O cenário dos notebooks gamer e de alto desempenho para 2026 começa a tomar forma através de vazamentos, e a Lenovo parece estar se preparando para uma oferta robusta. Rumores apontam para uma renovação significativa das linhas Legion e LOQ, equipadas com a tão aguardada GeForce RTX 5060 Mobile e uma variedade de processadores de ponta da Intel e AMD. A apresentação oficial está prevista para a CES 2026, mas os detalhes que vazaram já dão uma boa ideia do que os entusiastas de tecnologia podem esperar.

Imagem de divulgação do Lenovo Legion 9i

Especificações e modelos revelados

De acordo com as informações que circularam, a Lenovo planeja lançar uma gama diversificada de modelos, atendendo desde jogadores hardcore até aqueles que buscam desempenho com um custo mais acessível. O que chama a atenção é a combinação de hardware: a nova GPU da NVIDIA com as próximas gerações de CPUs. De um lado, temos os processadores Panther Lake da Intel, e do outro, as APUs Gorgon Point da AMD com arquitetura Zen 5 e NPU aprimorada.

A lista de modelos, supostamente obtida pelo Windows Latest, inclui:

  • Legion 7a: Opções com AMD Ryzen AI 9 HX 470 ou AI 9 465, tela de 16" com resolução 2560 x 1600 e taxa de atualização de 240Hz.

  • Legion 5a: Com AMD Ryzen AI 9 465 ou Ryzen 7 250, tela de 15" 2560 x 1600 @165Hz.

  • Legion 5i: Com processadores Intel Core Ultra 9 386H (Panther Lake), mesma tela de 15" @165Hz.

  • LOQ 15IPH11: Versão mais acessível com Intel Core Ultra 7 356H, tela de 15" 2560 x 1600 @180Hz.

  • LOQ 15APH11: Versão acessível com AMD Ryzen 7 250, mesma tela de 15" @180Hz.

É interessante notar como a Lenovo está segmentando. O Legion 7a claramente mira o topo absoluto, enquanto a linha LOQ, conhecida por trazer tecnologia Legion para um preço mais amigável, mantém telas com alta taxa de atualização – um detalhe que jogadores certamente vão apreciar.

A questão crucial: memória e preço

Aqui está um ponto que, na minha opinião, pode ser um divisor de águas. Enquanto rumores no setor sugerem que fabricantes podem começar a reduzir a memória padrão em notebooks para conter custos, os vazamentos da Lenovo contam uma história diferente. O Legion 7a supostamente virá com até 64GB de LPDDR5X, e os outros modelos com 32GB de DDR5. Todos com até 2TB de armazenamento.

Isso é significativo. Vivemos um período de alta nos preços de memórias, e analistas já projetam aumentos de até 8% no preço dos PCs em 2026. Já se vê, inclusive, montadoras nos EUA oferecendo

">computadores sem memória para o cliente comprar separadamente e tentar economizar. Nesse contexto, a Lenovo manter configurações generosas de RAM é um posicionamento agressivo – e que certamente será refletido no preço final.

Notebooks com 8 GB de RAM podem ser o novo normal após alta nos preços de memórias

E falando em preço, aí reside a grande interrogação. Processadores de nova geração, como os Panther Lake e Gorgon Point, e uma GPU também nova como a RTX 5060, são uma receita para produtos premium. Vazamentos anteriores sobre o preço do Intel Core Ultra 7 355 não foram exatamente animadores. A pergunta que fica é: a Lenovo conseguirá balancear desempenho de ponta com uma proposta de valor que faça sentido, ou veremos notebooks que apenas uma minoria poderá adquirir?

Alguns paralelos podem ser traçados. A Thunderobot, por exemplo, já anunciou um notebook ultrafino, o Zero Air, com Panther Lake e RTX 50, pesando apenas 1,6kg. E a própria AMD tem seus vazamentos de desempenho para o Ryzen AI 9 465. O mercado está se movendo, e rápido.

Para quem está no aguardo, a dica é acompanhar também os rumores sobre o Legion Go Gen 2 e os testes de desempenho do Gorgon Point. Tudo isso vai pintar um quadro mais claro do que 2026 reserva para os amantes de tecnologia e jogos. A CES do ano que vem promete, mas o bolso já começa a suar frio só de pensar.

Mas vamos além das especificações listadas. O que realmente significa ter uma RTX 5060 Mobile em 2026? A NVIDIA tem mantido um ciclo de lançamentos relativamente previsível, e a série 50 promete ser a primeira a adotar a arquitetura Blackwell em notebooks. Embora os detalhes técnicos ainda sejam escassos, a expectativa gira em torno de melhorias significativas em eficiência energética e, claro, em ray tracing. Afinal, a série 40 já deu um salto considerável nesse aspecto com os núcleos de Ray Tracing de 3ª geração e os Tensor Cores de 4ª geração. A pergunta que fica é: a "5060" será uma evolução incremental ou um salto geracional que justifique o upgrade?

E não podemos esquecer do DLSS. A tecnologia de upscaling da NVIDIA se tornou um pilar para o gaming em alta resolução sem sacrificar a fluidez. A série 50 provavelmente trará uma nova iteração do DLSS, talvez um "DLSS 4". Imagina o potencial combinado de uma tela QHD+ a 240Hz, processadores de última geração e um upscaling ainda mais inteligente. É uma combinação que pode redefinir o que esperamos de um notebook gamer portátil.

O duelo silencioso: eficiência e térmica

Aqui está um ponto que raramente aparece nas listas de especificações, mas que define a experiência do dia a dia: o gerenciamento térmico e o ruído. Colocar um chip Panther Lake de alto desempenho e uma RTX 5060 dentro de um chassis de notebook é um desafio de engenharia monumental. A Lenovo, com sua linha Legion, tem histórico de soluções interessantes, como o sistema de ventilação Legion Coldfront e, em modelos topo como o antigo Legion 9i, até mesmo resfriamento líquido.

O que me intriga é como a empresa vai equilibrar isso nos modelos mais acessíveis da linha LOQ. Oferecer uma tela de 180Hz é ótimo, mas de que adianta se o sistema throttla após 10 minutos de jogo porque não consegue dissipar o calor? A escolha dos processadores AMD Ryzen 7 250 e Intel Core Ultra 7 356H para esses modelos pode ser um indicativo. São chips que, em teoria, oferecem um balanço melhor entre desempenho e TDP (Thermal Design Power) do que seus irmãos topo de linha. Mas ainda assim, empurrar uma GPU de nova geração vai exigir um projeto térmico muito bem pensado.

E falando em AMD versus Intel, essa será uma das batalhas mais interessantes para observar. As APUs Gorgon Point da AMD, com sua NPU aprimorada, não são apenas sobre jogos. Elas carregam a bandeira da "IA no PC", com recursos que vão desde assistentes de produtividade até melhorias em aplicativos criativos. A Intel, por sua vez, com os Panther Lake, promete uma revolução na eficiência com sua nova microarquitetura e processo de fabricação. Para o usuário final, a escolha pode ir além dos FPS. Será sobre qual ecossistema de features – de jogos a produtividade com IA – oferece mais valor no longo prazo.

O cenário competitivo e o "timing" de compra

Com a CES 2026 marcando o lançamento oficial, é natural que muitos entusiastas já estejam segurando o cartão de crédito. Mas será que vale a pena esperar? O mercado de notebooks gamers é um rio que nunca para de correr. Enquanto a Lenovo prepara seus Legion, outras gigantes como ASUS (com suas linhas ROG e TUF), MSI, Acer (Predator) e Dell (Alienware e G-Series) certamente não ficarão paradas. Vazamentos sobre os planos delas devem começar a pipocar nos próximos meses.

Isso cria um dilema clássico. Comprar um notebook com hardware de 2025 (como RTX 40 e processadores Ryzen 8040/Arrow Lake) que está em promoção, ou segurar a ansiedade por mais meio ano para pegar a "nova geração"? A resposta, como sempre, depende do seu orçamento e da sua urgência. Um Legion 5 Pro com RTX 4070 hoje é uma máquina absolutamente capaz para qualquer jogo no mercado. A série 50 trará melhorias, sim, mas a lei dos retornos decrescentes também se aplica aqui. O salto de uma 3050 para uma 4050 foi perceptível. De uma 4050 para uma 5050, talvez menos.

Outro fator é a maturidade do software. Novas arquiteturas de GPU e CPU, especialmente com foco em IA, frequentemente chegam com drivers e otimizações que ainda não estão totalmente polidas. Comprar no lançamento às vezes significa ser um "beta tester" premium. Esperar alguns meses pode garantir não apenas revisões de hardware (para corrigir possíveis problemas iniciais) mas também uma pilha de software mais estável e performática.

E há, é claro, a questão dos preços dos componentes que mencionamos antes. A alta na memória RAM e no armazenamento NAND é uma nuvem escura no horizonte. Se a Lenovo conseguir manter as configurações generosas que os vazamentos apontam, o preço final pode ser salgado. Por outro lado, se a concorrência optar por cortar custos oferecendo 16GB de RAM como padrão, o valor percebido dos Legion pode subir – assim como sua etiqueta de preço. É um jogo de xadrez complexo entre especificação, custo de produção e posicionamento de mercado.

Por fim, vale ficar de olho não apenas nos notebooks, mas no ecossistema. A NVIDIA tem promovido fortemente tecnologias como o NVIDIA Omniverse e ferramentas de criação com IA. Processadores com NPUs poderosas, como os Gorgon Point, abrem portas para novas formas de usar o PC. O notebook gamer de 2026 pode não ser apenas uma máquina para jogar, mas uma estação de trabalho portátil para criação de conteúdo, streaming e experimentação com IA generativa. A Lenovo, ao oferecer combinações tão variadas de CPU e GPU, parece estar se preparando justamente para esse usuário multifacetado. Resta saber se o mercado está pronto para abraçar – e pagar por – essa visão ampliada do que um notebook pode ser.

Com informações do: Adrenaline