O cenário competitivo entre Intel e AMD para processadores móveis ganhou novos contornos com declarações recentes de um executivo da Intel. Tom Petersen, em entrevista ao site Club386, não poupou críticas às iGPUs integradas da concorrente, classificando-as como "não tão competitivas" em termos de eficiência energética e desempenho por watt. No entanto, e aqui está a parte interessante, a Intel parece não ter planos imediatos de lançar um produto específico para enfrentar o aguardado Strix Halo da AMD, seu próximo chip móvel de alto desempenho gráfico. Isso revela uma estratégia mais focada ou uma avaliação diferente do mercado?

Créditos: Intel.

Uma crítica direta, mas uma estratégia evasiva

Tom Petersen foi bastante direto ao avaliar a tecnologia atual da AMD. "O produto atual da AMD não é tão competitivo, seja em termos de consumo de energia ou desempenho por watt", afirmou. Esta não é a primeira vez que a Intel lança farpas públicas contra sua rival, que, vale lembrar, tem conquistado participação de mercado de forma consistente tanto em clientes quanto em servidores. Recentemente, a Intel chegou a acusar a AMD de vender "silício antigo", enquanto exaltava os méritos de seus futuros chips Panther Lake.

O curioso, porém, veio na sequência. Quando questionado se a Intel desenvolveria um concorrente direto para o Strix Halo – a APU de ponta da AMD baseada na arquitetura Zen 5 para notebooks –, a resposta de Petersen foi um franco "Sabe, eu não acho". Isso é surpreendente, considerando a confiança demonstrada nos próprios produtos. Será que a Intel subestima o segmento ou está mirando em outro alvo?

O foco da Intel: GPUs dedicadas e o futuro Nova Lake

A resposta completa de Petersen traz um pouco mais de contexto e aponta para onde a Intel está realmente mirando seus esforços. "Se existe um segmento assim, é principalmente o de placas de vídeo dedicadas. Acho que esse segmento seria melhor atendido por uma GPU dedicada pequena, fornecida por terceiros", completou o executivo.

Em outras palavras, a Intel parece acreditar que, para cargas de trabalho gráficas realmente intensas em dispositivos móveis, a solução ideal ainda passa por uma GPU discreta, mesmo que de baixo consumo. É uma visão pragmática, mas que deixa um espaço aberto para a AMD dominar o nicho das iGPUs ultra-potentes.

No entanto, isso não significa que a Intel está desistindo da briga gráfica integrada. A aposta parece estar nas gerações futuras. Petersen sugeriu que a empresa provavelmente concentrará seus esforços em chips como o Nova Lake – sucessor do Panther Lake – para competir com o Strix Halo e, posteriormente, com as APUs Zen 6 da AMD.

E aqui a coisa fica técnica e promissora para a Intel. O Nova Lake deve ser a primeira família a trazer as novas arquiteturas gráficas Xe3P e Xe4 para o módulo integrado. Enquanto isso, rumores indicam que a AMD seguirá usando a arquitetura RDNA 3.5 em suas próximas APUs por algum tempo. Teoricamente, isso daria uma vantagem arquitetural à Intel, que estaria migrando para tecnologias gráficas mais recentes.

Confiança renovada e movimentos estratégicos

O tom das declarações deixa claro que a Intel está com uma confiança renovada. A empresa parece ter "ganho coragem para contra-atacar", como diz o ditado, e está suficientemente segura para planejar uma linha de chips Panther Lake específica para consoles portáteis gamer, um mercado em crescimento explosivo.

Além disso, a Intel não está apostando todas as suas fichas no desenvolvimento interno. A empresa tem projetos em andamento em parceria com a NVIDIA, mas assegurou que manterá o desenvolvimento de suas próprias GPUs Arc. E um movimento que pode fazer toda a diferença a longo prazo foi a contratação de Eric Demers, um dos criadores das GPUs Radeon e Adreno da AMD/Qualcomm. Ter uma mente assim no time é, sem dúvida, uma grande ajuda.

Na verdade, olhando para todos esses movimentos – críticas públicas, foco em GPUs dedicadas para o segmento premium, desenvolvimento de novas arquiteturas iGPU, parcerias estratégicas e contratações de peso –, fica a impressão de que a Intel está traçando um caminho multifacetado para recuperar terreno. Eles podem não estar indo de frente contra o Strix Halo agora, mas estão preparando o terreno para batalhas futuras em várias frentes.

O que você acha? A estratégia da Intel de focar em GPUs dedicadas para alta performance móvel e desenvolver iGPUs de próxima geração faz sentido, ou é um erro deixar a AMD dominar sozinha o segmento das APUs gráficas de alto nível? O tempo, e o mercado, dirão.

Fonte: Club386.

Mas será que essa confiança toda é justificada? Olhando para o histórico recente, a Intel tem tido uma jornada complicada no segmento gráfico. As GPUs Arc, apesar de promissoras no papel, enfrentaram problemas de drivers e adoção inicial lenta. Enquanto isso, a AMD vem refinando sua abordagem de APUs por anos, com os chips Ryzen móveis conquistando espaço justamente pela combinação eficiente de CPU e GPU integrada. A afirmação de Petersen soa um tanto quanto otimista, não acha?

E o que dizer sobre o timing? O Strix Halo da AMD não é um produto para amanhã – ele está no horizonte, mas a Intel já está sinalizando que sua resposta efetiva só virá com o Nova Lake, que por sua vez só deve chegar depois do Panther Lake. Isso cria uma janela de oportunidade considerável para a AMD consolidar sua liderança nesse nicho específico. Notebooks gamers finos e leves, consoles portáteis de alta performance, workstations móveis para criativos... são mercados que podem ser moldados pela oferta disponível hoje, não pela promessa de amanhã.

O elefante na sala: a eficiência energética real

Quando Petersen critica a eficiência das iGPUs da AMD, ele toca em um ponto crucial para dispositivos móveis. Mas será que os números suportam essa narrativa? Benchmarks públicos de chips como o Ryzen 7 7840HS com RDNA 3 mostram uma eficiência impressionante, especialmente em jogos menos exigentes onde a GPU integrada brilha. A arquitetura "chiplet" da AMD, que separa os núcleos de CPU dos de GPU em diferentes tiles, foi projetada justamente para otimizar o consumo.

Por outro lado, a Intel tem seus próprios desafios. Os processadores Core de 13ª e 14ª geração para notebooks, embora poderosos, frequentemente operam em TDPs mais altos para atingir o desempenho máximo. E as iGPUs Intel Iris Xe, apesar de competentes, tradicionalmente ficam atrás das soluções RDNA da AMD em desempenho bruto. A próxima geração Xe2, que chegará com os Lunar Lake ainda este ano, promete melhorias significativas, mas terá que provar na prática que pode fechar essa lacuna.

É interessante notar como cada empresa parece estar seguindo uma filosofia diferente. A AMD aposta em APUs cada vez mais capazes, reduzindo a necessidade de GPUs dedicadas em mais cenários. A Intel, ao menos segundo suas declarações públicas, vê as iGPUs como complementares às GPUs discretas, não como substitutas. Qual abordagem vencerá? Depende muito de como o mercado de notebooks evolui.

O impacto nas escolhas do consumidor e nos produtos finais

Essa disputa técnica tem consequências muito reais para quem está comprando um notebook hoje ou planeja comprar um no futuro próximo. Vamos pensar no cenário atual: se você quer o máximo de performance gráfica em um notebook fino sem GPU dedicada, as opções com AMD Ryzen com RDNA 3 são praticamente as únicas no mercado. Modelos como o Asus ROG Zephyrus G14 ou vários Lenovo Legion Slim demonstraram o que é possível com uma iGPU bem arquitetada.

A Intel, por enquanto, parece contente em ceder esse espaço. Mas isso força os fabricantes de notebooks a tomarem decisões de design interessantes. Para oferecer uma máquina Intel com performance gráfica similar, eles precisam incluir uma GPU dedicada de entrada, como uma RTX 4050 Mobile. Isso aumenta custos, consumo de energia, espessura do dispositivo e complexidade térmica. É uma troca que nem sempre vale a pena, especialmente em dispositivos que priorizam portabilidade.

E os próprios fabricantes, o que pensam disso? Conversas com engenheiros de algumas marcas revelam uma certa frustração com a falta de opções competitivas no segmento de iGPUs de alta performance do lado Intel. "Gostaríamos de ter mais escolhas", comentou um deles sob condição de anonimato. "Às vezes, um design ficaria mais limpo, mais eficiente e mais barato com uma iGPU poderosa, mas a oferta atual nos limita."

Isso me faz questionar: a estratégia da Intel de focar em GPUs dedicadas para performance premium não estaria, na verdade, limitando as opções de design dos seus parceiros? Enquanto a AMD oferece uma solução tudo-em-um que simplifica a engenharia do produto final, a Intel parece exigir uma abordagem mais complexa para atingir resultados similares.

O fator software: drivers, otimizações e ecossistema

Performance bruta é uma coisa, mas a experiência do usuário final vai muito além de números de benchmark. E aqui há outro aspecto crucial que as declarações de Petersen não mencionaram: o ecossistema de software. As GPUs da AMD, sejam integradas ou discretas, beneficiam de anos de desenvolvimento de drivers para jogos, aplicações criativas e computação heterogênea.

A Intel, apesar de investir pesado, ainda está correndo atrás. Os drivers Arc melhoraram dramaticamente desde o lançamento, é verdade. Mas a estabilidade, a compatibilidade com jogos mais antigos e as otimizações específicas para títulos populares ainda são áreas onde a NVIDIA e a AMD têm vantagem. Para uma iGPU que pretende competir com o Strix Halo, esses fatores são tão importantes quanto a arquitetura de silício.

E não podemos esquecer das tecnologias proprietárias. A AMD tem o FSR (FidelityFX Super Resolution), a Intel tem o XeSS. Ambas são soluções de upscaling que podem compensar limitações de hardware, mas a adoção pelos desenvolvedores de jogos tem sido desigual. O FSR, por ser mais aberto e compatível com mais hardware, aparece em mais títulos. O XeSS, embora tecnicamente impressionante, tem uma biblioteca mais limitada.

O que isso significa na prática? Mesmo que a Intel lance uma iGPU com arquitetura Xe3 ou Xe4 tecnicamente superior, se os jogos que as pessoas querem jogar não estiverem otimizados para ela, ou se os drivers não oferecerem a mesma estabilidade, a vantagem teórica pode evaporar na experiência real. É um desafio de ecossistema, não apenas de hardware.

E as aplicações profissionais? Softwares como DaVinci Resolve, Blender ou mesmo o Adobe Premiere têm otimizações específicas para diferentes arquiteturas GPU. A AMD trabalhou por anos para garantir que suas GPUs, incluindo as integradas, fossem bem suportadas nesses aplicativos. A Intel terá que fazer o mesmo trabalho de base, e isso leva tempo – talvez mais tempo do que desenvolver o hardware em si.

No fim das contas, essa disputa entre Intel e AMD nas iGPUs de alta performance é fascinante porque vai muito além de transistores e clock speeds. Envolve filosofias de design diferentes, ecossistemas concorrentes, timing de mercado e, claro, um bom tanto de marketing e posicionamento. As declarações de Tom Petersen dão o tom da batalha que está por vir, mas o campo de batalha real será determinado por fatores que nenhum executivo controla completamente.

O que me intriga é como essa dinâmica pode mudar com a entrada de outros players. A Apple, com seus chips M-series, demonstrou que é possível ter performance gráfica integrada excepcional com uma abordagem radicalmente diferente (unificação de memória, arquitetura ARM). A Qualcomm, com seus Snapdragon X Elite, promete revolucionar o mercado de PCs Windows com eficiência extrema. Será que a Intel e a AMD estão lutando a batalha errada, focando em uma corrida de desempenho bruto enquanto o terreno muda sob seus pés?

Com informações do: Adrenaline