O mundo dos vazamentos de hardware é um lugar estranho, onde documentos obscuros e tweets de fontes anônimas podem revelar o futuro da tecnologia. Dessa vez, a atenção se volta para a AMD e sua próxima geração de processadores para notebooks, codinome "Medusa Point". Um manifesto de transporte, daqueles que costumam circular antes dos lançamentos oficiais, trouxe à tona detalhes sobre a configuração de núcleos dessas futuras APUs baseadas na arquitetura Zen 6. E, se as informações estiverem corretas, a AMD está preparando uma abordagem híbrida interessante para equilibrar desempenho e eficiência.

Captura de manifesto de transporte menciona Medusa Point

Desvendando a arquitetura híbrida do Medusa Point

O documento que vazou lista um processador chamado "Medusa 1" com uma configuração descrita como "4C4D". Para quem acompanha os rumores, isso soa como uma confirmação. No ano passado, o conhecido vazador

">HXL já falava sobre isso. Aparentemente, os chips Ryzen 5 e Ryzen 7 da linha Medusa Point vão combinar dois tipos de núcleos Zen 6: quatro núcleos "clássicos" (provavelmente focados em desempenho puro) e quatro núcleos "densos" (otimizados para eficiência).

É uma estratégia que lembra um pouco o que a Intel fez com suas CPUs híbridas, mas com a pitada da AMD. O que mais me chamou a atenção, porém, foi o TDP sugerido pelo manifesto: apenas 28 watts. Isso é bastante baixo para um chip com oito núcleos de próxima geração e promete uma autonomia de bateria impressionante para notebooks futuros. Claro, isso seria para os modelos de entrada. Os Ryzen 9, segundo os mesmos rumores, devem ser bem mais potentes, com um chiplet adicional (CCD) de 12 núcleos além da configuração 4+4.

Gráficos integrados e a linha do tempo de lançamento

Agora, sobre os gráficos. Parece que a AMD vai manter a arquitetura RDNA 3.5 para as APUs Medusa Point, o que não é exatamente uma surpresa, mas talvez seja um ponto de atenção. Os rumores indicam que todas as variantes iniciais terão apenas 8 Unidades de Computação (CUs) RDNA 3.5. Não espere um salto gigantesco no desempenho gráfico integrado em relação à geração atual, então. A prioridade aqui parece ser a CPU e a eficiência geral.

E quando isso tudo chega ao mercado? Aí é que está o grande debate. A frequência dos vazamentos sugere que o lançamento pode estar mais próximo do que pensávamos, talvez ainda em 2026. No entanto, outros rumores de roadmap já projetaram a chegada do Zen 6 para notebooks apenas em 2027. É um conflito típico do universo dos vazamentos. A AMD, é claro, mantém silêncio absoluto.

O que isso significa para o mercado?

Se os detalhes vazados forem precisos, a AMD está afinando sua estratégia. A combinação de núcleos clássicos e densos no mesmo chip é uma resposta inteligente às demandas modernas: precisamos de potência para tarefas rápidas, mas também de uma eficiência brutal para que a bateria dure o dia todo em um notebook leve. Um TDP de 28W para uma configuração 4+4 é, na minha opinião, o dado mais promissor de todos.

O foco em RDNA 3.5 para os gráficos, por outro lado, me faz pensar que a AMD pode estar guardando a artilharia pesada (RDNA 4 ou 5) para uma linha separada de APUs de alto desempenho, ou talvez para uma atualização posterior da linha Medusa. Afinal, lançar uma nova arquitetura de CPU e GPU ao mesmo tempo é um risco enorme.

Enquanto aguardamos confirmações oficiais, vale a pena dar uma olhada em outras peças do quebra-cabeça que já vazaram:

No fim das contas, esses vazamentos pintam um quadro de uma AMD focada em refinar sua fórmula para notebooks. Não é uma revolução gritante, mas uma evolução calculada. A verdade, como sempre, só virá quando os produtos estiverem nas prateleiras. Até lá, fica a pergunta: a estratégia híbrida de núcleos e a eficiência extrema serão suficientes para enfrentar a próxima leva de chips da Intel e até da Apple? O manifesto de transporte não responde isso, mas o mercado, em breve, vai.

Via: VideoCardz

Mas vamos pensar um pouco além das especificações técnicas. O que realmente significa uma configuração "4C4D" no dia a dia de quem usa um notebook? Imagine você trabalhando com várias abas do navegador abertas, um documento do Word, uma planilha e talvez uma chamada de vídeo rodando em segundo plano. Os núcleos "densos" de baixo consumo poderiam lidar com essas tarefas de fundo quase que silenciosamente, enquanto os núcleos "clássicos" mais potentes ficariam prontos para disparar quando você precisar compilar um código, renderizar um vídeo rápido ou simplesmente abrir aquele aplicativo pesado de uma vez.

É uma divisão de trabalho inteligente, mas que depende muito do sistema operacional e dos drivers saberem direcionar as tarefas certas para os núcleos certos. A Microsoft já vem aprimorando o agendador de threads do Windows 11 para CPUs híbridas há algum tempo, e a AMD certamente trabalhará de perto nessa integração. Será que veremos um "AMD Thread Director" similar ao da Intel? A eficácia prática dessa arquitetura vai depender muito desse software invisível.

O fantasma da concorrência e o legado do Strix Point

Falando em contexto, não podemos esquecer de onde a AMD vem. A geração atual, codinome "Strix Point", já trouxe uma arquitetura híbrida com núcleos Zen 5 e Zen 5c, além dos poderosos gráficos RDNA 3.5 com até 16 CUs. O Medusa Point, ao que tudo indica, parece ser uma evolução mais conservadora em termos de iGPU, focando talvez em consolidar os ganhos de eficiência da nova microarquitetura Zen 6.

E a concorrência? Enquanto a AMD planeja o Medusa Point para 2026/2027, a Intel deve estar finalizando seus chips Lunar Lake (que prometem uma revolução na eficiência) e já trabalhando em Panther Lake. Do outro lado, a Apple não para de evoluir seus chips M-series, que são o padrão ouro em desempenho por watt no mundo mobile. O mercado de notebooks premium está ficando incrivelmente acirrado. A AMD precisa acertar em cheio com o Medusa Point não só para ganhar novos usuários, mas para reter os fãs que adotaram o Ryzen 7040 e 8040.

Insider fala de APUs Zen 6 da AMD

Outro ponto que me intriga é a segmentação. Se os Ryzen 5 e 7 terão a configuração 4+4 com gráficos de 8 CUs, e os Ryzen 9 devem trazer um chiplet extra, onde ficam os Ryzen 3? Será que a AMD abandonará o segmento de entrada com Zen 6, ou teremos versões com apenas os núcleos densos? E os tão esperados chips com tecnologia 3D V-Cache para notebooks? Essas são perguntas que os próximos vazamentos, com sorte, poderão responder.

Além do manifesto: o que os rumores mais obscuros dizem

Circulando em fóruns especializados, há menções ainda mais nebulosas sobre o "Medusa 1". Alguns insiders sugerem que a AMD pode estar testando diferentes configurações de cache L3 para os núcleos clássicos e densos, otimizando a latência para cada tipo de carga de trabalho. Outro boato fala em suporte nativo a memórias LPDDR5X-9600, o que daria um fôlego extra ao já poderoso barramento de memória integrado das APUs.

Também há uma curiosidade sobre a nomenclatura. "Medusa Point" soa como um codinome para uma família específica dentro do Zen 6 para notebooks. Será que teremos outras "pontos"? Um "Dragon Point" mais focado em jogos, com uma iGPU mais parruda? A estratégia de codinomes da AMD sempre foi um quebra-cabeça divertido de decifrar.

O que parece claro, olhando para o histórico, é que a AMD não está mais no jogo de lançar revoluções a cada ciclo. O foco é na execução consistente e na otimização incremental. Depois do sucesso do Zen 3, do salto do Zen 4 e das promessas do Zen 5, o Zen 6 precisa ser a geração que aperfeiçoa a fórmula e entrega uma eficiência inquestionável. Em um mundo onde a bateria do notebook é muitas vezes o fator limitante, ganhar uma ou duas horas extras de uso pode ser mais valioso do que um ganho de 10% em um benchmark sintético.

E você, o que espera de uma APU de próxima geração? Para você, o que pesa mais: a eficiência brutal que permite um notebook ultrafino e com bateria de dia inteiro, ou o poder gráfico integrado que dispensa uma GPU dedicada para jogos casuais? A resposta da AMD com o Medusa Point parece estar se inclinando fortemente para a primeira opção. Resta saber se é isso que o mercado realmente quer, ou se os usuários vão sentir falta de um salto mais ousado na parte gráfica.

Enquanto isso, a máquina de rumores não para. Cada novo pedaço de código em um driver, cada menção em uma lista de suporte de software, é uma pista para montarmos esse quebra-cabeça. A próxima grande pista provavelmente virá quando os primeiros protótipos começarem a aparecer em bancadas de teste ou, quem sabe, em algum benchmark vazado do Geekbench. Até lá, a especulação informada é o que nos resta.

Com informações do: Adrenaline