A BMW finalmente deu uma data para os entusiastas brasileiros: o aguardado M135, a versão mais potente do novo Série 1, chegará às concessionárias ainda no primeiro trimestre de 2026. A confirmação veio diretamente da marca em uma coletiva nesta quinta-feira, colocando fim à especulação que começou quando o modelo foi anunciado para o mercado brasileiro no meio do ano passado. E olha, os números prometem bastante emoção.

BMW Série 1

O que esperar do novo hot hatch da BMW

O M135 não vem para brincar. Ele será o carro que inaugura a nova geração do Série 1 por aqui, seguindo a mesma receita do irmão mais velho, o Série 2 Gran Coupé. O coração do negócio é um motor 2.0 litro turbo que entrega nada menos que 316 cavalos de potência e um torque robusto de 40,8 kgfm. Combinado com a tração integral xDrive – que deve ser a única configuração disponível, assim como na Europa –, esse conjunto permite acelerações de 0 a 100 km/h em apenas 4,9 segundos e uma velocidade máxima eletronicamente limitada a 255 km/h.

É um desempenho que coloca o M135 firmemente no território dos hot hatches de alto desempenho. A BMW, no entanto, manteve um suspense sobre um detalhe crucial: o preço. A expectativa do mercado é que ele chegue em uma única versão bem equipada, mas o valor final ainda é um mistério. Considerando o posicionamento e a potência, não deve ser um carro para bolsos modestos.

Um contexto de sucesso para a marca

A apresentação do M135 não foi o único anúncio importante. A BMW aproveitou o momento para celebrar um marco significativo: pela sétima vez consecutiva, a marca alemã liderou o mercado de carros premium no Brasil em 2025. Foram 16.863 unidades vendidas, um feito que coincide com a comemoração de 30 anos de presença da BMW no país.

E quem puxou esse bonde? O SUV compacto X1. Sozinho, ele respondeu por 5.367 vendas no ano passado, registrando um crescimento de mais de 10% em relação a 2024. Esse sucesso mostra como o apetite do consumidor brasileiro por SUVs premium, mesmo nos segmentos menores, continua forte e ditando os rumos das montadoras.

O que o M135 representa para o segmento?

A chegada do M135 reacende uma competição interessante no segmento de hatches esportivos de luxo. Por um lado, temos a tradição dos hot hatches alemães, que sempre priorizaram uma condução envolvente e performance bruta. Por outro, a indústria vive uma pressão enorme pela eletrificação. O fato de a BMW estar lançando um novo modelo com motor a combustão puro, e tão potente, em 2026, é uma declaração de intenções.

Será que ainda há espaço para carros como esse, ou o futuro pertence aos híbridos e elétricos? A BMW parece acreditar que sim, pelo menos para um público específico que valoriza a sensação e o som de um motor turbo tradicional. A tração integral xDrive também é um trunfo, prometendo segurança e tração em diversas condições, algo que um carro com essa potência nas rodas dianteiras poderia desafiar.

Para o consumidor, a notícia é boa: mais uma opção interessante e potente chegando ao mercado. Resta saber como ele se sairá contra concorrentes estabelecidos e se o preço será competitivo o suficiente para justificar a escolha em um segmento que não para de evoluir.

Falando em concorrência, vale a pena olhar mais de perto com quem o M135 vai brigar por espaço na garagem dos entusiastas. O mercado brasileiro de hatches premium e esportivos, embora nichado, tem alguns nomes de peso. O principal deles é, sem dúvida, o Mercedes-AMG A 35 4MATIC. Com seus 306 cv, ele é o rival direto e estabelecido. A tração integral é comum aos dois, mas a filosofia de condução pode ser o grande diferencial. A Mercedes-AMG costuma entregar uma esportividade mais "teatral" e agressiva, enquanto a BMW historicamente busca um equilíbrio entre conforto no dia a dia e performance. Será que o novo M135 vai seguir essa linha ou virá com uma pegada mais radical para se destacar?

E não podemos esquecer do Audi RS 3 Sportback, um verdadeiro monstro de 400 cv com aquele icônico motor 2.5 litro de cinco cilindros. Ele está em uma liga de potência um pouco acima, e provavelmente de preço também, mas é uma referência no segmento. A ausência de um rival direto da BMW com tração traseira pura, como o antigo M140i, também é um ponto interessante. A BMW optou pela segurança e aderência do xDrive, o que faz sentido para um carro com essa potência, mas deixa uma lacuna para os puristas que gostam da dirigibilidade "divertida" de um traseiro.

Por dentro do cockpit: tecnologia e conectividade

Performance é uma coisa, mas ninguém compra um carro premium hoje em dia só pelo motor. O interior é onde passamos a maior parte do tempo, e a expectativa é que o M135 chegue recheado. A nova geração do Série 1 adotou a tela Curved Display, que integra o painel de instrumentos e o sistema de infotainment em uma única peça curvada voltada para o motorista. É bem provável que o M135 venha com a versão mais avançada desse sistema, o iDrive 9, com suporte a atualizações por software over-the-air (OTA).

Na prática, isso significa um sistema mais rápido, com gráficos mais nítidos e uma integração ainda melhor com smartphones via Apple CarPlay e Android Auto (espera-se que seja do tipo sem fio, é claro). Os materiais também devem dar um salto. Bancos esportivos com ajustes elétricos e memoriais, acabamento em carbono ou alumínio, e o volante específico M com borrachas e ponteiros de câmbio devem ser itens de série. A BMW sabe que o toque e o feeling são tão importantes quanto os números no papel.

E os assistentes? A direção semi-autônoma de nível 2, com controle adaptativo de cruzeiro e assistente de faixa ativo, deve ser padrão. Em um carro que promete ser tão rápido, ter sistemas que ajudam naquelas longas viagens em rodovias é um conforto que faz toda a diferença. Afinal, um hot hatch moderno precisa ser um companheiro para todos os dias, não só para a estrada de curvas do fim de semana.

A grande interrogação: o preço e o posicionamento

Aqui está o ponto que mais tira o sono dos possíveis compradores. A BMW foi estrategicamente evasiva sobre os números, e não é por acaso. Posicionar um carro como o M135 no Brasil é um exercício de equilíbrio delicado. Por um lado, ele precisa justificar o investimento em relação aos concorrentes diretos, como o Mercedes-AMG A 35, que hoje parte de algo em torno de R$ 350 mil. Por outro, ele não pode ficar tão caro a ponto de invadir o território de modelos como o BMW M240i xDrive Coupé, que oferece seis cilindros e um apelo ainda mais esportivo.

Minha aposta? A BMW deve lançar o M135 em uma única versão, extremamente bem equipada, com preço inicial entre R$ 340 mil e R$ 360 mil. É um valor alto, sem dúvida, mas que reflete a potência, a tecnologia de ponta e o status de "lançamento" da nova geração. A marca pode até lançar algum pacote de acessórios M Performance posteriormente, com rodas diferentes, aerofólios e interior ainda mais exclusivo, para quem quiser personalizar ainda mais o carro.

O que me intriga é o timing. Lançar um carro a combustão puro, e tão potente, em 2026 parece quase um ato de rebeldia. Enquanto todo mundo fala em eletrificação, a BMW está trazendo um turbo a gasolina que ruge. É como se dissessem: "Ainda há um público para isso, e nós vamos atendê-lo". É uma jogada arriscada, mas que pode render muitos fãs fiéis. Será que outras marcas vão seguir o exemplo, ou o M135 será um dos últimos de sua espécie?

Falando nisso, a questão ambiental não pode ser ignorada. Um motor 2.0 com 316 cv não será exatamente econômico, e as emissões de CO2 serão um ponto de atenção. A BMW deve contar com tecnologias como o sistema de partida e parada automática e talvez um mild-hybrid discreto para ajudar no consumo urbano e atender às regulamentações, mas o foco claramente não é a eficiência máxima. É a performance. Em um mundo cada vez mais consciente, como o público vai receber essa proposta? Será vista como um prazer "culpado" ou como um legítimo produto para entusiastas?

Enquanto a data de chegada não chega, a especulação e a expectativa só aumentam. Testes de dirigibilidade, reviews internacionais e, claro, a revelação do preço oficial serão os próximos capítulos dessa história. Para quem está guardando o dinheiro, a espera promete ser recompensadora com um dos hot hatches mais potentes e tecnológicos a chegar ao Brasil nos últimos tempos. A pergunta que fica é: o mercado ainda está aquecido para recebê-lo?

Com informações do: Quatro Rodas