A BYD, gigante chinesa que tem conquistado espaço global no segmento de veículos elétricos, acaba de expandir sua já vasta família Song com um modelo que promete ser o mais vigoroso de todos. Apresentado oficialmente, o BYD Song Ultra surge não apenas como mais uma opção, mas como o expoente de performance dentro de uma linha que já conta com os populares Song Pro, Plus, L e L EV. E a pergunta que fica é: o que justifica a criação de um "Ultra" em uma gama tão diversificada?

BYD Song Ultra, vista frontal do SUV elétrico

Em primeiro lugar, as dimensões. Com 4,85 metros de comprimento, o Song Ultra se estabelece como o maior integrante da família, superando em 7 centímetros o Song Pro. Sua largura de 1,91 m e uma altura de 1,67 m completam um visual robusto, enquanto o entre-eixos de 2,84 m – 6 cm maior que o do Pro – sugere um interior bastante espaçoso. Essas medidas não são apenas números; elas refletem uma tendência clara no mercado de SUVs elétricos, onde espaço e presença visual são fatores decisivos para muitos compradores.

Design: Evolução dentro de uma identidade consolidada

Analisando o design, o Song Ultra não rompe radicalmente com a linguagem visual da BYD, mas a aprimora com detalhes distintivos. A dianteira mantém o conjunto afilado de faróis e grade, uma assinatura da marca, mas o para-choque com grandes aberturas triangulares confere uma agressividade esportiva. É na lateral, porém, que um detalhe chama a atenção: os vincos nos para-lamas e o desenho das janelas, com uma queda suave na traseira, criam uma silhueta que lembra um cupê. Essa é uma clara referência aos designs dinâmicos de marcas como a Lexus, mostrando que a BYD está atenta às preferências estéticas globais.

Várias imagens mostrando diferentes ângulos e possíveis cores do BYD Song Ultra

A traseira é larga e imponente, com volumes arredondados que reforçam a sensação de solidez. As lanternas em faixa, que cruzam a tampa do porta-malas, já são um clássico da marca, mas aqui ganham um detalhe interno com formatos arredondados que devem criar um efeito luminoso interessante à noite. Ainda não temos imagens oficiais do interior, mas é quase certo que seguirá o layout horizontal característico da BYD, com uma tela de instrumentos compacta e uma tela central giratória gigante – um acerto que a marca dificilmente abandonaria.

O coração da questão: Performance elétrica inédita

Agora, vamos ao que realmente define o "Ultra": a performance. Este é o primeiro Song a ser anunciado com um motor elétrico de 362 cavalos de potência. Para colocar isso em perspectiva, o modelo que mais se aproxima atualmente é o Song L EV, com 308 cv. Essa diferença de 54 cv não é trivial; ela se traduz em uma aceleração mais vigorosa e uma velocidade máxima de 210 km/h, números que colocam o Song Ultra em um patamar esportivo dentro da categoria de SUVs familiares.

E a bateria? Essa é uma das grandes interrogações. A BYD ainda não divulgou a capacidade do pacote de baterias que alimentará esse motor mais potente. Na minha experiência, um aumento significativo de potência geralmente demanda uma bateria de maior capacidade para manter uma autonomia competitiva. Será que veremos a estreia de uma nova tecnologia de células ou uma simples ampliação do pacote atual? A resposta a essa pergunta será crucial para definir o posicionamento do carro no mercado.

Onde o Song Ultra se encaixa no quebra-cabeça da BYD?

Lançar um modelo mais potente e ligeiramente maior faz todo o sentido estratégico. A linha Song da BYD já cobre uma faixa de preço e tamanho considerável, mas o Ultra parece mirar um consumidor que busca tudo o que os outros Song oferecem – espaço, tecnologia, eficiência – com um extra de desempenho e presença. É uma jogada inteligente para capturar clientes que talvez considerassem marcas premium por conta da performance, mas são atraídos pelo custo-benefício e pela tecnologia da BYD.

Resta saber como será o preço e, claro, quando ele chegará a mercados como o brasileiro. A BYD tem acelerado sua expansão global, e modelos de topo de linha são importantes para construir uma imagem de marca forte. O Song Ultra não é apenas mais um carro elétrico; é uma declaração de que a BYD pode competir não apenas no volume, mas também no refinamento e na potência.

Falando em mercado brasileiro, é impossível não especular sobre o timing de uma possível chegada. A BYD tem sido agressiva por aqui, lançando modelos em ritmo acelerado. Mas será que o Song Ultra seria um passo natural? Em minha opinião, faz todo o sentido. O mercado de SUVs premium e de performance, ainda que nicho, é lucrativo e ajuda a elevar a percepção de valor de toda a marca. Um modelo como esse, posicionado acima do Song Pro, criaria um novo patamar de aspiração dentro do portfólio da BYD no Brasil.

E o que isso significa para os concorrentes diretos? Pense em modelos como o Volkswagen ID.4, o Ford Mustang Mach-E ou até mesmo o Tesla Model Y. O Song Ultra, com sua potência anunciada, se coloca como uma alternativa potencialmente mais acessível, mas não menos capaz, no quesito desempenho puro. A grande questão, como sempre no mundo elétrico, será o equilíbrio entre essa potência e a autonomia prática. Um SUV familiar que acelera como um esportivo é ótimo, mas se tiver que parar para carregar a cada 250 km, perde parte do seu apelo.

Tecnologia a bordo: O que podemos esperar?

Ainda sem imagens oficiais do interior, a especulação é inevitável – e parte da diversão. A BYD tem se destacado por seus interiores high-tech, e duvido que o Ultra seja exceção. A tela central giratória de 15,6 polegadas deve estar presente, é quase um ícone da marca. Mas será que veremos uma evolução? Talvez uma versão ainda maior, ou um sistema de infoentretenimento ainda mais fluido e integrado, aproveitando todo o poder de processamento que um carro deste calibre deve ter.

Os materiais também são um ponto de interesse. Nos modelos Song atuais, a qualidade de acabamento já impressiona pelo preço. No Ultra, é razoável esperar um salto: mais couro, mais acabamentos soft-touch, talvez até elementos decorativos específicos que destaquem seu status de topo de linha. Itens como bancos dianteiros com ajuste elétrico completo, massageador, aquecimento e ventilação são apostas quase certas. A BYD sabe que, para justificar o prefixo "Ultra", o ambiente interno precisa transmitir uma sensação de luxo e tecnologia à altura.

E os sistemas de assistência ao condutor? A plataforma e-Platform 3.0 da BYD, que deve servir de base para o Ultra, já oferece um pacote robusto. Espera-se que o carro venha com o DiPilot, o sistema de piloto automático adaptativo da marca, em sua versão mais completa. Isso incluiria funções como manutenção de faixa ativa, assistente de mudança de faixa, controle de cruzeiro adaptativo com stop&go e uma série de sensores e câmeras para segurança. É frustrante quando marcas reservam a tecnologia de ponta apenas para mercados específicos, então torço para que, se chegar ao Brasil, o Ultra venha equipado com tudo.

A bateria: O grande mistério e a chave para o sucesso

Voltemos ao ponto crucial: a bateria. A BYD é uma das poucas montadoras que domina toda a cadeia, desde a mineração do lítio até a produção das células Blade Battery. Essa tecnologia, conhecida por sua segurança e densidade energética, é um trunfo. Para alimentar 362 cavalos de forma sustentável, sem comprometer a autonomia, o Song Ultra provavelmente precisará de um pacote grande.

Será que veremos uma bateria de 90 kWh ou mais? É plausível. Ou talvez a BYD tenha otimizado a eficiência do motor e do sistema de gestão de energia a ponto de usar um pacote similar ao do Song L EV (por volta de 85 kWh) e ainda assim oferecer uma autonomia WLTP na casa dos 500 km. Essa é a matemática que define um carro elétrico: potência, peso da bateria e alcance. O desafio da engenharia é encontrar o ponto ideal. Se conseguirem algo próximo de 550 km de autonomia real, combinado com essa potência, terão um produto realmente convincente.

Outro aspecto é o carregamento. A potência de carregamento DC é tão importante quanto a autonomia total. Um carro deste porte e performance precisa recarregar rapidamente. Será que o Ultra trará suporte a carregamento ultrarrápido acima dos 150 kW? Em mercados onde a infraestrutura de carregamento de alta velocidade é mais comum, isso seria um diferencial decisivo. Afinal, de que adianta ter um motor superpotente se você passa mais tempo esperando na tomada?

E você, o que acha mais crucial: uma autonomia gigantesca acima de 600 km ou uma potência de carregamento que permita recuperar 80% da bateria em 20 minutos? Para mim, vivendo em uma cidade grande, a segunda opção muitas vezes faz mais sentido no dia a dia.

Preço e posicionamento: Um jogo de estratégia global

Finalmente, a pergunta de um milhão de dólares (ou de yuan): quanto vai custar? Posicionar o Song Ultra é um exercício delicado. Ele precisa ser significativamente mais caro que o Song Pro para justificar sua existência e não canibalizar suas vendas, mas não pode chegar perto do preço de um Tesla Model Y Performance, por exemplo, sob o risco de os compradores optarem pela marca estabelecida.

Na China, meu palpite é que ele se posicione como uma opção premium dentro da família Song, talvez 20-25% mais caro que o Song Pro mais equipado. Isso criaria uma escada de produtos clara para o consumidor. Para mercados internacionais como Europa e Brasil, a equação é mais complexa, envolvendo impostos de importação, custos de homologação e a estratégia de preço da marca localmente.

A BYD tem usado uma tática de valor agressivo para ganhar mercado. O Song Ultra pode ser a peça que mostra que eles também podem agregar valor através de performance e luxo, não apenas através do preço baixo. É um movimento ousado, mas necessário para qualquer marca que queira ser levada a sério no longo prazo. Afinal, construir uma imagem de marca forte vai além de vender muitos carros; requer produtos que inspirem desejo e admiração. O Song Ultra parece ser a primeira pedra desse caminho para a BYD na categoria SUV.

Com informações do: Quatro Rodas