Eiji Aonuma, o produtor lendário por trás de The Legend of Zelda, sempre foi um visionário. Depois de nos entregar duas obras-primas de mundo aberto consecutivas com Breath of the Wild e Tears of the Kingdom, a pergunta que paira no ar é inevitável: para onde vai a série agora? Em uma entrevista recente, Aonuma deu uma pista intrigante, sugerindo que a colaboração com a Koei Tecmo em Hyrule Warriors: Age of Imprisonment pode ser mais do que um simples spin-off. Pode ser, na verdade, um laboratório de ideias para o próximo grande capítulo da saga de Link.

A série Zelda celebra 40 anos em 2026

Inspiração no combate contra hordas

Em conversa com o site japonês 4Gamer, Aonuma foi franco sobre o desejo da Nintendo de lançar "o primeiro" Hyrule Warriors por conta própria. Mas, e essa parte é crucial, ele reconheceu o valor da parceria. "Ainda assim, as inspirações que ganhamos ao colaborar com a Koei Tecmo dessa forma podem se refletir no próximo Zelda que criamos", afirmou. Essa declaração não é algo a ser ignorado.

Pense bem: Hyrule Warriors é, em sua essência, um jogo sobre ação em massa. Combate fluido contra centenas de inimigos, uso de habilidades especiais espetaculares e um ritmo frenético que difere bastante da exploração meticulosa e da solução de quebra-cabeças dos títulos principais. Aonuma estar aberto a essa influência sugere uma evolução interessante. Será que o próximo Zelda incorporará sistemas de combate mais dinâmicos, talvez até momentos de confronto em larga escala, sem abandonar sua alma exploratória? A possibilidade é, no mínimo, eletrizante.

Um marco no horizonte: os 40 anos da franquia

E o timing para essas mudanças não poderia ser mais simbólico. Em 2026, The Legend of Zelda celebra seu 40º aniversário. Quatro décadas desde que um elfo de pontas verdes começou sua jornada para resgatar uma princesa em um cartucho dourado do NES. A Nintendo, é claro, sabe da importância dessa data. Aniversários redondos como esse são tradicionalmente palco para grandes anúncios e celebrações.

É quase uma certeza que a empresa guarda algo especial para a ocasião. O sucessor direto de Tears of the Kingdom é o candidato mais óbvio, mas a estratégia pode ser mais ampla. Após o lançamento de Echoes of Wisdom em 2024, que revisitou o estilo 2D, os fãs clamam por notícias do próximo grande salto em 3D. E, cá entre nós, o aniversário de 40 anos seria o palco perfeito para essa revelação.

Mas a celebração não deve se limitar a um jogo novo. Os pedidos por remakes de títulos clássicos como The Wind Waker e Twilight Princess para o Switch 2 são um coro constante na comunidade. Seria a oportunidade ideal para a Nintendo atender a esses desejos, modernizando experiências queridas para uma nova geração de consoles. Além disso, o filme live-action da série, com estreia prevista para maio de 2027, certamente ganhará mais holofotes durante as comemorações do aniversário.

Um futuro construído sobre múltiplas frentes

O que me fascina nesse momento é ver como a franquia Zelda se expande de forma orgânica. Não se trata mais apenas da sequência principal. Temos os spin-offs como Hyrule Warriors, que agora servem de incubadora de ideias. Temos os retornos ao estilo 2D, como Echoes of Wisdom, que honram as raízes. E temos a incursão no cinema, que promete levar a mitologia de Hyrule para uma audiência colossal.

A declaração de Aonuma sobre buscar inspiração em um spin-off de ação é um sinal de saúde criativa. Mostra uma equipe disposta a olhar para fora de sua zona de conforto, a experimentar com fórmulas diferentes e a incorporar o que funciona de outros gêneros. Afinal, quantas franquias com 40 anos de idade podem dizer que ainda estão aprendendo e se reinventando com seus próprios experimentos?

O caminho a seguir, portanto, parece ser de convergência. A base sólida de exploração, narrativa e quebra-cabeças que define Zelda pode muito bem ser enriquecida com uma camada de ação mais intensa e polida, inspirada no frenesi dos jogos Warriors. Enquanto isso, a Nintendo tem um ano repleto de possibilidades para celebrar quatro décadas de uma das séries mais influentes da história dos videogames. Seja com um novo jogo, com relançamentos aguardados ou com mais detalhes sobre o filme, 2026 promete ser um ano e tanto para os fãs do herói de Hyrule.

Mas vamos pensar um pouco mais sobre essa possível "camada de ação". O que exatamente poderia ser importado de Hyrule Warriors? Não se trata, é claro, de transformar Zelda em um jogo de hack-and-slash puro. A magia da série sempre esteve na mistura. Talvez a lição seja sobre fluidez. Os jogos Warriors são mestres em fazer você se sentir poderoso, com combos que fluem de uma forma quase coreográfica. Imagine incorporar essa sensação ao estilo de luta já estabelecido de Link. Talvez permitindo encadear ataques de espada, arco e runas de forma mais dinâmica, ou introduzindo habilidades especiais com área de efeito que sejam úteis não só contra chefes, mas contra grupos maiores de inimigos comuns.

E os inimigos? Em Breath of the Wild e Tears of the Kingdom, os combates, embora táticos, muitas vezes são contra pequenos grupos. E se, em certas missões ou áreas específicas do mapa, nos deparássemos com verdadeiros exércitos de Bokoblins ou Moblins, exigindo uma abordagem diferente? Uma onde a estratégia de sobrevivência e o gerenciamento de multidões entrassem em jogo. Seria um desafio novo, uma forma de testar as ferramentas do jogador em uma escala diferente. Afinal, a exploração já nos deu um mundo vasto; por que o combate não poderia ter sua própria amplitude?

O equilíbrio é a chave: ação sem perder a essência

Aqui reside, na minha opinião, o maior desafio. A Nintendo é famosa por seu polimento, e qualquer elemento novo precisa ser integrado de forma orgânica. A introdução de uma ação mais intensa não pode vir às custas dos quebra-cabeças intrincados dos templos ou daquela sensação serena de explorar um campo aberto ao pôr do sol. O risco é criar uma dissonância. Um minuto você está resolvendo um enigma silencioso com estátuas antigas, no seguinte está no meio de um campo de batalha caótico. A transição precisa ser suave, narrativamente justificada.

Talvez a solução esteja na segmentação. Em Tears of the Kingdom, vimos a introdução das "Provas do Rei Dragão", que eram essencialmente arenas de combate. E se esse conceito fosse expandido? Áreas opcionais do mapa dedicadas a desafios de combate em massa, recompensando o jogador com itens raros ou fragmentos de história. Dessa forma, quem busca a ação frenética a encontra, enquanto quem prefere o ritmo tradicional pode seguir a narrativa principal sem grandes obstáculos. É um caminho que respeita os diferentes perfis de jogador.

E não podemos esquecer do protagonista. Link, em sua essência, é um herói resiliente, mas não um exímio guerreiro de hordas como os personagens de Dynasty Warriors. Qualquer evolução no combate precisa fazer sentido dentro de sua caracterização. Talvez a resposta esteja nos itens e habilidades. Um novo artefato, como uma versão supercarga da Espada Mestra, que temporariamente permita ataques em área. Ou aliados controláveis, como já vimos em jogos passados, que possam ajudar a conter multidões enquanto você foca no líder. As possibilidades são vastas, mas exigem um cuidado narrativo imenso.

Além do combate: outras lições da parceria

Quando Aonuma fala em "inspirações", é tentador focar apenas no combate. Mas a colaboração com a Koei Tecmo pode ter rendido insights em outras áreas. A narrativa em Hyrule Warriors: Age of Imprisonment, por exemplo, brinca com linhas do tempo e realidades alternativas de uma forma muito mais direta e dramática do que os títulos principais. A série Zelda já explorou conceitos de multiverso e linhas do tempo divergentes (lembra do Ocarina of Time?), mas de uma maneira mais sutil.

E se o próximo jogo se aprofundasse nisso? Uma história que não apenas ocorre em um Hyrule vasto, mas em múltiplas versões dele, cada uma com suas próprias regras físicas e desafios. A mecânica de fusão de Tears of the Kingdom mostrou que a equipe não tem medo de ideias complexas de gameplay. Cruzar entre diferentes "camadas" de realidade poderia ser a próxima fronteira, criando quebra-cabeças onde a solução está em alterar o ambiente entre duas ou mais versões de um mesmo local.

Outro ponto é o ritmo. Os jogos Warriors são estruturados em missões claras com objetivos diretos. Enquanto isso, os Zelda modernos são pura liberdade. Há um meio-termo? Talvez a introdução de uma série de "crises" dinâmicas espalhadas pelo mapa—uma vila sendo atacada, um desastre natural iminente—que o jogador pode optar por resolver de forma mais direta e ação-orientada, oferecendo uma pausa na exploração aberta e uma sensação de impacto imediato no mundo. Isso daria um propósito ainda maior à exploração: você não está só coletando cogumelos, está patrulhando seu reino.

O que me deixa genuinamente animado é a mentalidade que essa declaração revela. Após dois jogos que redefiniram radicalmente a estrutura de mundo aberto, era fácil imaginar a Nintendo se acomodando em uma fórmula vencedora. Em vez disso, Aonuma sinaliza um desejo de mexer nos próprios alicerces da jogabilidade. É uma postura arriscada, mas também é a que manteve Zelda relevante por 40 anos. Eles não estão apenas pensando no próximo mapa ou na próxima ferramenta; estão pensando no próprio ritmo do jogo, na sensação que cada momento passa ao jogador.

E isso nos leva de volta ao aniversário. Um marco de 40 anos não é só sobre olhar para trás e celebrar o legado. É, sobretudo, sobre olhar para frente e reafirmar o porquê de essa jornada continuar. A possibilidade de um Zelda que funde a liberdade tátil de seus mundos abertos com a adrenalina cinematográfica de um combate em larga escala é mais do que uma simples evolução de gênero. É uma promessa de que a próxima década da franquia pode ser tão surpreendente e inovadora quanto a última. Resta saber como a Nintendo vai costurar todas essas ambições—a celebração, o filme, os remakes pedidos e a inovação do gameplay—em uma estratégia coesa. O palco está armado, e 2026 se aproxima rapidamente.

Com informações do: Adrenaline