Enquanto o mercado de hardware parece obcecado por coolers cada vez maiores e mais potentes, um nicho de entusiastas busca exatamente o oposto: soluções de resfriamento eficientes que caibam em gabinetes minúsculos. É nesse cenário que a Akasa, uma fabricante conhecida por soluções de refrigeração e cases, decidiu lançar uma nova linha de coolers de perfil baixo, mirando diretamente o crescente mercado de PCs SFF (Small Form Factor). A aposta é clara: oferecer variedade e performance em um formato compacto, sem sacrificar a compatibilidade com os processadores atuais.

E, cá entre nós, quem já tentou montar um PC compacto sabe que encontrar um cooler bom e que não bata nas memórias RAM ou no painel lateral do gabinete é quase uma missão impossível. A Akasa parece ter ouvido esses apelos. A nova família é composta por seis variações no total, considerando diferentes cores e a presença (ou ausência) de iluminação RGB. O denominador comum? Todos usam fans de 120mm, têm menos de 80mm de altura e prometem não interferir com nenhum kit de memória, por mais alto que seja. Isso já resolve uma das maiores dores de cabeça dos montadores.
Os Modelos: Do Mais Potente ao Mais Compacto
A linha se divide em três modelos principais, cada um com seu foco. Antes de detalhá-los, é importante notar a ampla compatibilidade: suporte para sockets AM4 e AM5 da AMD, e LGA1851, 1700, 1200 e 115x da Intel. Todos também acompanham a pasta térmica premium T5 ProGrade+ da própria Akasa, um detalhe que agrada.
No topo da cadeia alimentar está o Viper H6L M2. Com apenas 76mm de altura, é o mais potente da turma, capaz de dissipar o calor de processadores com TDP de até 165W. Estará disponível nas cores preta e branca. É a escolha para quem quer colocar um Ryzen 7 ou Core i7 em um gabinete mini-ITX sem que ele vire um forno.

Para os fãs de personalização, a Akasa oferece o SOHO H6L M2. Com 77,6mm de altura e capacidade para TDPs de até 160W, ele se destaca por ser o único da linha com iluminação RGB endereçável. Também vem nas opções preta e branca. É para quem não abre mão do visual, mesmo em um build compacto.

E temos uma opção mais discreta, o Alucia H6L M2. Mantém os 77,6mm de altura e os 160W de capacidade de resfriamento, mas troca o RGB por um fan azul simples. É uma estética mais clean e focada no essencial.

O Campeão de Compactabilidade
Mas se o objetivo é o menor tamanho possível, a estrela é o Alucia H6LS M2. Com apenas 67,2mm de altura, ele é feito para gabinetes com restrições extremas, compatível com espaços de apenas 70mm. Claro, há uma concessão: a capacidade de resfriamento cai para 150W de TDP. Ainda assim, é mais que suficiente para processadores de médio porte. Ele será oferecido totalmente preto ou com o característico fan azul.
O que isso significa para o mercado? Bem, a tendência SFF só cresce, mas as opções de coolers de qualidade e perfil realmente baixo ainda são limitadas, muitas vezes dominadas por uma ou duas marcas. A entrada da Akasa com uma linha diversificada aumenta a competição e, espera-se, pode melhorar os preços. A variedade é um ponto forte: tem opção potente, opção com RGB, opção minimalista e opção ultra-baixa. Isso dá flexibilidade para o montador.
Fica a pergunta: a performance prometida nos TDPs anunciados se sustenta na vida real, com processadores esquentando em gabinetes com fluxo de ar restrito? Só testes práticos dirão. Mas a especificação é promissora. Para quem está planejando um build compacto, vale a pena ficar de olho no lançamento e nas primeiras análises. A disponibilidade e o preço final serão os próximos capítulos dessa história.
Enquanto isso, a notícia já gerou discussão em fóruns especializados. Alguns veem com bons olhos a chegada de mais uma concorrente, enquanto outros questionam se a Akasa conseguirá competir em performance com os nomes já estabelecidos no nicho SFF. A verdade é que o sucesso dependerá de uma combinação de fatores: eficiência de resfriamento, nível de ruído e, é claro, custo-benefício.
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Via: Akasa
Mas vamos além das especificações técnicas por um momento. O que realmente diferencia um bom cooler de perfil baixo de um mediano? Na minha experiência montando alguns SFFs, a resposta está nos detalhes de engenharia que você não vê nas fotos. A densidade e o design das aletas de alumínio, a qualidade do contato da base de cobre com o IHS do processador, e até a rigidez do conjunto contra vibrações. Um cooler que "canta" em alta rotação dentro de um gabinete pequeno pode arruinar toda a experiência de um PC silencioso.
E falando em ruído, é um ponto crucial que a Akasa ainda não detalhou completamente. As especificações listam os fans de 120mm, mas qual é a faixa de rotação? Eles usam rolamentos hidráulicos ou de esferas? A curva de ruído em função da carga térmica faz toda a diferença. Em um espaço confinado, um fan que precisa girar a 2000 RPM para manter um Ryzen 5 em 80°C pode ser mais incômodo do que o calor em si. Seria ótimo ver gráficos de desempenho acústico junto com os de dissipação térmica.
O Desafio da Instalação em Espaços Apertados
Outro aspecto que raramente é discutido, mas que todo montador SFF veterano conhece, é a logística da instalação. Um cooler de 76mm de altura pode parecer fácil de encaixar em um gabinete com 80mm de folga, mas e o processo de montagem em si? A ferramenta de fixação cabe entre o cooler e a placa-mãe? É necessário desmontar o gabinete inteiro ou remover a placa-mãe para rosquear o suporte traseiro?
Lembro-me de uma vez em que precisei usar uma chave de fenda angular e muita paciência para instalar um cooler low profile em um caso DAN A4-SFX. Se a Akasa pensou nisso e desenvolveu um sistema de montagem mais amigável – talvez com um suporte traseiro pré-instalável ou parafusos de fixação acessíveis por uma abertura lateral – isso seria um diferencial enorme. Às vezes, a usabilidade vale mais do que alguns graus Celsius a menos na temperatura.

E não podemos ignorar o ecossistema SFF como um todo. Um cooler não vive isolado. Ele interage com o fluxo de ar do gabinete, com a exaustão dos fans do painel lateral, e até com a placa de vídeo low profile que pode estar soprando ar quento logo ao lado. A eficácia do Viper H6L M2 em um caso com bom fluxo de ar, como o Fractal Design Ridge, será completamente diferente da sua performance em um caso mais fechado, como alguns modelos da ZS Cases. A Akasa fornecerá guias de compatibilidade com casos populares? Isso seria um serviço valioso para a comunidade.
O Mercado e a Concorrência: Quem Sente a Pressão?
A entrada da Akasa neste segmento não passa despercebida. Marcas como Noctua, com seu lendário NH-L9i, e a ID-Cooling, com seus modelos IS-series acessíveis, dominam boa parte das recomendações. A Thermalright também tem opções interessantes. O que a Akasa traz de novo para fazer os entusiastas considerarem mudar?
Parece ser a combinação de fatores: a promessa de um TDP suportado mais alto em uma altura similar (165W no Viper vs 65W do NH-L9i, por exemplo), a variedade estética com opções RGB e não-RGB na mesma linha, e o suporte nativo aos sockets mais novos da Intel (LGA1851) sem a necessidade de kits adaptadores separados. Se o preço for competitivo – digamos, posicionado entre os modelos de entrada da ID-Cooling e os premium da Noctua – ela pode capturar uma fatia significativa do mercado.
No entanto, a reputação no nicho SFF é construída com o tempo e com muitos testes independentes. Os usuários deste segmento são notoriamente detalhistas e compartilham dados extensivos em fóruns como o r/sffpc. A aceitação da linha dependerá de como esses coolers se saírem nas mãos desses testadores. Eles vão comparar não só a temperatura do CPU, mas a temperatura dos VRMs da placa-mãe (que muitos coolers low profile deixam descobertos), o impacto na temperatura da RAM, e a estabilidade em longas sessões de carga.
E você, já montou ou pensa em montar um PC compacto? O que pesa mais na sua escolha de cooler: a altura absoluta, a performance garantida, o nível de ruído ou a facilidade de instalação? Para mim, é um equilíbrio delicado. É frustrante quando um componente tecnicamente capaz é difícil de instalar ou soa como um mini-jato durante o jogo.
O lançamento da Akasa também levanta uma questão mais ampla sobre o futuro do resfriamento a ar. Com processadores cada vez mais densos e quentes, será que o limite físico dos coolers de perfil baixo está sendo alcançado? A inovação terá que vir de materiais com melhor condutividade térmica, como o vapor chamber usado em alguns coolers topo de linha, mas miniaturizado? Ou a solução será uma integração mais inteligente com a ventilação do gabinete, onde o cooler atua como parte de um sistema de fluxo direcionado?
Enquanto aguardamos as primeiras unidades chegarem aos revisores, é animador ver mais investimento e opções neste nicho. A competição é saudável e geralmente leva a produtos melhores e preços mais justos para nós, consumidores. A próxima etapa será acompanhar de perto os testes de stress, as análises de ruído e, claro, o preço final que chegará ao Brasil – um fator que muitas vezes pode ser o decisivo, independentemente de quão bom um produto seja no papel.
Com informações do: Adrenaline








