A Ubisoft parece estar em uma missão silenciosa para reavivar o interesse em sua franquia de tiro em mundo aberto. E a estratégia mais recente? Trazer a fluidez dos 60 quadros por segundo para alguns dos títulos clássicos de Far Cry nos consoles da nova geração. A revelação veio de forma peculiar, quase como um enigma para a comunidade decifrar.

Charada da Ubisoft anunciando update nos Far Cry

Em um post no X (antigo Twitter) no dia 16 de janeiro, a conta oficial de Far Cry usou uma sequência de emojis que, quando lidos em inglês, soavam como "Far Cry 3, Blood Dragon, Primal, 60fps". A

">"charada" foi desvendada rapidamente pelos fãs, e a própria Ubisoft não fez questão de manter o suspense, confirmando os palpites corretos nas respostas. A data de lançamento dos patches também foi anunciada: 21 de janeiro.

É interessante notar como a empresa está abordando isso. Em vez de um grande anúncio em um evento, optou por uma comunicação mais orgânica e direta com os jogadores. E, francamente, a demonstração de Far Cry Primal rodando a 60fps, mostrada em um vídeo posterior, parece fazer uma diferença significativa na fluidez da jogabilidade, especialmente em um título de ação frenética.

Um Refresco Necessário para uma Franquia em Pausa

Desde o lançamento de Far Cry 6 em outubro de 2021, a série principal está em um hiato considerável. O sexto título, embora comercialmente sólido, não repetiu o mesmo sucesso de crítica de seus predecessores, o que pode ter levado a Ubisoft a repensar a direção da franquia.

Essa não é a primeira vez que a empresa faz esse tipo de atualização. Em abril do ano passado, Far Cry 4 recebeu um patch similar para os consoles atuais. O padrão está claro: a Ubisoft está sistematicamente melhorando a experiência de seus jogos clássicos nas plataformas modernas. É uma maneira inteligente de manter a biblioteca ativa e relevante enquanto trabalha no futuro da série.

Imagem relacionada a rumores sobre Far Cry 7

Mas será que isso é suficiente? Para os fãs de longa data, com certeza é uma boa notícia. Revisitar as ilhas tropicais de Far Cry 3 ou o mundo pré-histórico de Primal com uma performance muito mais suave é um grande atrativo. No entanto, a pergunta que fica no ar é: isso é um prelúdio para algo maior?

O Futuro de Far Cry: Entre Patches e Novos Projetos

Além dos patches de performance, outros movimentos da Ubisoft indicam que a franquia Far Cry está longe de ser abandonada. A confirmação de uma série de TV live-action em desenvolvimento para a Disney+ é um sinal claro. A produtora deve ter observado o sucesso fenomenal que adaptações como *Fallout* tiveram em reacender o interesse nos jogos originais.

E os rumores, é claro, nunca param. Especulações sobre um possível Far Cry 7 circulam há tempos, e investimentos significativos, como o da Tencent que injetou US$ 1,25 bilhão em uma nova subsidiária da Ubisoft, sugerem que a empresa tem capital para apostar em seus grandes IPs. Paralelamente, notícias como a de um novo shooter de StarCraft liderado por um veterano de Far Cry mostram que o talento por trás da franquia continua ativo e criativo.

O que me surpreende é a paciência da Ubisoft. Em uma indústria que muitas vezes prioriza lançamentos anuais, a empresa está dando um tempo para a franquia respirar. Esses patches de 60fps funcionam como uma ponte. Eles mantêm o nome Far Cry na conversa, recompensam os jogadores fiéis e preparam o terreno para quando a próxima grande entrada na série for finalmente revelada. É uma estratégia de longo prazo que, se bem executada, pode resultar em um retorno muito mais impactante.

Falando em impacto, vale a pena dar uma olhada mais de perto em cada um desses três jogos que estão ganhando o upgrade. Far Cry 3, claro, é o queridinho. Muitos consideram o ápice da fórmula da série, com o icônico vilão Vaas Montenegro e aquela ilha que era um verdadeiro parque de diversões para o caos. Jogá-lo a 60fps não é só uma questão de fluidez visual; é sobre tornar a jogabilidade mais responsiva, mais precisa. Aquelas perseguições frenéticas de jipe, os tiroteios em meio à selva, as investidas dos animais... tudo isso se beneficia enormemente de uma taxa de quadros mais alta.

Far Cry 3: Blood Dragon é uma criatura completamente diferente. É uma sátira gloriosa aos filmes de ação dos anos 80, com uma estética cyberpunk neon, um humor absurdo e uma trilha sonora sintetizada que é pura nostalgia. O patch de 60fps aqui tem o potencial de tornar essa experiência alucinógena ainda mais imersiva e suave, combinando perfeitamente com o ritmo acelerado e over-the-top do jogo.

E Far Cry Primal? Esse sempre foi o título mais divisivo da lista. Abandonando as armas de fogo por lanças, arcos e bestas na Era da Pedra, ele oferecia uma proposta única, focada em sobrevivência, domesticação de animais e combate corpo a corpo. A jogabilidade, porém, podia parecer um pouco "pesada" ou lenta para alguns. A sensação é que os 60fps podem ser o ajuste perfeito para Primal, dando mais agilidade aos movimentos do personagem e aos ataques, potencialmente transformando a percepção que muitos têm desse jogo. Será que vamos ver uma reavaliação da crítica e dos jogadores agora?

O Custo (Ou a Falta Dele) e a Estratégia de Catálogo

Aqui está um ponto crucial: esses patches são gratuitos para quem já possui os jogos. A Ubisoft não está relançando os títulos como "Remastered" ou "Definitive Edition" com um preço cheio. É uma atualização de fidelidade para a base de jogadores existente. Isso é significativo. Em uma época onde remasters pagos são comuns, essa abordagem gera uma enorme boa vontade. É a empresa dizendo "valorizamos sua biblioteca e queremos melhorar sua experiência".

Mas, vamos ser realistas, também é uma jogada de negócios astuta. Ao melhorar esses jogos antigos, a Ubisoft os torna mais atraentes nas prateleiras digitais da PSN e da Microsoft Store, especialmente durante promoções. Um jogador que nunca experimentou Far Cry 3 pode ficar muito mais tentado a comprá-lo sabendo que ele roda tão bem quanto um título moderno no seu PS5. É uma maneira de extrair valor contínuo de um ativo que já foi desenvolvido há anos.

E isso me faz pensar: será que esse é o novo modelo de sustentabilidade para franquias antigas? Em vez de remakes caríssimos a cada década, uma série de patches de performance bem aplicados pode manter os jogos clássicos jogáveis e agradáveis por muito mais tempo. A Sony fez algo similar com alguns títulos do PS4 para o PS5. A Microsoft tem seu programa de retrocompatibilidade, muitas vezes com melhorias. A Ubisoft parece estar adotando essa filosofia para o catálogo de Far Cry.

O que vem depois? Far Cry 2, com seu sistema de malária e armas que emperram, seria um candidato fascinante. Ou até mesmo o primeiro Far Cry, que já é bem antigo. A comunidade certamente já está especulando. A pergunta que fica é: até onde a Ubisoft está disposta a ir com essa iniciativa? Ela vai se limitar aos títulos que já têm versões para PS4/Xbox One, ou consideraria projetos mais complexos para trazer jogos mais antigos para os consoles modernos?

Além dos FPS: Oportunidades Perdidas e Melhorias Desejadas

Enquanto celebramos os 60fps, é impossível não pensar no que mais poderia ser feito. Um aumento na resolução nativa para 4K seria um complemento óbvio e muito bem-vindo, especialmente para quem joga em telas grandes. Melhorias na qualidade das texturas, ou até mesmo a implementação de ray tracing em alguns efeitos de iluminação ou sombras, seriam saltos ainda mais impressionantes.

No entanto, entendo que aí já estamos falando de um esforço de desenvolvimento muito maior, que se aproxima de um remaster de verdade. O foco atual parece ser em oferecer o maior benefício percebido (a fluidez) com o menor custo de implementação. E, convenhamos, para a maioria dos jogadores, 60fps é a melhoria mais tangível e impactante durante a jogabilidade.

Outra questão é a preservação. Ao garantir que esses jogos funcionem bem no hardware atual, a Ubisoft está, mesmo que indiretamente, ajudando a preservá-los. Daqui a 10 ou 15 anos, será muito mais fácil para um novo jogador acessar e apreciar Far Cry 3 em um console moderno do que tentar fazer um jogo de PS3 funcionar perfeitamente. É um legado técnico que vai além do marketing imediato.

E você, o que acha? Para qual clássico da Ubisoft você gostaria que chegasse um patch de 60fps em seguida? Assassin's Creed Black Flag? Watch Dogs 1? A estratégia claramente não se limita a Far Cry. O sucesso (e a recepção positiva da comunidade) dessa leva de updates vai ditar os próximos passos da empresa. É um teste, em tempo real, do valor que os jogadores dão para esse tipo de suporte pós-lançamento de longo prazo.

Com informações do: Adrenaline