O lançamento surpresa de The Elder Scrolls IV: Oblivion Remastered em 2025 foi recebido com euforia pelos fãs, mas um relatório recente revela um cenário intrigante: apesar de vender mais de um milhão de cópias no PlayStation 5, cerca de metade dos jogadores dedicou menos de 15 horas ao RPG. O que isso diz sobre a força da nostalgia e os desafios de modernizar um clássico?

Metade dos jogadores de Oblivion: Remastered no PS5 jogou menos de 15 horas o game

Vendas robustas, engajamento frágil

Os números, vindos de um estudo da Alinea Analytics conduzido por Rhys Elliot, são um verdadeiro paradoxo. O remake, desenvolvido pela Virtuos na Unreal Engine 5, vendeu aproximadamente 1,1 milhão de unidades no PS5, com cerca de 80% dessas vendas concentradas no primeiro mês. Isso, por si só, é um testemunho do poder duradouro do catálogo da Bethesda e da saudade que os jogadores têm de Cyrodiil.

Mas aí vem a parte curiosa. A análise de engajamento mostra que uma fatia significativa – estimada em 50% dos jogadores – passou menos de 15 horas no mundo repaginado. Para um RPG conhecido por suas centenas de horas de conteúdo, missões secundárias intrincadas e exploração quase infinita, esse é um tempo surpreendentemente curto.

Conforme Elliot, esse número demonstra a atração que o catálogo antigo da Bethesda ainda exerce sobre a base de jogadores da PlayStation.

Na prática, isso sugere que muitos compraram o jogo movidos por um impulso nostálgico, talvez para revisitar locais icônicos ou reviver a sensação inicial de 2006, mas não necessariamente para se comprometer com uma nova jornada completa. É como reencontrar um velho amigo para um café, mas não para uma longa viagem juntos.

Além da nostalgia: os obstáculos da retenção

Claro, a nostalgia tem seus limites. E no caso de Oblivion Remastered, outros fatores parecem ter acelerado a decisão de muitos jogadores de deixar o jogo de lado. Dois pontos críticos se destacam nas discussões da comunidade.

Primeiro, o desempenho técnico. Relatos de problemas de fluidez e inconsistências em certas plataformas mancharam a experiência, mesmo com os visuais modernizados. Em uma era onde a performance é tão valorizada, tropeços técnicos podem ser um balde de água fria no entusiasmo inicial.

Em segundo lugar, e talvez mais significativo para um título da Bethesda, está a ausência de suporte a mods nas versões para console. Para mim, essa é uma falha crucial. A comunidade de modders foi fundamental para manter jogos como Skyrim relevantes por mais de uma década, adicionando conteúdo, corrigindo falhas e reinventando a experiência. Sem esse ecossistema, a versão console de Oblivion Remastered pode parecer uma experiência mais "fechada" e com menos perspectivas de longo prazo.

Um precedente para o futuro da Bethesda no PS5?

O desempenho comercial, mesmo com o engajamento morno, não passou despercebido pelos analistas. O relatório da Alinea Analytics especula sobre o que isso pode significar para futuros lançamentos, mencionando especificamente Starfield.

A lógica é simples: se um remake de um RPG de 2006 vendeu mais de um milhão de cópias, qual seria o potencial de um RPG espacial grande e recente como Starfield na plataforma? A expectativa é que ele possa superar esses números. Além disso, rumores de uma grande atualização (uma "2.0") para Starfield poderiam ser o empurrão que faltava para reconquistar parte do público.

Isso levanta uma questão interessante sobre o valor percebido. Os jogadores estão dispostos a pagar por uma visita nostálgica bem embelezada, mas talvez esperem mais inovação ou uma experiência mais polida para um compromisso de longo prazo. O sucesso de vendas de Oblivion Remastered prova que há um mercado ávido por clássicos da Bethesda no PS5. Mas a métrica de 15 horas indica que conquistar a atenção inicial é uma coisa; mantê-la é um desafio completamente diferente.

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Fonte: Wccftech

E você, o que acha? Será que essa estatística reflete apenas uma experiência pessoal ou aponta para uma tendência mais ampla? Em minha opinião, é um pouco dos dois. Já vi muitos amigos comprarem remakes por pura nostalgia, jogarem algumas horas para matar a saudade e depois seguirem em frente. É quase como assistir a um filme favorito da infância – a experiência é agradável, mas raramente você vai revê-lo dezenas de vezes como antes.

Mas vamos além da superfície. O que exatamente acontece nessas primeiras 15 horas que faz tanta gente desistir? Para muitos, o choque pode vir do próprio design de jogo envelhecido. Oblivion, mesmo com uma maquiagem gráfica de última geração, ainda carrega a estrutura de missões, a inteligência artificial dos NPCs e os sistemas de diálogo de 2006. Para jogadores acostumados com a fluidez narrativa de God of War Ragnarök ou a liberdade orgânica de Elden Ring, a experiência pode parecer… engessada.

Não me entenda mal – há um charme inegável nisso. A simplicidade dos diálogos, a repetição das dungeons, até a famosa expressão "vazia" dos rostos dos personagens fazem parte do seu DNA. Mas será que esse DNA ainda é compatível com o paladar moderno? A Bethesda e a Virtuos enfrentaram um dilema: modernizar demais e perder a alma do jogo, ou preservar demais e arriscar parecer datado. Pelo visto, para metade dos jogadores, o equilíbrio encontrado não foi suficiente para prender a atenção além da visita turística inicial.

O peso das expectativas e a sombra de Skyrim

Outro fator que raramente é mencionado, mas que eu acho crucial, é a sombra gigantesca de The Elder Scrolls V: Skyrim. Skyrim não só refinou muitos dos sistemas de Oblivion, como também se tornou um fenômeno cultural muito maior, relançado em praticamente todas as plataformas imagináveis. Muitos jogadores que pegaram o Oblivion Remastered podem ser fãs de Skyrim, ansiosos para ver as origens da província. E aí está o problema: as expectativas.

Skyrim é um jogo mais "acessível" em muitos aspectos. Suas quests são mais diretas, o sistema de progressão de habilidades é mais intuitivo e o mundo, embora vasto, é mais fácil de navegar. Voltar para Oblivion depois de anos de Skyrim pode ser um choque. A necessidade de treinar habilidades específicas para subir de nível, a complexidade (às vezes confusa) do sistema de encantamento, e até a maneira como as guildas funcionam – tudo exige mais paciência e investimento do jogador.

Então, temos um cenário onde uma parcela significativa do público pode ter entrado no jogo esperando "Skyrim, mas mais bonito e em Cyrodiil", e se deparou com uma experiência RPG mais rígida e menos imediatamente gratificante. Após 15 horas, o encanto da nostalgia pode ter dado lugar à frustração com mecânicas que não evoluíram conforme o esperado.

O fenômeno do "backlog" e a economia da atenção

Não podemos ignorar o contexto maior em que os jogos são consumidos hoje. Vivemos na era do backlog infinito e da economia da atenção. Serviços como a PS Plus oferecem centenas de jogos. Novos títulos AAA são lançados quase toda semana. Nesse mar de opções, um remake, por mais desejado que seja, compete não só com outros jogos novos, mas com toda a biblioteca digital do jogador.

O que isso significa na prática? Que muitos podem ter comprado Oblivion Remastered no impulso, jogado o suficiente para sentir a novidade e saciar a curiosidade, e então foram atraídos pelo próximo lançamento brilhante. Quinze horas, nesse contexto, pode ser o tempo que leva para a próxima grande novidade – um Final Fantasy, um novo capítulo de Call of Duty, um jogo indie viral – chamar sua atenção. A fidelidade do jogador moderno é, francamente, volátil.

E há um aspecto financeiro interessante aqui também. O preço de lançamento do Remastered foi considerável. Para alguns, investir esse valor e "apenas" jogar 15 horas pode ser visto como um mau negócio. Mas será? Se essas 15 horas foram de puro prazer nostálgico, de reencontrar a Capital Imperial e ouvir a trilha sonora gloriosa de Jeremy Soule com gráficos modernos, talvez o custo por hora de entretenimento tenha valido a pena. A métrica de sucesso está mudando. Nem todo mundo busca uma jornada de 200 horas; às vezes, uma experiência concentrada e emocionalmente carregada é suficiente.

No entanto, isso coloca os publicadores em uma posição complicada. Eles devem investir milhões em remakes completos se metade do público não vai experienciar a maior parte do conteúdo? Ou será que formatos diferentes – talvez remakes focados em episódios ou em áreas específicas do mundo – fariam mais sentido? A pergunta que fica é: estamos comprando o jogo inteiro, ou estamos comprando a lembrança do jogo inteiro?

Olhando para o futuro, os dados do Oblivion Remastered servem como um alerta ambíguo para a Bethesda e outras publishers. De um lado, um sinal verde brilhante: há um mercado enorme e disposto a pagar por clássicos repaginados. O poder da marca e da nostalgia é real e lucrativo. Do outro, um sinal amarelo piscante: a conversão de uma venda em um jogador engajado de longo prazo não é automática. Requer mais do que um upgrade visual.

Requere, talvez, uma modernização mais profunda e corajosa de mecânicas desgastadas. Requer um suporte pós-lançamento robusto, especialmente para consertar problemas técnicos que quebram a imersão. E, no caso específico dos consoles, requer encontrar uma maneira de incorporar ou simular o espírito da comunidade de mods, que é o verdadeiro coração pulsante desses mundos. Sem isso, o risco é criar belíssimos museus interativos – admirados por uma visita rápida, mas não habitados.

E quanto a você? Se jogou o Oblivion Remastered, onde você se encaixa nessa estatística? Foi uma visita rápida ou uma imersão completa? O que teria feito você ficar mais tempo? As respostas para essas perguntas, muito mais do que os números crus, são o que realmente vai moldar o destino dos próximos remakes que amamos.

Com informações do: Adrenaline