A nostalgia dos jogos clássicos ganha mais uma opção de colecionador. A Blaze Entertainment acaba de lançar uma nova edição do seu portátil retrô Super Pocket, desta vez dedicada inteiramente à lendária desenvolvedora Rare. A "Rare Edition" vem com 14 jogos pré-instalados, abrangendo desde os sucessos de N64 até títulos obscuros de PC, tudo embrulhado em um design que homenageia as cores icônicas da empresa.

Portátil com cores inspiradas pela Rare

O Que Vem na Caixa: Uma Jornada pela História da Rare

O grande atrativo desta edição especial é, sem dúvida, a curadoria de jogos. A Blaze foi além dos óbvios e montou uma lista que agrada tanto aos fãs casuais quanto aos colecionadores mais hardcore. Enquanto Banjo-Kazooie para o Nintendo 64 é a estrela maior, a presença de Conker's Pocket Tales para Game Boy e dos clássicos Battletoads já justificam a compra para muitos.

Mas a lista tem suas surpresas. A inclusão de títulos de PC da era ZX Spectrum, como Atic Atac, Jetpac e Knight Lore, é um movimento interessante. São jogos que muitos fãs modernos podem nunca ter tocado, oferecendo uma fatia genuína da história inicial da Rare. A seleção para NES também é robusta, com pérolas como Snake Rattle 'n' Roll e Solar Jetman.

Aqui está a lista completa dos 14 jogos que já vêm instalados:

  • Banjo-Kazooie (Nintendo 64)

  • Conker's Pocket Tales (Game Boy)

  • Battletoads in Battlemaniacs (Super Nintendo)

  • Battletoads (NES)

  • Cobra Triangle (NES)

  • R.C. Pro-Am II (NES)

  • Slalom (NES)

  • Snake Rattle 'n' Roll (NES)

  • Solar Jetman: Hunt for the Golden Warpship (NES)

  • Atic Atac (PC)

  • Jetpac (PC)

  • Lunar Jetman (PC)

  • Knight Lore (PC)

  • Gunfright (PC)

Design, Hardware e a Experiência de Jogo

O design do aparelho é uma homenagem direta. O vermelho vibrante, os botões amarelos e o verso azul não deixam dúvidas sobre a inspiração. É um visual que chama atenção e se destaca das outras edições do Super Pocket, como as de Taito, Capcom e Atari.

Em termos técnicos, estamos falando de um hardware dedicado ao retrô. A tela é de 2.8" IPS com resolução de 320x240 pixels – adequada para os gráficos pixelados das eras que emula. Não há joysticks analógicos aqui, apenas o bom e velho D-pad, o que é até uma virtude para a fidelidade da experiência. Ele conta com entrada para fones de ouvido P2 e usa USB-C para recarga, um toque moderno bem-vindo.

Detalhes do Super Pocket Rare Edition

Compatibilidade com Cartuchos: Expandindo a Biblioteca

Agora, uma pergunta que muitos fazem: e se eu cansar desses 14 jogos? A boa notícia é que o Super Pocket não é uma ilha. Ele mantém a compatibilidade com a linha de cartuchos Evercade, que são coleções físicas licenciadas de jogos retrô. Cada cartucho custa em torno de US$ 30 e pode adicionar dezenas de novos títulos ao seu portátil, de diversas outras publishers.

Isso é um diferencial importante num mercado cheio de consoles "plug-and-play" de estante que são caixas fechadas. Dá uma sensação mais autêntica, quase como ter um Game Boy moderno com cartuchos trocáveis. Claro, ele não é um emulador destravado onde você joga qualquer ROM – a Blaze e a Evercade focam no licenciamento oficial, o que é tanto uma limitação quanto uma garantia de qualidade e apoio aos detentores dos direitos.

O lançamento acontece em um momento curioso para os fãs da Rare, enquanto rumores sobre o futuro de suas franquias clássicas continuam. Enquanto esperamos por novos capítulos (se é que eles virão), produtos como esse permitem reviver a magia do passado de forma conveniente.

O Super Pocket Rare Edition está à venda no site oficial da Hyper Mega Tech! por US$ 69. É um preço que posiciona o aparelho como um item de nicho, para colecionadores e fãs devotos que valorizam a curadoria, o design temático e a praticidade de um portátil dedicado.

Mas será que vale a pena investir em mais um portátil retrô? A resposta, claro, depende muito do tipo de fã que você é. Para quem já tem um Anbernic ou um Miyoo Mini+ com milhares de ROMs, a proposta pode parecer limitada. A beleza do Super Pocket, porém, está justamente na sua curadoria e na experiência "plug-and-play" sem complicações. É sobre ter uma coleção física, licenciada, que você pode pegar e jogar em segundos, sem precisar configurar emuladores, procurar bioses ou organizar listas de jogos. Há um charme nisso.

E falando em experiência, como esses jogos de PC da era ZX Spectrum, com seus controles muitas vezes esquisitos e dificuldade brutal, se saem em um portátil? É uma pergunta interessante. Jogos como Knight Lore, um dos primeiros exemplos de gráficos isométricos em tempo real, ou Jetpac, um clássico de ação simples, foram feitos para teclados. A adaptação para o D-pad e os botões do Super Pocket é um teste de fidelidade. Para alguns, pode ser uma experiência autêntica e desafiadora; para outros, apenas uma curiosidade histórica. De qualquer forma, é fascinante ver essa parte da história da Rare, muitas vezes esquecida em favor dos sucessos da era Nintendo, sendo celebrada.

O Mercado de Retrô: Nostalgia Versus Acessibilidade

O lançamento dessa edição da Rare acontece em um mercado cada vez mais saturado de opções retrô. De um lado, temos os consoles mini oficiais, como o PlayStation Classic. Do outro, uma infinidade de dispositivos emuladores de terceiros, mais poderosos e flexíveis. O Super Pocket tenta navegar um meio-termo: oferece a legitimidade do licenciamento oficial (o que deve agradar aos puristas e é eticamente mais correto) com a tangibilidade dos cartuchos físicos da Evercade.

No entanto, essa abordagem tem seus trade-offs. O preço por jogo, se considerarmos apenas os 14 títulos incluídos, não é dos mais baixos. E a dependência dos cartuchos Evercade para expandir o catálogo significa um investimento contínuo. Por outro lado, quem compra um cartucho como o "Indie Heroes" ou o "Toaplan Arcade" está adquirindo uma coleção curada e legal que pode ser usada em outros dispositivos da linha Evercade, como o console VS para TV. Há um ecossistema sendo construído aqui, o que dá uma sensação de que seu investimento tem um caminho futuro.

Comparado a outras edições do Super Pocket, a Rare se destaca pela força da marca. Enquanto as versões da Capcom ou da Taito apostam em bibliotecas gigantescas de arcade, a Rare Edition parece focar mais na narrativa histórica. É menos sobre quantidade e mais sobre contar uma história – a história de uma das desenvolvedoras mais influentes e misteriosas dos anos 80 e 90. Para um fã, segurar esse aparelho e jogar desde um Jetpac de 1983 até um Banjo-Kazooie de 1998 é como folhear um livro interativo da carreira da empresa.

Um Olhar Crítico: Pontos a Considerar

Nenhum produto é perfeito, e é justo apontar algumas ressalvas. A tela de 2.8", embora de boa qualidade IPS, pode ser pequena demais para alguns, especialmente para jogos de N64 ou SNES que originalmente eram vistos em uma TV. A ausência de um modo TV-out, presente em alguns concorrentes, significa que você está preso à experiência portátil. E, vamos ser honestos, US$ 69 é um valor que compete com ofertas de Nintendo Switch Lite em promoção ou com emuladores Android mais capazes.

Além disso, a seleção de jogos, embora excelente, deixa alguns fãs de cabelo em pé. Onde está Banjo-Tooie? E Donkey Kong Country? A presença de apenas um jogo de N64 (Banjo-Kazooie) é um pouco decepcionante, considerando que foi a plataforma onde a Rare brilhou com mais força. A exclusão de títulos como GoldenEye 007 ou Perfect Dark é compreensível devido às complexidades de licenciamento (envolvendo a Nintendo e a Microsoft), mas ainda assim deixa um vazio. A Blaze claramente teve que trabalhar dentro de certas limitações.

E aí entra uma questão maior: o que esse produto representa para o legado da Rare hoje, uma empresa que é essencialmente um estúdio interno da Microsoft focada em Sea of Thieves e no futuro do Game Pass? Produtos como o Super Pocket Rare Edition funcionam como uma cápsula do tempo, um lembrete físico de uma era onde a empresa era sinônimo de criatividade ousada e parceria lendária com a Nintendo. É uma forma de preservação cultural, ainda que comercial.

Para o colecionador, o apelo vai além do jogo. É sobre possuir um objeto bem feito, com um design que evoca memórias específicas. O vermelho, amarelo e azul não são cores aleatórias; são as cores do logo da Rare durante sua era de ouro. É um detalhe que faz diferença. A sensação dos botões, o peso do aparelho na mão, até o clique satisfatório ao inserir um cartucho Evercade – tudo isso compõe uma experiência que um emulador em um celular, por mais prático que seja, simplesmente não oferece.

Olhando para o futuro, é tentador especular quais outras "Editions" poderiam surgir. Uma versão da SNK? Da Sega? Da própria Nintendo (embora isso seja quase um sonho impossível)? O sucesso desta Rare Edition provavelmente ditará o ritmo. Enquanto isso, para quem cresceu com um Game Boy no bolso e se maravilhou com os mundos 3D da Rare no N64, este pequeno portátil oferece uma ponte direta e tangível de volta para aquela sensação. Não é para todo mundo, mas para seu público-alvo, pode ser algo muito especial.

Com informações do: Adrenaline