Um simples registro de marca pode ser apenas uma formalidade burocrática, mas quando se trata de uma franquia lendária como Quake, prestes a completar três décadas, é difícil não deixar a imaginação correr solta. A ZeniMax, detentora dos direitos, registrou nos Estados Unidos uma nova marca com o nome "QUAKE" – grafado em letras maiúsculas. O timing é, no mínimo, curioso, e reacende a eterna pergunta dos fãs: será que finalmente veremos um novo capítulo dessa série que moldou os FPSs?

Captura de registro da marca QUAKE

Um legado que merece celebração

Lançado em junho de 1996, o primeiro Quake foi um verdadeiro terremoto no mundo dos games. Não era apenas mais um jogo de tiro em primeira pessoa; era uma experiência visceral, com uma atmosfera gótica e lovecraftiana que poucos conseguiram replicar. A idSoftware, na época, estava no topo do mundo. E a série foi prolífica, com sequências e expansões chegando até o ano 2000 com o Quake III: Arena e o Team Arena.

Depois disso... bem, o silêncio foi quase absoluto por um bom tempo. A franquia entrou em um hiato que durou anos, com exceção de alguns spin-offs e, mais recentemente, os relançamentos remasterizados de Quake (2021) e Quake II (2023). Esses re-releases foram muito bem recebidos, provando que o interesse pela série permanece vivo. Eles também serviram como um aquecimento, um lembrete do que essa IP representa. Agora, em 2026, o aniversário de 30 anos se aproxima. Não seria a ocasião perfeita para algo maior?

O palco perfeito para uma revelação

Se há um novo jogo sendo preparado nos corredores da idSoftware (agora sob o guarda-chuva da Microsoft/Xbox), existe um palco praticamente feito sob medida para sua apresentação: a QuakeCon 2026. O evento, que é uma celebração anual da comunidade e dos jogos da desenvolvedora, acontecerá entre 6 e 9 de agosto no Texas.

Arte promocional de Quake Champions

Historicamente, a QuakeCon é o local onde a id costuma fazer seus grandes anúncios. Foi lá que vimos detalhes de novos DOOM, por exemplo. Portanto, é uma aposta segura – e quase uma expectativa da comunidade – que o aniversário de 30 anos de Quake será um dos grandes focos do evento deste ano. Mesmo que o registro de marca não seja para um jogo AAA, é quase certo que teremos alguma novidade relacionada à franquia. Um novo modo para Quake Champions? Uma expansão narrativa para os remasters? A simples menção já é suficiente para manter os fãs de olho no calendário.

O formato do registro também alimenta especulações. Apenas "QUAKE", sem um numeral ou subtítulo. Isso poderia indicar um reboot total, uma reinicialização da série que aproveita o nome e a essência, mas constrói uma nova mitologia a partir do zero. Após os sucessos dos novos DOOM (2016) e DOOM Eternal, que modernizaram brilhantemente a fórmula clássica, muitos se perguntam se Quake não merece o mesmo tratamento. Um retorno às raízes sombrias e lovecraftianas do primeiro jogo, mas com a tecnologia e o design de nível de hoje, seria um sonho para muita gente.

Enquanto aguardamos agosto, outras peças do quebra-cabeça da ZeniMax também se movem. A MachineGames está preparando um novo Wolfenstein, e o sucesso estrondoso de DOOM: The Dark Ages garante que a franquia irmã continuará em alta. A QuakeCon pode ser o momento para atualizações sobre esses projetos também. Mas, honestamente, para os fãs mais antigos, nada superaria a emoção de ver a logo clássica de Quake, redesenhada e sombria, aparecer nas telas do evento.

E aí, o que você acha? O registro é só uma formalidade ou um sinal de que Stroggs e dimensões de pesadelo estão voltando? O que você gostaria de ver em um potencial novo Quake? Um retorno ao terror cósmico do primeiro, a ação arenística pura do terceiro, ou algo completamente novo?

Via: VideoCardz

Mas vamos além da simples especulação. O que realmente significaria um novo Quake em 2026? A indústria dos jogos mudou radicalmente desde os dias de glória da série. Os FPSs modernos são dominados por títulos live-service, batalhas royale e narrativas cinematográficas. Onde um novo Quake se encaixaria nesse cenário? A idSoftware, com a liberdade criativa que a Microsoft parece estar oferecendo, tem uma oportunidade única de não apenas reviver uma franquia, mas de redefinir o que um shooter single-player pode ser hoje. A recepção de DOOM: The Dark Ages mostrou que há um apetite enorme por ação pura, sem complicações excessivas de monetização.

E não podemos ignorar o elefante na sala: o motor gráfico. A idTech 7, que impulsionou os últimos DOOMs, é uma maravilha técnica. Imaginar os corredores góticos, as fortalezas de pedra e os monstros lovecraftianos de Quake renderizados com esse nível de detalhe e fluidez é algo que dá arrepios. A física destrutível, os efeitos de partículas e a iluminação dinâmica poderiam elevar a atmosfera opressiva da série a patamares inéditos. Seria um contraste deliberado com o estilo mais "metal" e infernal de DOOM, uma chance de explorar um horror mais psicológico e cósmico.

O desafio de honrar o legado

Reviver uma franquia tão querida é um caminho cheio de armadilhas. Por um lado, há os puristas que anseiam por uma experiência fiel ao jogo de 1996 – movimento rápido, arsenal icônico (a shotgun dupla, o lança-granadas), mapas labirínticos para explorar e aquele som ambiente arrepiante de Trent Reznor. Por outro, há a necessidade de atrair uma nova geração de jogadores que talvez nunca tenha pegado numa Super NES. Encontrar o equilíbrio certo é a chave.

Os remasters de 2021 e 2023 foram um exercício interessante nesse sentido. Eles mantiveram a jogabilidade intacta, mas adicionaram controles modernos, suporte a widescreen, conteúdo extra e uma otimização impecável. Foi um sucesso de crítica e público. Isso prova que o núcleo da jogabilidade de Quake ainda é sólido. A pergunta que fica é: até que ponto modernizá-lo? Um sistema de progressão? Árvores de habilidades? Provavelmente não. Mas talvez uma narrativa mais envolvente, personagens com mais profundidade e um design de mundo mais interconectado, sem abrir mão da não-linearidade clássica.

E o multiplayer? Ah, o multiplayer. Quake III Arena não é apenas um jogo; é um monumento. Foi a base do cenário competitivo de FPS por anos. Quake Champions tentou capturar essa magia com heróis e habilidades, mas nunca decolou como se esperava. Um novo título teria que abordar o PvP de forma muito cuidadosa. Talvez separando completamente as experiências: uma campanha single-player robusta e atmosférica, e uma suite de multiplayer focada na pureza do combate arena, sem habilidades de herói, voltada para a competição de alto nível. Sonhar não custa, certo?

Além do jogo: um universo para expandir

Outra possibilidade que o registro de marca abre é a de expansão transmidiática. A Microsoft tem investido pesadamente em adaptações de seus IPs. A série de TV de Fallout foi um sucesso retumbante. Halo teve suas investidas. Por que não Quake? O universo do primeiro jogo, com sua mistura de tecnologia militar e dimensões lovecraftianas (os "Reinos de Quake"), é um terreno fértil para uma série de horror sci-fi. A estética industrial sombria, os experimentos da Ranger, a ameaça lovecraftiana de Shub-Niggurath... há material de sobra para uma narrativa visual arrepiante.

Da mesma forma, o mundo de Quake II e III, com a guerra contra os Strogg, uma raça ciborgue implacável, tem um apelo mais militar e de ação, quase como um Starship Troopers mais cruel. São duas mitologias distintas dentro da mesma franquia que oferecem oportunidades criativas diferentes. Um novo jogo poderia até tentar unificá-las de forma coerente, algo que os fãs debatem há décadas.

Enquanto isso, a comunidade de modders e mappers de Quake permanece uma das mais ativas e talentosas do mundo. Qualquer novo jogo da franquia que fosse lançado com ferramentas de criação robustas, nos moldes do que a id fez no passado, garantiria uma longevidade praticamente infinita. Foi assim que nasceram modos como Team Fortress, que depois viraram jogos próprios. Nutrir essa comunidade seria um movimento inteligentíssimo.

O silêncio, por enquanto, é ensurdecedor. Mas entre as linhas de um registro de marca e o calendário que se aproxima, há um sussurro promissor. A idSoftware parece estar em uma fase renascentista, com DOOM mais popular do que nunca. Dar a mesma atenção e carinho a Quake não seria apenas justo; seria o cumprimento de uma dívida histórica com os fãs e um presente para uma nova geração. Resta saber se o que vem por aí é um tremor suave ou um terremoto de verdade. Agosto não está tão longe assim.

Com informações do: Adrenaline