A primeira unidade do novo Aston Martin Vantage S já está em solo brasileiro, marcando a chegada de um dos superesportivos mais aguardados do ano. Com um preço inicial que parte de R$ 2,7 milhões, o modelo promete entregar não apenas performance bruta, mas um nível de personalização que atende aos gostos mais exigentes do mercado de luxo. A UK Motors, representante da marca no país, trouxe um exemplar em uma combinação de cores que já chama a atenção antes mesmo de ligar o motor.

Aston Martin Vantage S em verde Chilles Green

Design e Personalização: Discreto, Mas Inconfundível

Para sua estreia por aqui, o Vantage S veio pintado no clássico tom verde Chilles Green – uma escolha que, diga-se de passagem, combina perfeitamente com a herança britânica da marca. Os detalhes em dourado nos frisos, grade, rodas e na tampa traseira adicionam um contraste luxuoso, quase como um assinatura personalizada. Por dentro, a cabine bicolor em marrom Bison Brown e bege Ice Mocha completa o visual.

As mudanças estéticas em relação ao Vantage comum são sutis, mas significativas para quem conhece. Novas lâminas no capô ajudam na refrigeração, o pequeno emblema "S" vermelho nos para-lamas identifica a versão, e um spoiler traseiro mais pronunciado é a alteração mais visível. É aquele tipo de atualização que não grita, mas comunica.

Detalhe do interior e traseira do Aston Martin Vantage S

Performance Atualizada: Mais Potência e Agilidade

Sob o capô, continua o conhecido V8 biturbo 4.0 litros, mas agora com uma importante revisão. A potência salta para 680 cv a 6.000 rpm, enquanto o torque atinge 81,6 kgfm – disponível em uma faixa ampla, entre 3.000 e 6.000 rpm. Parece muito? É porque é.

A Aston Martin não se contentou apenas com números no papel. Eles trabalharam na calibração do acelerador, na resposta do motor e no sistema Launch Control. O resultado prático? O 0 a 100 km/h agora é feito em 3,4 segundos, e o 0 a 200 km/h cai para 10,1 segundos. A velocidade máxima permanece em 325 km/h, mas a sensação ao volante deve ser bastante diferente.

Motor V8 biturbo do Aston Martin Vantage S

Chassi e Comportamento: Onde a Magia Acontece

Onde este carro realmente deve brilhar, na minha opinião, é nas alterações menos visíveis. A engenharia focou no chassi e na suspensão, com novos componentes de hardware, suportes de motor revisados e software de controle dinâmico atualizado. A proposta é clara: tornar o Vantage S mais ágil, previsível e com respostas mais imediatas ao comando do volante.

Isso é importante porque, em um carro com essa potência, a conectividade entre o motorista e a máquina faz toda a diferença. Não adianta ter números impressionantes no papel se o carro não comunicar o que está acontecendo nas rodas. Pelo que descrevem, a Aston Martin parece ter acertado nesta frente.

O câmbio automático ZF de oito marchas e o diferencial eletrônico completam o pacote, prometendo entregar a potência de forma inteligente e eficiente. Em estradas como as nossas, com superfícies variadas e curvas desafiadoras, um chassi bem ajustado vale tanto quanto cavalos extras.

E falando em estradas brasileiras, surge uma questão prática: como um superesportivo com essa configuração se comporta no nosso dia a dia? A suspensão, apesar do foco em performance, mantém modos de condução que prometem algum conforto. Mas vamos ser realistas – você não compra um Vantage S pensando em viagens longas ou buracos profundos. É um carro para momentos especiais, para estradas sinuosas bem pavimentadas ou, quem sabe, um track day ocasional.

O que me intriga é justamente o público-alvo dessa versão "S" no Brasil. Por quase R$ 300 mil a mais que o Vantage comum, o comprador ganha 25 cv adicionais, o pacote de chassis revisado e os detalhes estéticos exclusivos. Para alguns, pode parecer um upgrade incremental. Para outros, os verdadeiros entusiastas, essas mudanças sutis são exatamente o que transformam um grande carro esportivo em uma ferramenta de condução excepcional. É a diferença entre ter um instrumento musical e um Stradivarius.

O Mercado de Superesportivos no Brasil: Um Nicho em Expansão?

Lançar um carro nessa faixa de preço no atual cenário econômico é, no mínimo, um movimento ousado. A UK Motors parece confiante, e talvez com razão. Nos últimos anos, temos visto uma gradual – mas perceptível – expansão do mercado de carros de alto desempenho por aqui. Não são volumes expressivos, claro, mas existe uma clientela disposta a investir em máquinas que vão além do transporte.

O Vantage S compete em um espaço interessante. Ele não é um hipercarro de milhões de dólares, mas também está longe de ser um esportivo acessível. Posiciona-se como uma opção mais "usável" e focada no prazer de dirigir do que alguns de seus rivais alemães, que muitas vezes priorizam números de lap time acima da sensação ao volante. É uma filosofia diferente, e que encontra eco em um tipo específico de comprador.

E não podemos ignorar o fator personalização. Para quem está desembolsando R$ 2,7 milhões, a possibilidade de escolher cores únicas, combinações de interior e detalhes sob medida não é um mero extra – é parte fundamental da experiência de posse. A Aston Martin sempre entendeu isso, transformando cada carro em uma peça quase artesanal. O cliente não está apenas comprando um veículo; está encomendando um objeto de desejo personalizado.

Tecnologia e Conectividade: Atualizações Necessárias

Um ponto que sempre foi alvo de críticas nos Aston Martin mais antigos era o sistema de infotainment, muitas vezes considerado defasado em comparação com a concorrência. No novo Vantage S, a marca promete ter dado um salto significativo. A central agora é totalmente digital, com uma tela de 10,25 polegadas e suporte a Apple CarPlay e Android Auto sem fio.

Pode parecer um detalhe menor em um carro sobre rodas, mas na prática faz uma diferença enorme no uso diário. Ninguém quer ficar lutando contra um sistema confuso enquanto tem 680 cv esperando para serem liberados. A integração perfeita com o smartphone permite que você configure sua rota, escolha sua playlist e depois esqueça completamente a tela, focando apenas na estrada e no ronco do V8.

Os sistemas de assistência ao condutor também foram atualizados. Controle de cruzeiro adaptativo, alerta de ponto cego, frenagem autônoma de emergência e monitoramento de fadiga agora fazem parte do pacote. São tecnologias que, em um carro tão potente, funcionam mais como uma rede de segurança adicional – algo que qualquer proprietário, por mais experiente que seja, pode vir a apreciar em uma viagem longa ou no trânsito intenso.

E então temos a questão do som. Ah, o som! O escapamento do Vantage S foi retrabalhado não apenas para performance, mas para sonoridade. Dizem que em modo Sport ou Track, o V8 biturbo oferece uma sinfonia mais agressiva e visceral, com estalidos e roncos na desaceleração que são pura teatralidade mecânica. Em uma era onde muitos carros de performance estão se tornando mais silenciosos – ou pior, simulando ruídos por alto-falantes –, a aposta da Aston Martin em um caráter auditivo autêntico é refrescante. É uma das últimas conexões analógicas em um mundo cada vez mais digital.

Falando em freios, o pacote inclui discos de carbono-cerâmica como opção. Para uso em estrada, são quase um exagero – mas demonstram a seriedade com que a Aston Martin encara a parte dinâmica. Eles oferecem uma resistência à fadiga muito maior em situações de uso intenso, além de reduzirem o peso não suspenso. É um daqueles itens que você pode nunca explorar ao limite, mas que dão uma confiança extra quando se está dirigindo no limite da aderência.

No fim das contas, o novo Aston Martin Vantage S chega ao Brasil como uma declaração de intenções. Não é o carro mais rápido do mundo, nem o mais tecnológico, nem o mais luxuoso. Mas pode muito bem ser um dos mais carismáticos e envolventes de sua categoria. Num mercado onde as especificações no papel muitas vezes ditam as regras, a Aston Martin parece lembrar que dirigir é, acima de tudo, uma experiência emocional. E isso, talvez, seja seu maior trunfo.

Com informações do: Quatro Rodas