A corrida pela melhor experiência visual em jogos e trabalho criativo acaba de ganhar novos contendores de alto nível. A ASUS anunciou oficialmente sua próxima geração de monitores ROG OLED, prometendo combinar a qualidade de imagem inigualável da tecnologia OLED com taxas de atualização que até pouco tempo atrás pareciam ficção científica. E o melhor? Eles chegam em breve, com lançamento previsto para o primeiro trimestre de 2026.
Dois modelos foram revelados, cada um com uma proposta distinta para atender a diferentes perfis de usuários. De um lado, temos um gigante ultrawide focado em imersão total. Do outro, um monitor 4K que oferece uma flexibilidade impressionante. Ambos serão apresentados ao mundo na CES 2026, mas os detalhes técnicos já são suficientes para deixar qualquer entusiasta de tecnologia animado – e talvez um pouco ansioso pelo preço.
ROG Swift PG34WCDN: Imersão Ultrawide a 360 Hz
Vamos começar pelo modelo que chama atenção pelo tamanho e pela curvatura. O ROG Swift PG34WCDN é um monitor de 34 polegadas com painel QD-OLED da Samsung Display. A resolução é WQHD (3440 x 1440) no formato 21:9, com uma curvatura de 1800R que promete envolver o usuário. Mas o número que realmente salta aos olhos é a taxa de atualização: incríveis 360 Hz combinados com um tempo de resposta de 0,03 ms.
Na prática, isso significa uma fluidez absurda em jogos competitivos, onde cada milissegundo conta. Mas a ASUS não parou por aí. Uma das atualizações mais interessantes deste painel é a adoção de um novo layout de subpixels do tipo RGB-stripe, chamado de "V-stripe". Se você já usou um monitor OLED antigo e notou que o texto às vezes parecia meio "esfumaçado" ou com franjas coloridas, essa tecnologia promete ser a solução. O objetivo é melhorar drasticamente a clareza do texto e minimizar distorções de cores em bordas de elementos de interface, algo crucial para quem também usa o monitor para trabalhar.
Outro ponto forte é a durabilidade. A empresa adicionou um revestimento especial chamado BlackShield Film. Segundo a ASUS, essa camada aumenta a dureza do painel (de 2H para 3H na escala de lápis), oferece maior resistência a riscos, reduz aquele tom arroxeado que alguns painéis OLED apresentam em ângulos extremos e ainda aprimora a profundidade do preto em ambientes claros. Parece um pacote completo de proteção.
Em termos de conectividade, o PG34WCDN está bem servido para o futuro: duas portas HDMI 2.1, uma porta DisplayPort 2.1 UHBR20, uma porta USB-C com modo DisplayPort Alt e fornecimento de energia de 90W (perfeito para laptops), além de portas USB-A e saída de áudio. A qualidade de cor também é de ponta, cobrindo 99% do espaço de cor DCI-P3 e saino de fábrica com calibração para um Delta E inferior a 2, o que é excelente para trabalho com cores.
ROG Swift PG27UCWM: 4K com um Truque na Manga
Se o primeiro modelo é sobre largura e fluidez, o segundo é sobre densidade de pixels e flexibilidade inteligente. O ROG Swift PG27UCWM emprega um painel WOLED Tandem de quarta geração da LG Display, com 26,5 polegadas e resolução 4K nativa (3840 x 2160).
Aqui está a jogada de mestre: este monitor possui uma função de taxa de atualização dual. No modo nativo, ele opera a 240 Hz em 4K – já uma marca impressionante para essa resolução. Porém, se você estiver jogando um título competitivo onde cada frame é crucial e está disposto a abrir mão da resolução máxima, pode alternar o monitor para Full HD (1920 x 1080) e... bam! A taxa de atualização salta para 480 Hz.
É uma solução engenhosa que reconhece que diferentes cenários pedem diferentes configurações. Para um jogo single-player lindo como *Cyberpunk 2077*, você quer o 4K HDR lindo. Para um *Counter-Strike 2* ou *Valorant*, talvez a fluidez extrema do Full HD a 480 Hz seja mais vantajosa. Ter a opção é um luxo que poucos monitores oferecem.
Este modelo também adota a matriz de subpixels RGB-stripe para melhor clareza de texto. Com uma densidade de pixels de aproximadamente 166 PPI, a nitidez deve ser excepcional. O suporte a HDR inclui HDR10 e Dolby Vision, prometendo um alcance dinâmico top de linha para filmes e jogos.
E claro, sendo OLED, a questão do burn-in (retenção permanente de imagem) sempre vem à tona. A ASUS equipou o PG27UCWM com o conjunto de recursos "OLED Care Pro", que inclui um sensor de proximidade interessante. A ideia é que, se você se afastar do computador por um tempo, o monitor possa detectar e ativar proteções para evitar que uma imagem estática cause danos. A conectividade confirmada inclui DisplayPort 2.1a e USB-C com 90W de power delivery.
O que esses lançamentos representam para o mercado? Na minha opinião, é mais um passo firme na consolidação do OLED como tecnologia premium para monitores. Por anos, tivemos um trade-off difícil: painéis IPS com cores boas e ângulos de visão amplos, mas contraste medíocre; ou VA com contraste excelente, mas tempo de resposta mais lento e "ghosting". O OLED praticamente elimina esses compromissos, oferecendo cores vibrantes, pretos infinitos, tempo de resposta instantâneo e ângulos de visão perfeitos.
Os desafios históricos – como o burn-in e a clareza de texto – parecem estar sendo atacados de frente com novas tecnologias de subpixels e sistemas de proteção mais sofisticados. A adoção do layout RGB-stripe, em particular, é uma notícia fantástica para quem, como eu, usa o mesmo monitor para jogar, programar e escrever. A legibilidade do texto em painéis OLED sempre foi seu calcanhar de Aquiles.
E então, vem a pergunta do milhão: quanto vão custar? A ASUS ainda não divulgou os preços, mas considerando a tecnologia de ponta, as taxas de atualização recorde e a marca ROG no cabeçalho, é seguro assumir que não serão produtos para orçamentos modestos. Eles provavelmente se posicionarão no topo absoluto do mercado, competindo com os melhores da Alienware, LG e Samsung.
Para quem está no mercado por um novo monitor, a espera até a CES 2026 e o posterior lançamento no primeiro trimestre pode valer a pena. Será a chance de ver reviews independentes, testar a durabilidade dos novos painéis contra o burn-in e, claro, descobrir o impacto real no bolso. Enquanto isso, a notícia serve como um empolgante vislumbre do futuro – um futuro que, felizmente, não está tão distante assim.
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Fontes: Wccftech | VideoCardZ
Mas vamos mergulhar um pouco mais fundo nas especificações técnicas, porque é aí que mora o verdadeiro diferencial. Você já parou para pensar no que significa um tempo de resposta de 0,03 ms em um painel OLED? Para colocar em perspectiva, os melhores monitores IPS do mercado, mesmo os voltados para jogos, lutam para ficar abaixo de 1 ms em seus modos de overdrive mais agressivos – e muitas vezes isso vem acompanhado de artefatos visuais horríveis, como overshoot e coronas coloridas. O OLED, por sua natureza de emissão de luz por pixel individual, simplesmente não sofre desse mal. A transição é limpa, instantânea e sem truques. É uma das poucas vezes em que o marketing de "o mais rápido" realmente corresponde à experiência prática na sua mesa.
E sobre esse novo layout de subpixels "V-stripe"? É um tópico técnico, mas crucial. Os primeiros monitores OLED para PC, especialmente os baseados em tecnologia WOLED da LG, usavam um arranjo de subpixels não convencional chamado WRGB. Basicamente, além dos subpixels vermelho, verde e azul, havia um subpixel branco extra para aumentar o brilho. O problema é que esse arranjo bagunçava a renderização de texto e linhas finas no Windows, criando aquelas franjas coloridas (fringing) que tanto irritavam os usuários. A mudança para um layout RGB-stripe "tradicional", como o que a Samsung já usava em seus QD-OLED e que agora a LG também adota em sua quarta geração, é um marco. É a tecnologia amadurecendo e priorizando a usabilidade do dia a dia, não apenas o desempenho em jogos. Na minha experiência, essa foi a única razão pela qual eu hesitei em migrar para o OLED mais cedo.
O Dilema do Brilho e a Promessa do Tandem OLED
Outro ponto que sempre pairou sobre o OLED é o brilho máximo, especialmente em cenas HDR com grandes áreas claras. Painéis QD-OLED, como o do PG34WCDN, tradicionalmente se saem melhor nisso do que os WOLED, graças à camada de pontos quânticos que não filtra tanta luz. Mas e o PG27UCWM, que usa o novo WOLED Tandem? Aqui a coisa fica interessante. A arquitetura "Tandem" da LG basicamente empilha duas camadas de diodos emissores de luz orgânicos (OLED).
Qual a vantagem? Em teoria, duplicar a eficiência luminosa. Para atingir o mesmo nível de brilho, cada camada pode trabalhar com menos tensão, o que reduz o estresse no material orgânico e, consequentemente, aumenta a vida útil do painel e a resistência ao burn-in. É uma solução de engenharia elegante para um dos limites físicos da tecnologia. Não se trata apenas de ser mais brilhante – embora isso também seja esperado –, mas de ser mais brilhante de forma sustentável e durável. É um investimento em longevidade que, honestamente, vale cada centavo a mais no preço para quem planeja ficar com o monitor por vários anos.
Falando em HDR, a inclusão do Dolby Vision no PG27UCWM é um detalhe que os cinéfilos vão adorar. Enquanto o HDR10 é estático (um único conjunto de metadados para todo o filme), o Dolby Vision é dinâmico. Ele pode instruir o monitor, cena a cena ou até frame a frame, sobre como mapear as cores e o brilho. O resultado? Uma experiência mais fiel à intenção dos criadores de conteúdo. Considerando que serviços como Netflix, Disney+ e Apple TV+ oferecem vastos catálogos em Dolby Vision, ter um monitor de jogos que também é uma excelente tela para streaming é um grande trunfo.
Além das Especificações: O Ecossistema ROG
Comprar um monitor da linha ROG da ASUS nunca é apenas sobre o painel. É sobre entrar em um ecossistema. E isso tem seus prós e contras. Na parte positiva, espera-se que esses novos modelos venham carregados com os softwares e firmwares personalizados da marca. O menu OSD (On-Screen Display) dos ROG, acessado pelo joystick traseiro, é um dos mais completos e intuitivos do mercado. Recursos como o "Shadow Boost" (que clareia áreas escuras sem estourar os claros), o "GamePlus" (com mira personalizável, timer e contador de FPS) e os diversos modos de imagem pré-configurados fazem diferença no dia a dia.
Além disso, a integração com outras tecnologias da ASUS é um atrativo. Se você tem uma placa-mãe ou placa de vídeo ROG, pode haver sincronização de iluminação RGB via Aura Sync, transformando seu setup em um show de luzes coordenado. O suporte ao G-Sync Compatible e ao FreeSync Premium Pro também deve ser nativo, garantindo uma experiência livre de tearing e stuttering em uma ampla gama de taxas de quadros – algo essencial quando se almeja 240 Hz ou 360 Hz, mas nem sempre se atinge essa marca constante em todos os jogos.
Por outro lado, esse ecossistema às vezes vem com um "preço de entrada" embutido. Você paga pela marca, pelo design agressivo (que nem todos gostam) e pelos recursos de software. Para um usuário que só quer o melhor painel possível, sem firulas, marcas como a Alienware ou a própria LG às vezes oferecem uma proposta mais "bare metal" e potencialmente mais barata. É uma questão de prioridades. Eu, particularmente, gosto da abordagem completa da ASUS, mas entendo perfeitamente quem prefere o caminho oposto.
E o design físico? Pelas imagens, a ASUS manteve a linguagem visual angular e futurista da linha ROG Swift, com o suporte em forma de projeção holográfica que já é uma assinatura. O pé parece robusto e deve oferecer um bom leque de ajustes: altura, inclinação, rotação e, provavelmente, possibilidade de virar para modo retrato. Um detalhe que muitas pessoas negligenciam é a qualidade do suporte. Ter que comprar um braço articulado separadamente porque o que vem na caixa é wobbly ou com ajustes limitados é uma dor de cabeça e um custo extra. Dificilmente a ASUS erra nesse departamento em seus modelos topo de linha.
Mas e aí, 34 polegadas ultrawide ou 27 polegadas 4K? Essa é uma decisão profundamente pessoal e depende do seu uso. O ultrawide oferece uma imersão inigualável em jogos de corrida, simulação e RPGs de mundo aberto. Aquele campo de visão extra nas laterais é viciante. Também é uma maravilha para produtividade, permitindo ter duas janelas de tamanho razoável lado a lado sem precisar de dois monitores. Já o 4K de 27 polegadas é a escolha do purista da nitidez. A densidade de pixels é tão alta que você praticamente não vê *pixels*, apenas uma imagem lisa e definida. É ideal para jogos com muitos detalhes texturais, para edição de fotos/vídeos onde cada pixel conta e para quem consome muito conteúdo 4K nativo.
A função dual do PG27UCWM, que alterna entre 4K@240Hz e FHD@480Hz, é um verdadeiro coringa. Ela reconhece uma realidade do PC gamer: a potência da GPU nem sempre é infinita. Conseguir manter 240 fps em 4K nos jogos mais exigentes é um feito para máquinas absolutamente topo de linha. Ter a opção de, com um clique no OSD, mudar para um modo de alta velocidade em resolução mais baixa para jogos competitivos é uma flexibilidade pragmática e muito bem-vinda. É como ter dois monitores especializados em um só.
Resta saber como a indústria vai reagir. A Samsung Display, fornecedora do painel QD-OLED de 34", já anunciou a produção em massa dessa tecnologia de 360Hz. A LG Display, com seu WOLED Tandem, também está na corrida. Isso significa que, em breve, veremos não apenas monitores da ASUS, mas também da Dell/Alienware, MSI, Acer e outras marcas utilizando esses mesmos painéis. A competição será feroz, e isso geralmente é bom para o consumidor – pode pressionar os preços para baixo (ou pelo menos garantir mais valor pelo mesmo preço) e acelerar a inovação em recursos de software e design.
O que me deixa genuinamente curioso é ver como essas telas vão se comportar em testes de longevidade independentes, como os conduzidos pelo canal do YouTube "RTINGS.com". Eles colocam os monitores para exibir conteúdo estático por milhares de horas para simular anos de uso. As novas tecnologias de proteção, o revestimento BlackShield e a arquitetura Tandem prometem muito. Será que vão entregar? A resposta a essa pergunta será decisiva para muitos compradores que veem o monitor como um investimento de longo prazo.
Enfim, a sensação que fica é de que estamos em um momento de transição muito excitante. O OLED está saindo de sua fase "early adopter", cheia de ressalvas, e entrando em uma fase de maturidade onde seus pontos fortes brilham (literalmente) e suas fraquezas estão sendo sistematicamente mitigadas. A ASUS, com esses dois modelos, não está apenas lançando produtos; está definindo o que deve ser a próxima geração de monitores de elite para jogadores e criadores de conteúdo. Agora é torcer para que a realidade, quando eles chegarem às lojas, esteja à altura do hype – e que nossos bolsos estejam preparados para o futuro que está por vir.
Com informações do: Adrenaline










