Depois de anos de incertezas e um quase cancelamento pela Riot Games, o aguardado jogo de aventura e construção Hytale finalmente tem uma data para chegar ao público. Em uma reviravolta digna de roteiro, o projeto foi resgatado por seus criadores originais e está programado para entrar em Acesso Antecipado para PC já na próxima terça-feira, dia 13 de janeiro. E o mais impressionante? A equipe já garantiu financiamento para operar pelos próximos dois anos, graças a uma estratégia ousada de pré-vendas.

Hytale vai retornar em estado ainda incompleto. Imagem: Divulgação/Hypixel

Uma Segunda Chance Para um Projeto Quase Perdido

A história do Hytale é, para ser sincero, um verdadeiro rolo compressor emocional. Desenvolvido inicialmente pelo estúdio Hypixel (conhecido por seus servidores de Minecraft) e com o apoio inicial da Riot Games, o jogo passou sete longos anos em desenvolvimento antes de ser praticamente abandonado pela gigante dos games. Muitos, inclusive eu, já o davam como mais um "vaporware" — um daqueles projetos promissores que nunca veem a luz do dia.

Mas eis que Simon Collins-Laflame, um dos fundadores da Hypixel, decidiu que a história não terminaria assim. Ele liderou uma iniciativa para resgatar o jogo do limbo, assumindo as rédeas do projeto. E o anúncio veio com um sabor de vitória: não apenas uma data de lançamento, mas a segurança financeira para o futuro próximo.

"Tenho o prazer de anunciar que já asseguramos oficialmente os dois próximos anos de desenvolvimento através de pré-vendas", declarou Collins-Laflame no X (antigo Twitter). "Combinado com meu comprometimento pessoal de 10 anos, estamos parecendo muito fortes para o futuro". A mensagem, carregada de alívio e determinação, encerrava com um poderoso "Hytale está salvo. Estamos quase em casa".

Pleased to announce that we have officially secured the next two years of development costs through pre-purchases. Combined with my personal commitment of ten years, we are looking very strong for the future ❤️

Thank you all for the support.

Hytale is saved.
We are almost home.

— Simon (@Simon_Hypixel)

12, 2026

Atualmente, um time de cerca de 50 desenvolvedores, sendo 40 deles veteranos que trabalham a partir dos códigos mais antigos do jogo, está tocando o projeto adiante. É um esforço de reconstrução, mas com uma base sólida e, agora, com os recursos necessários.

Como Participar do Acesso Antecipado e o Que Esperar

Para quem está ansioso para explorar os blocos e aventuras do Hytale, o caminho já está aberto. O Acesso Antecipado será disponibilizado através da loja oficial do jogo, onde os interessados podem fazer a pré-compra de uma das três edições disponíveis.

A versão de entrada custa US$ 11,34 (cerca de R$ 60,90 na cotação atual) e, mesmo nesse patamar básico, garante a reserva de um nome de usuário e equipamentos iniciais para mergulhar no universo do jogo. As edições mais caras oferecem principalmente itens cosméticos e outros extras, mas o acesso ao jogo em si é o mesmo para todos.

E aqui vai um aviso importante, direto do líder do projeto: "Se você não se sente confortável em fazer a pré-compra, por favor não faça. Esse é um Acesso Antecipado verdadeiro, o que significa que ainda está inacabado e vai ser bugado por um tempo". Collins-Laflame é transparente — ele não está vendendo um produto polido, mas sim a oportunidade de fazer parte da construção de algo. "Mas você tem o meu compromisso e o do time de transformar Hytale no game que sempre quisemos que fosse", completa.

É uma abordagem honesta, e até refrescante em um mercado onde muitos early accesses são lançados como produtos quase finais. Eles estão chamando os jogadores para serem testadores, co-criadores, em uma jornada que promete ser longa.

O Futuro do Hytale e a Sombra de Minecraft

É impossível falar de Hytale sem mencionar Minecraft. Desde seu anúncio inicial, o jogo foi amplamente visto como um potencial concorrente direto do fenômeno da Microsoft, prometendo uma experiência de aventura e construção com gráficos mais modernos e um foco maior em narrativa e combate. A comparação sempre foi inevitável.

Com seu renascimento, essa rivalidade promete se acirrar. O time do Hytale tem a vantagem de aprender com os mais de dez anos de evolução do Minecraft, mas também carrega o fardo das enormes expectativas. O financiamento de dois anos dá a eles um respiro para desenvolver o jogo sem a pressão imediata de se tornar um sucesso comercial da noite para o dia.

Outro ponto interessante é a estratégia de distribuição. Por enquanto, o jogo estará disponível apenas em sua loja própria. No entanto, Collins-Laflame já adiantou que o preço pode aumentar no futuro, conforme mais recursos forem adicionados. E quando o jogo estiver mais completo, a intenção é levá-lo para plataformas como o Steam, onde poderá receber avaliações oficiais e um feedback mais amplo da comunidade.

E você, está disposto a embarcar nessa jornada desde o início, sabendo que o caminho será cheio de bugs e recursos inacabados? Ou prefere esperar para ver como o jogo se desenvolve? A decisão, como bem colocou o desenvolvedor, é pessoal. Mas uma coisa é certa: a história do Hytale, que parecia ter chegado ao fim, está apenas começando um novo e promissor capítulo.

O Desafio Técnico e a Promessa de um Novo Motor

Por trás desse renascimento, há uma montanha de desafios técnicos que a equipe está escalando. Você se lembra que o jogo estava em desenvolvimento há sete anos, certo? Isso significa que partes do código, dos assets e até da engine estavam defasadas. O time de 40 veteranos que retornou ao projeto não está apenas adicionando novos recursos — eles estão, em muitos aspectos, reescrevendo e modernizando o que já existia.

Simon Collins-Laflame mencionou, em outras comunicações, que um dos focos é a transição para um motor gráfico mais robusto e eficiente. O objetivo é entregar aqueles visuais estilizados, mas impressionantes, que foram prometos nos primeiros trailers, sem sacrificar o desempenho. Afinal, um jogo de construção e aventura precisa rodar bem em uma variedade de configurações de PC. É um equilíbrio delicado.

E falando em trailers, aquele vídeo de anúncio de 2018 ainda causa arrepios. Mostrava um mundo vibrante, combate dinâmico, dungeons geradas proceduralmente e uma ferramenta de criação de mods integrada e poderosa. Muita gente se perguntava: "Isso é real ou é só um conceito?" Agora, com o Acesso Antecipado, os jogadores finalmente poderão colocar as mãos nessa promessa e ver o quanto dela já é realidade. A pressão para entregar algo que se aproxime daquela visão inicial é imensa.

A Comunidade: O Maior Ativo e o Maior Crítico

Aqui está um ponto crucial que muitos desenvolvedores subestimam: a comunidade do Hytale já existe. Ela se formou durante esses anos de espera, alimentada por fóruns, servidores de Discord e uma lealdade quase inabalável. Essas pessoas são o maior ativo do jogo — mas também serão seus críticos mais ferrenhos.

Eles memorizaram cada screenshot, cada promessa feita em blog posts antigos. Para eles, o Acesso Antecipado não é apenas um novo jogo; é a materialização de anos de expectativa. A abordagem transparente de Collins-Laflame é, sem dúvida, uma tentativa de gerenciar essas expectativas. Ao dizer "vai ser bugado", ele está tentando construir um pacto de honestidade com essa base de fãs.

Mas será que isso será suficiente? A história dos games está cheia de projetos ressuscitados que não conseguiram atender ao "hype" gerado anos antes. O risco de decepção é real. Por outro lado, essa mesma comunidade tem o potencial de ser a força motriz do desenvolvimento. A ferramenta de modding, se entregue como prometido, pode transformar os jogadores mais dedicados em co-criadores, estendendo a vida útil do jogo de formas imprevisíveis. É aí que a comparação com Minecraft fica mais interessante: não se trata apenas de jogar, mas de criar dentro do jogo.

Aliás, a estratégia de vender edições com itens cosméticos desde o primeiro dia é inteligente. Ela capitaliza o desejo dessa comunidade hardcore de se expressar e apoiar o projeto, oferecendo recompensas visuais imediatas. Gera caixa e engajamento ao mesmo tempo. Mas também cria uma divisão inicial entre os jogadores — algo que sempre foi um ponto sensível em games multiplayer. Como a equipe vai equilibrar a monetização com a sensação de um mundo coeso e justo para todos?

O Longo Caminho até o Lançamento Completo

Dois anos de financiamento garantido soam como uma eternidade, mas no desenvolvimento de jogos, esse tempo passa rápido. Muito rápido. A pergunta que fica é: o que constitui um "lançamento completo" para o Hytale? O jogo entrará em Acesso Antecipado com uma fração do conteúdo planejado. O roteiro principal, os biomas adicionais, os sistemas de crafting mais complexos, a integração completa de mods — tudo isso está no roadmap.

O plano, segundo as comunicações, é usar esses 24 meses para iterar constantemente com a comunidade, adicionando conteúdo e polindo a experiência base. Só então, com um produto mais sólido e completo, eles mirariam um lançamento "1.0" e uma expansão para outras plataformas, como consoles. É um caminho mais longo, mas potencialmente mais sustentável.

E o que acontece se, depois de dois anos, as vendas não sustentarem o desenvolvimento? Collins-Laflame mencionou seu "compromisso pessoal de dez anos", o que sugere um plano de contingência financeira de longo prazo. Mas na prática, o sucesso do Acesso Antecipado nos primeiros meses será vital para manter o ritmo e atrair ainda mais jogadores. É um teste de fogo que começa na terça-feira.

Enquanto isso, do outro lado do ringue, o Minecraft continua sua evolução constante. A Mojang não está parada. Novas atualizações, parcerias e expansões para o Game Pass mantêm o titã mais popular do que nunca. O Hytale não precisa "matar" o Minecraft — uma ideia tola, na verdade. Ele só precisa encontrar seu próprio espaço, seu próprio público. Talvez seu foco em uma aventura mais guiada e em combates mais táticos seja o diferencial. Ou talvez seja a ferramenta de modding, que promete ser mais acessível do que a do Java Edition. Ainda é cedo para dizer.

O que me deixa curioso, no fim das contas, é ver como os jogadores vão reagir a um mundo que ainda está sendo esculpido. Em uma era de lançamentos "games as a service" muitas vezes cínicos, há algo genuinamente arriscado e ambicioso em convidar as pessoas para dentro do estúdio, para ver a bagunça e ajudar a arrumá-la. Pode dar terrivelmente errado, é claro. Mas se der certo, pode redefinir não só o futuro do Hytale, mas a relação entre uma equipe de desenvolvimento e seus jogadores. Você topa esse risco?

Com informações do: Adrenaline