Um vazamento recente, na forma de um manifesto de transporte, reacendeu os rumores sobre um dos chips mais aguardados do mercado: o N1X, a CPU ARM desenvolvida pela NVIDIA em parceria com a MediaTek. O documento revela que a Dell esteve testando um notebook "premium" de 16 polegadas com tela OLED equipado com este processador ainda no ano passado. Após anos de especulações e adiamentos, essa descoberta sugere que 2026 pode finalmente ser o ano em que veremos produtos de consumo com essa tecnologia nas prateleiras. Mas será que o N1X tem o que é preciso para desafiar o domínio da Qualcomm no segmento Windows em ARM?

O Vazamento e o Contexto do Projeto N1X
O que me surpreende é a persistência desse projeto. Lembro que os primeiros rumores sobre uma CPU ARM da NVIDIA para PCs começaram a circular há anos, com previsões otimistas que simplesmente não se concretizaram. Em 2024, por exemplo, houve especulações de que o chip seria revelado na Computex, o que não aconteceu. Até o próprio CEO da Dell, Michael Dell, alimentou a expectativa na época, sugerindo que as pessoas ficassem "ligadas" no projeto. Agora, com um vazamento tão concreto, a sensação é de que o jogo pode estar realmente começando.
E onde esse chip poderia estrear? A Dell tem duas frentes premium óbvias: a linha gamer Alienware, conhecida por designs agressivos e alto desempenho, e a ressuscitada linha XPS, que retornou recentemente ao portfólio da empresa. Ambas seriam plataformas ideais para um lançamento de impacto.

O Desafio no Mercado Windows em ARM
Atualmente, o ecossistema Windows em ARM para consumidores é praticamente um monopólio da Qualcomm com sua plataforma Snapdragon X, que já está se preparando para sua segunda geração. A Qualcomm tem investido pesadamente, prometendo ganhos de performance, especialmente em jogos – historicamente o calcanhar de Aquiles das arquiteturas ARM em PCs.
É aí que entra a grande interrogação sobre o N1X. O que a NVIDIA, uma empresa com DNA profundamente enraizado em GPU e IA, e a MediaTek, gigante dos chips para mobile, podem trazer de diferente? A NVIDIA não é nenhuma novata em design de processadores, como mostram suas CPUs Grace para data centers. A parceria com a MediaTek faz todo o sentido para trazer expertise em eficiência energética e integração de sistemas-on-a-chip (SoC) para dispositivos portáteis.
Alguns vazamentos anteriores, como testes de benchmark no FurMark, já haviam dado pistas sobre o desenvolvimento do chip. Relatos de que atrasos no suporte do Windows e revisões de design atrasaram o projeto também são conhecidos. Esse manifesto de transporte, porém, é um indício mais sólido de que os obstáculos estão sendo superados.
A verdade é que o mercado precisa de concorrência. A falta de variedade de componentes ARM para Windows limita as opções dos fabricantes e, por consequência, dos consumidores. Se o N1X conseguir oferecer uma combinação competitiva de desempenho, eficiência e, talvez o mais importante, suporte robusto a aplicações e jogos x86 através de emulação, ele tem o potencial de capturar uma fatia significativa desse mercado em crescimento. A batalha entre arquiteturas no mundo dos PCs está longe de terminar, e a entrada da NVIDIA pode ser o próximo capítulo decisivo.
Mas vamos pensar um pouco além do simples "quando vai lançar". O que realmente importa para o usuário final? Na minha experiência, a transição para ARM no Windows tem sido um processo cheio de promessas e frustrações. A Qualcomm acertou em cheio com o Snapdragon X Elite em termos de eficiência e bateria, mas a compatibilidade de software ainda é um obstáculo para muita gente. Você já tentou rodar aquele programa antigo da sua empresa ou um jogo indie menos conhecido em um Windows em ARM? A emulação ajuda, mas não é perfeita – e tem seu custo em performance.
É justamente aí que a NVIDIA pode ter uma carta na manga. A empresa domina como poucas a arte de criar drivers robustos e otimizados. Seu trabalho com a tecnologia DLSS, que basicamente "ensinou" aos jogos como rodar melhor em suas GPUs, mostra uma capacidade de integração software-hardware que é rara. Imagina se eles aplicarem esse know-how ao desafio da emulação x86? Poderia ser um divisor de águas.
O Legado da Grace e o Que Isso Significa para o N1X
Muita gente esquece, mas a NVIDIA já tem experiência concreta em design de CPUs ARM de alto desempenho. A plataforma Grace, lançada para data centers e supercomputadores, não é um experimento – é um produto maduro que compete diretamente com Xeon e EPYC da Intel e AMD. A arquitetura Grace CPU é baseada em núcleos ARM Neoverse, focada em largura de banda de memória absurda e eficiência em cargas de trabalho de IA e HPC.
O que me intriga é: quanto desse DNA da Grace migrará para o N1X? Claro, um chip para notebooks não pode consumir 500W nem custar uma fortuna. Mas os princípios de design – a interconexão de memória de baixa latência (a tal da Grace Hopper Superchip é um monstro nisso), a otimização para workloads paralelos – podem ser adaptados em escala menor. A NVIDIA sabe fazer processadores que "conversam" muito bem com suas próprias GPUs. Em um notebook premium, isso poderia significar um desempenho gráfico integrado excepcional, ou uma eficiência energética muito maior quando a GPU dedicada (provavelmente uma RTX da série 50 ou 60) não estiver em uso.
E não podemos subestimar a MediaTek nessa equação. Enquanto a NVIDIA traz o poder bruto e a expertise em computação heterogênea, a MediaTek é a rainha da eficiência em dispositivos móveis. Seus chips Dimensity dominam o segmento premium de smartphones justamente por equilibrar performance e consumo de bateria. A combinação parece perfeita no papel: a força da NVIDIA para tarefas pesadas e a sabedoria da MediaTek para manter o dispositivo frio e a bateria durando o dia todo. Será que na prática vai funcionar assim?
Além do Chip: O Ecossistema é a Chave
Aqui vai uma opinião que pode ser polêmica: o hardware é apenas metade da batalha. A outra metade, talvez a mais importante, é o ecossistema. A Qualcomm não está apenas vendendo chips – ela está construindo uma plataforma completa. Parcerias com desenvolvedores de software, ferramentas de porting, programas de certificação... é um trabalho de formiguinha que leva anos.
A NVIDIA tem vantagens e desvantagens nesse campo. Por um lado, sua relação com desenvolvedores de jogos e aplicativos profissionais (como os de criação 3D e edição de vídeo) é profundamente estabelecida. O CUDA é um padrão de fato na computação acelerada. Se o N1X trouxer suporte nativo a essas tecnologias, poderia cativar um nicho profissional que ainda hesita em migrar para ARM. Por outro lado, a empresa tem menos experiência em construir ecossistemas para o usuário comum de PC. Seu foco sempre foi gamers, criadores de conteúdo e cientistas de dados.
E o Windows, nessa história toda? A Microsoft tem seu próprio ritmo – e seus próprios interesses. A empresa claramente quer reduzir sua dependência da Intel e AMD, mas também não quer colocar todos os ovos na cesta da Qualcomm. Ter a NVIDIA como segunda fonte de chips ARM é estrategicamente inteligente. Rumores dão conta de que a próxima grande atualização do Windows, a "Windows 11 2025 Update" ou talvez já o "Windows 12", trará melhorias significativas na camada de emulação x64/ARM. O timing pode ser perfeito para o lançamento do N1X.
O que você acha? Vale a pena esperar por um notebook com N1X, ou o mercado já está satisfeito com a oferta da Qualcomm e a promessa de que a Intel e AMD também estão trabalhando em chips ultra-eficientes? Às vezes me pego pensando se não estamos prestes a reviver uma era de diversidade arquitetônica nos PCs, similar aos anos 90 com PowerPC, Alpha e x86 competindo. Só que desta vez, a disputa não é só por megahertz, mas por eficiência, inteligência artificial e experiências de usuário verdadeiramente sempre conectadas.
O vazamento do manifesto de transporte é como encontrar uma peça de um quebra-cabeça muito maior. Ela confirma que o projeto existe e está avançado, mas deixa inúmeras perguntas no ar. Qual será a configuração exata desse SoC? Quantos núcleos de performance e eficiência terá? Como será a GPU integrada? Que tipo de memória vai utilizar? E, a pergunta de um milhão de dólares: qual será o preço? Notebooks premium com OLED e hardware de ponta não são baratos – adicionar o custo de desenvolvimento de uma nova plataforma ARM pode colocá-los em uma faixa de preço realmente proibitiva.
Enquanto aguardamos mais vazamentos ou um anúncio oficial, uma coisa é certa: 2026 promete ser um ano fascinante para quem acompanha hardware. A convergência entre mobile e desktop, impulsionada pela arquitetura ARM, está acelerando. E ter um player do calibre da NVIDIA, com seu histórico de disruptura em mercados estabelecidos (quem lembra das GPUs antes do GeForce 256?), só torna a história mais interessante. Resta saber se a Dell e outras fabricantes estarão dispostas a apostar forte nessa nova plataforma, ou se vão tratá-la como um experimento de nicho inicialmente.
Com informações do: Adrenaline








