale; está participando de uma operação dos Shelby.

Uma história interativa: Os Desafios Shelby

Aqui é onde a colaboração realmente inova. Em vez de apenas oferecer recompensas por jogar, ela introduz uma narrativa ramificada chamada “Os Desafios Shelby”. Dividido em cinco capítulos, este evento coloca você no centro das decisões da família. As escolhas que você faz durante a história – sobre alianças, táticas e moral – alteram diretamente o rumo dos eventos.

O que me surpreendeu foi a profundidade: existem quatro finais diferentes baseados nas suas decisões, além de um final oculto para os jogadores mais meticulosos. É um contraste interessante com a natureza usualmente não narrativa de um battle royale. Concluir esses capítulos não é apenas sobre progressão; é sobre entender os dilemas dos personagens. E a recompensa final é tentadora: um pacote de voz do Thomas Shelby para seus comandos no jogo. Ouvir a voz característica de Cillian Murphy dando instruções em meio ao caos do battle royale? Isso sim é imersão.

O submundo criado pelos fãs no Mundo das Maravilhas

Talvez a parte mais orgânica dessa colaboração esteja no Mundo das Maravilhas, o modo que permite à comunidade criar e publicar seus próprios mapas. A inspiração de Peaky Blinders correu solta entre os criadores, resultando em oito mapas não oficiais disponíveis em uma Coleção Especial. E a popularidade deles é um testemunho do engajamento dos fãs.

Alguns se destacam: o Peaky Blinder Gang War, com seu foco em domínio territorial, já teve mais de 20 mil acessos. O 2 vs 2 Fight Peaky Blinders, que força confrontos táticos em duplas, superou os 30 mil. Mas o campeão de audiência, com mais de 40 mil entradas, é o Peaky Blinders Alley Warfare. Este mapa recria os becos claustrofóbicos como Watery Lane, forçando batalhas corpo a corpo com recursos limitados. Jogar nele é uma experiência totalmente diferente da vastidão dos mapas tradicionais do PUBG – é íntima, brutal e cheia de tensão, exatamente como os confrontos na série.

Esses mapas comunitários mostram como uma boa colaboração pode servir de combustível para a criatividade dos jogadores. Eles não estão apenas consumindo conteúdo; estão reinventando-o.

A fusão entre o universo tático e implacável de Peaky Blinders e a jogabilidade intensa do PUBG Mobile parece, em retrospecto, uma combinação natural. Ambas as franquias tratam de sobrevivência, estratégia e a luta pelo controle de um território. A colaboração, disponível gratuitamente na App Store e na Google Play Store até fevereiro de 2026, vai além da skin superficial. Ela oferece uma narrativa para se envolver, um estilo para adotar e um playground comunitário para explorar. É uma prova de como as crossovers podem enriquecer a experiência de um jogo, dando aos jogadores não apenas novos itens, mas uma nova identidade e uma nova história para viver dentro do battle royale. Resta saber se outras franquias seguirão o exemplo e buscarão integrações tão profundas.

Estratégia Shelby: Mais do que apenas atirar

O que realmente me pegou de surpresa foi como a estética de Peaky Blinders influenciou, mesmo que sutilmente, a maneira como alguns jogadores abordam as partidas. Não é algo codificado no jogo, mas uma mudança de mentalidade. Você começa a ver equipes se movendo de forma mais calculada, evitando confrontos desnecessários no início para se equipar melhor – uma tática que o próprio Thomas Shelby aprovaria. A busca por loot não é mais apenas uma corrida caótica; às vezes, parece mais uma "aquisição estratégica de recursos", como se estivéssemos consolidando o território antes da guerra de gangues.

E os itens temáticos? Eles não são apenas cosméticos bonitos. Usar a SMG Thompson – Cidade Nebulosa, por exemplo, me fez querer engajar em combates de curta e média distância, onde sua cadência de tiro e estética de época realmente brilham. É engraçado como um skin de arma pode subconscientemente alterar seu estilo de jogo. O UAZ Alma Nebulosa, por outro lado, parece mais lento e pesado do que os veículos padrão (mesmo que os dados do jogo digam o contrário), o que nos leva a dirigir com mais cautela, quase como um desfile de poder pelas estradas de Erangel.

Mas será que essa imersão toda se sustenta após a novidade inicial? Na minha experiência, sim, mas com um asterisco. A narrativa dos Desafios Shelby é finita – uma vez que você viu os quatro finais e descobriu o oculto, aquele conteúdo específico se esgota. No entanto, o estilo permanece. Ver outros jogadores com os chapéus de aba plana em meio ao caos do último círculo cria uma camada extra de identificação e rivalidade. De repente, você não está apenas lutando contra um "player #247"; está enfrentando um possível membro da gangue Shelby ou, quem sabe, um inimigo dos Campbell.

O impacto nas comunidades e nos criadores

Falando em rivalidade, as comunidades online explodiram com teorias e guias. Fóruns e subreddits dedicados ao PUBG Mobile estão cheios de perguntas: "Qual é a escolha certa no Capítulo 3 dos Desafios Shelby para conseguir o final X?", "Alguém já encontrou o easter egg do Alfie Solomons?". A colaboração gerou um novo tipo de engajamento, focado em desvendar segredos narrativos em vez de apenas compartilhar *clips* de jogadas incríveis.

E os criadores do Mundo das Maravilhas? Eles receberam um kit de ferramentas temático poderoso. A coleção especial de mapas de Peaky Blinders é só a ponta do iceberg. Conversando com alguns desses criadores em comunidades, percebi que a inspiração vai além de recriar cenários. Eles estão tentando capturar a *sensação* da série – a traição, as alianças frágeis, a violência súbita. Um criador, que preferiu não se identificar, me contou que está trabalhando em um mapa onde duas equipes começam como aliadas para completar um objetivo (como um assalto), mas, em um ponto determinado, o jogo revela que um traidor entre eles tem um objetivo secreto oposto. É pura essência Peaky Blinders.

Isso levanta uma questão interessante: será que colaborações futuras vão olhar para esse modelo? Em vez de apenas vender um pacote de skins, as desenvolvedoras podem fornecer assets e temas para que a comunidade construa sobre eles. O resultado é um conteúdo que se renova constantemente, mantendo o evento vivo por muito mais tempo. Afinal, quando os fãs se tornam co-criadores, o envolvimento é totalmente diferente.

Para além da tela: O que isso significa para o futuro das crossovers?

Olhando para o cenário mais amplo, a parceria PUBG Mobile e Peaky Blinders parece marcar um ponto de virada. Lembro-me de quando crossovers em jogos mobile eram, na melhor das hipóteses, uma skin de personagem e um nome no título de um evento. Agora, estamos falando de narrativa ramificada, mapas criados pela comunidade inspirados no universo, e uma integração que tenta mudar a *sensação* do jogo, mesmo que temporariamente.

O sucesso dessa empreitada, medido pelo engajamento nos mapas do Mundo das Maravilhas e pela discussão online, provavelmente não passou despercebido por outras grandes desenvolvedoras. Imagine o que poderia ser feito com outras séries de TV com universos ricos e táticas específicas. Um crossover com *Stranger Things* poderia trazer um mapa no "Mundo Invertido" com mecânicas de furtividade totalmente novas. Uma parceria com *The Witcher* poderia introduzir contratos (missões) PvE dentro do modo battle royale, onde equipes precisam caçar uma criatura poderosa enquanto ainda se vigiam umas às outras.

O desafio, é claro, será manter a qualidade e a profundidade. Não adianta ter uma narrativa complexa se as escolhas forem ilusórias ou se os itens temáticos parecerem genéricos. O que funcionou aqui foi o cuidado com os detalhes – desde o corte dos ternos até os dilemas morais apresentados nos Desafios Shelby, que, vamos combinar, não são preto no branco. Eles refletem a ambiguidade dos personagens da série.

E você, já experimentou a colaboração? Notou uma mudança no "meta" ou no comportamento dos jogadores nas suas partidas? A imersão vale o hype, ou sente que ainda é um conteúdo superficial disfarçado com uma camada de tinta temática? A beleza de eventos como esse é que a experiência pode variar muito de pessoa para pessoa. Para alguns, é a chance de viver uma fantasia de gangue dos anos 20. Para outros, pode ser apenas uma coleção nova de itens para exibir. De qualquer forma, é inegável que o PUBG Mobile levantou a barra para o que esperamos de uma colaboração em um jogo do gênero. Resta saber se os jogadores vão continuar exigindo esse nível de profundidade daqui para frente, e se as desenvolvedoras estarão dispostas a atender a essa demanda.

Com informações do: Adrenaline