A ASUS deu o pontapé inicial na CES 2026 com um anúncio que deve agitar o mercado de hardware entusiasta. A fabricante taiwanesa apresentou oficialmente sua nova placa-mãe topo de linha para a plataforma AMD AM5, a ROG Crosshair X870E Glacial, e ainda deixou os fãs de cabelo em pé com um teaser da variante Dark Neo. Parece que 2026 começa com tudo para quem monta PCs de alto desempenho.

Placa-mãe ASUS ROG Crosshair X870E Glacial com design todo em branco e prateado

ROG Crosshair X870E Glacial: O novo padrão para setups brancos

Vamos começar pela estrela principal. A ROG Crosshair X870E Glacial não é apenas mais uma placa-mãe branca. A ASUS parece ter levado o conceito "all-white" a um novo patamar, com um PCB totalmente branco que deve fazer qualquer construtor de PCs com tema claro suspirar. E não é só sobre estética – a placa já chegou ganhando o prêmio CES 2026 Innovation Award, o que sugere que há inovação real por trás do visual deslumbrante.

O que mais me chamou a atenção foi a mudança na filosofia do sufixo "Glacial". Em gerações passadas, esse nome muitas vezes vinha associado a watercoolers pré-instalados, o que limitava as opções de personalização. Agora, a ASUS optou por uma armadura térmica prateada e branca que cobre boa parte da placa, mantendo a performance térmica sem impor uma solução de resfriamento específica. Uma jogada inteligente, na minha opinião.

Mas o verdadeiro showstopper é aquele display LCD de 5 polegadas posicionado sobre o dissipador de I/O. Não é apenas um enfeite – permite monitorar temperaturas, voltagens e frequências em tempo real, além de exibir animações personalizadas. É funcionalidade e personalização em um só componente.

Especificações que justificam o preço (provavelmente) salgado

Claro, nesse segmento premium, a beleza precisa vir acompanhada de força bruta. E a Glacial parece entregar. O suporte a memórias DDR5 promete velocidades que podem ultrapassar os 8000 MT/s com overclock, algo que vai exigir bons módulos de memória e, provavelmente, um pouco de paciência para ajustes finos.

A conectividade está no que há de mais moderno: portas USB4 e suporte nativo ao padrão PCIe 5.0 tanto para a placa de vídeo quanto para armazenamento M.2. Para quem investe em GPUs da nova geração e SSDs ultrarrápidos, isso é essencial.

O sistema de entrega de energia (VRM) deve seguir a tradição robusta da série Extreme, preparado para lidar com processadores como o Ryzen 9 9950X mesmo sob overclocking pesado. A ASUS também incluiu seus mecanismos de facilidade de uso, como o botão para liberação rápida do slot PCIe – uma feature simples, mas que qualquer um que já lutou para remover uma GPU pesada sabe que é uma benção.

"Meticulosamente projetado para extrair o máximo dos novos chips AM5" – ASUS

E a Dark Neo? O teaser que promete uma alternativa sombria

Enquanto a Glacial brilha, a ASUS já prepara o terreno para quem prefere setups mais discretos, os famosos builds "stealth" ou "all-black". O teaser da ROG Crosshair X870E Dark Neo sugere que será a contraparte direta da Glacial, mantendo o mesmo nível entusiasta de construção, mas com uma paleta de cores preta e cinza escuro.

Comparação entre as placas-mãe ASUS ROG Crosshair X870E Glacial (branca) e Dark Neo (preta)

Os detalhes técnicos completos ainda são um mistério, mas o sufixo "Neo" é interessante. Nas linhas anteriores, ele esteve associado a novas tecnologias da marca. Especula-se que possa incluir o NitroPath para otimização de sinal de memória e, quem sabe, novos conectores proprietários para AIOs – algo que ajudaria a reduzir a bagunça de cabos dentro do gabinete, um problema crônico em builds com refrigeração líquida.

O que fica claro com esse lançamento duplo é a estratégia da ASUS: atender a dois públicos distintos dentro do mesmo nicho high-end. De um lado, os entusiastas que querem um PC que seja uma peça de exibição, com iluminação RGB e cores claras. Do outro, os puristas da performance que preferem um visual mais sóbrio, onde a estética não rouba a cena da engenharia.

Ambas as placas devem chegar ao mercado no primeiro trimestre de 2026. Quanto ao preço... bem, prepare o bolso. Considerando o histórico da linha Extreme/Glacial, é seguro esperar valores acima de US$ 1.000. Em conversão direta, isso daria cerca de R$ 5.800, mas com impostos e taxas de importação, o valor final no Brasil pode ser bem mais assustador.

Fontes: CES | ASUS divulga teaser das motherboards AM5 “Neo” | Tudo sobre overclock

Mas vamos além das especificações de fábrica. O que realmente diferencia uma placa-mãe como a Crosshair X870E Glacial no dia a dia de um entusiasta? Na minha experiência, são os pequenos detalhes que fazem a diferença após horas de montagem e ajustes. A qualidade dos conectores, a rigidez do PCB para evitar flexão com GPUs enormes, e até a clareza dos códigos de erro no display de debug – tudo isso conta quando você está tentando estabilizar um overclock às 3 da manhã.

E falando em overclock, a ASUS tem uma tradição forte nessa área. A nova BIOS UEFI, provavelmente baseada na já excelente interface da geração X670E, deve trazer ainda mais ferramentas para quem gosta de extrair cada MHz do processador e da memória. Será que veremos novos algoritmos de treinamento de memória, mais rápidos e eficientes? Ou talvez perfis pré-configurados otimizados para os chips Ryzen 9000? A expectativa é alta.

O ecossistema ROG: Quando o todo é maior que a soma das partes

Uma coisa que muitas pessoas subestimam ao comprar uma placa-mãe premium é a integração com o resto dos componentes. A ASUS não vende apenas uma placa – vende um ecossistema. A Glacial e a Dark Neo certamente terão sincronização nativa com os periféricos ROG, monitores, e até mesmo com as GPUs da marca através do software Armoury Crate.

Isso pode ser uma faca de dois gados. Por um lado, ter tudo controlado por um único software é conveniente. Por outro, sabemos que o Armoury Crate tem sua... reputação. Será que a ASUS aproveitou o desenvolvimento dessas novas placas para refinar o software também? Uma interface mais limpa, menos pesada, e com menos conflitos seria quase tão importante quanto as especificações de hardware.

E não podemos esquecer da comunidade. Placas da série Extreme sempre atraem um tipo específico de usuário: aquele que compartilha configurações de BIOS, resultados de benchmarks, e soluções para problemas específicos. A chegada de um novo modelo topo de linha reativa fóruns, canais do YouTube especializados, e discussões técnicas que beneficiam todos os usuários, não apenas os que compraram a placa.

O mercado brasileiro: Um desafio à parte

Aqui no Brasil, produtos como esses sempre chegam com um misto de empolgação e frustração. A empolgação é óbvia – ver tecnologia de ponta sendo anunciada. A frustração vem depois, quando começam a surgir as primeiras estimativas de preço.

Considerando que a antecessora, a Crosshair X670E Extreme, chegou por aqui custando bem acima de R$ 6.000, é realista esperar que a X870E Glacial bata na casa dos R$ 7.000 ou até mais. Isso, claro, se chegar oficialmente – muitas placas desse nicho acabam sendo importadas por particulares ou lojas especializadas, o que adiciona ainda mais incerteza à equação.

Mas há um lado positivo: a chegada dessas placas sinaliza para o mercado que a plataforma AM5 tem vida longa pela frente. A AMD manteve o soquete AM4 por várias gerações, e tudo indica que fará o mesmo com o AM5. Isso significa que investir em uma placa-mãe high-end agora pode ser um bom negócio a longo prazo, já que ela deve suportar futuros processadores Ryzen sem necessidade de troca completa do sistema.

Para quem está montando um PC agora, surge a dúvida clássica: vale a pena esperar? Se você precisa de um sistema imediatamente, talvez uma placa X670E em promoção seja mais racional. Mas se você busca o absoluto estado da arte e pode esperar alguns meses, a promessa de conectividade PCIe 5.0 nativa e suporte a memórias ainda mais rápidas pode justificar a paciência.

"O design branco total não é apenas estética – é uma declaração de que cada detalhe foi considerado" – Comentário de um entusiasta em fórum especializado

E a concorrência? O que outras marcas estão preparando

Enquanto a ASUS rouba os holofotes com a Glacial, é inevitável perguntar: o que a Gigabyte, MSI e ASRock estão preparando para a plataforma X870E? Tradicionalmente, cada fabricante tem sua "assinatura" nas placas topo de linha.

A Gigabyte, com sua linha Aorus Xtreme, costuma investir pesado em entrega de energia e resfriamento passivo. A MSI, com a série MEG, frequentemente traz inovações em conectividade e software. Já a ASRock, com as Taichi, equilibra recursos premium com um preço ligeiramente mais acessível (se é que podemos usar "acessível" nesse contexto).

O anúncio da ASUS pode ser apenas o primeiro dominó a cair. Nas próximas semanas, devemos ver uma enxurrada de anúncios das concorrentes, cada uma tentando superar a outra em algum aspecto específico. Mais portas USB4? Dissipadores ainda mais elaborados? Conectores para watercooling integrados? A corrida armamentista do hardware entusiasta está apenas começando.

E tem um aspecto que raramente é discutido, mas que importa muito na prática: a qualidade do suporte pós-venda. Placas desse nível costumam ter garantias estendidas e suporte técnico especializado. No Brasil, onde o suporte de fabricantes internacionais pode ser... irregular, esse fator pode pesar tanto quanto as especificações técnicas na hora da decisão de compra.

O que você acha? Para quem monta PCs high-end, o visual é tão importante quanto a performance? Vale a pena pagar um prêmio por uma placa-mãe que é, essencialmente, uma peça de arte funcional? Ou o dinheiro seria melhor investido em uma GPU mais potente ou mais armazenamento rápido?

Enquanto refletimos sobre essas questões, uma coisa é certa: 2026 promete ser um ano emocionante para os entusiastas de hardware. A evolução da plataforma AM5, combinada com a criatividade das fabricantes de placas-mãe, deve resultar em algumas das construções mais impressionantes que já vimos. E para muitos de nós, que acompanhamos esse mercado há anos, ver essa inovação continua sendo uma das partes mais gratificantes do hobby.

Com informações do: Adrenaline