Se você é fã de jogos de terror, provavelmente já está acostumado com a ansiedade entre um lançamento e outro da série Resident Evil. Mas e se essa espera fosse drasticamente reduzida? Rumores recentes sugerem que a Capcom pode ter planos ambiciosos para manter a franquia no centro das atenções dos jogadores por um bom tempo. Vamos explorar o que está sendo dito e o que isso pode significar para o futuro de uma das séries mais icônicas dos videogames.

Imagem promocional da franquia Resident Evil

Um roteiro de lançamentos até o final da década

O insider Dusk Golem, figura conhecida (e por vezes polêmica) no cenário de vazamentos, trouxe à tona uma previsão que deixou a comunidade em polvorosa. Segundo ele, a Capcom estaria planejando um cronograma de lançamentos anuais para Resident Evil que se estenderia até 2029. A estratégia, aparentemente, daria um peso significativo aos remakes, revisitando títulos clássicos enquanto prepara o terreno para o futuro da série.

O plano traçado nas alegações segue uma linha do tempo específica:

  • 2026: O foco seria em Resident Evil Requiem, com a possibilidade de um DLC de história para amarrar pontas narrativas soltas. Dusk Golem mencionou em um

">post no X que o desenvolvimento do nono título principal sofreu atrasos, criando uma "lacuna" que Requiem preencheria.

  • 2027: Chegada do tão pedido Remake de Resident Evil – Code: Veronica. Este é um título que os fãs clamam há anos por uma versão moderna.

  • 2028: A vez seria do Remake de Resident Evil 0, o prelúdio da saga original.

  • 2029: O grande final deste ciclo: o lançamento de Resident Evil 10, marcando um novo capítulo principal na franquia.

  • É um cronograma tentador, não é? Mas é aí que a cautela precisa entrar em cena.

    A credibilidade das fontes e os precedentes da Capcom

    Vamos ser realistas: o mundo dos vazamentos de jogos é um campo minado. Dusk Golem, em particular, tem um histórico misto. Ele acertou em algumas ocasiões, mas também errou feio em outras. Colocar todas as suas fichas nesse roteiro seria um risco. O próprio insider admite que os planos podem mudar, especialmente com os tempos de desenvolvimento sendo tão voláteis. Resident Evil 10 escorregar para 2030, quebrando a sequência anual, é uma possibilidade que ele mesmo levanta.

    Além disso, há rumores conflitantes. Enquanto ele aposta em Code: Veronica, outros indícios, como uma possível classificação da ESRB, sugerem que um remake de Resident Evil 5 poderia estar nos planos. Qual rumo a Capcom vai seguir? Só o tempo dirá.

    Por outro lado, não podemos descartar a ideia completamente. A Capcom tem um precedente recente de lançamentos anuais bem-sucedidos. Olhe para o período entre 2019 e 2023: foi uma enxurrada de conteúdo. Tivemos os aclamados remakes de RE2, RE3 e RE4, o excelente Village (RE8) e até o modo online Re:Verse. Foi uma estratégia agressiva que, na maior parte, funcionou muito bem comercial e criticamente.

    Essa abordagem mostra que a empresa tem a capacidade e a confiança para manter um ritmo acelerado. E, francamente, faz sentido do ponto de vista de negócios. Manter uma franquia tão lucrativa constantemente nos holofotes, alternando entre novas experiências e remakes nostálgicos, é uma maneira poderosa de engajar a base de fãs e atrair novos jogadores.

    O que isso significa para os fãs e para a série?

    Se esses rumores forem verdadeiros, estamos diante de uma mudança de paradigma. A era de esperar quatro ou cinco anos por um novo Resident Evil pode estar chegando ao fim. Em seu lugar, teríamos um fluxo constante de conteúdo. Para o fã ávido, isso soa como um sonho. Mas também levanta questões sobre a saturação e a qualidade.

    Lançamentos anuais podem ser um terreno perigoso. A pressão sobre as equipes de desenvolvimento é enorme, e o risco de burnout e de jogos mal polidos aumenta. A própria Capcom já sentiu isso no passado, com certas entradas da série sendo criticadas por parecerem apressadas. O desafio será equilibrar quantidade com a qualidade e inovação que tornaram a série famosa.

    E os remakes? Eles são uma aposta segura. Revisitar Code: Veronica e RE0 com a tecnologia do RE Engine seria, sem dúvida, incrível. Mas eu me pergunto: até que ponto a nostalgia pode sustentar a franquia? Eventualmente, a série precisará avançar com ideias verdadeiramente novas para evitar a estagnação. Resident Evil 10 no horizonte é um sinal promissor de que a Capcom entende essa necessidade.

    No fim das contas, esses rumores pintam um futuro emocionante, porém incerto, para Resident Evil. Eles refletem o apetite insaciável por mais conteúdo de uma das franquias mais resilientes da indústria. Resta saber se a Capcom conseguirá entregar essa visão ambiciosa sem comprometer a alma do que torna esses jogos especiais. A jornada para descobrir isso, aliás, promete ser tão cheia de sustos quanto qualquer encontro com um Licker.

    Mas vamos pensar um pouco além do cronograma em si. O que realmente significaria, na prática, uma estratégia de lançamentos tão agressiva? Para começar, isso provavelmente exigiria um rearranjo interno significativo na Capcom. A empresa já opera com múltiplas equipes trabalhando em paralelo nos projetos da franquia – um modelo que ficou evidente com a sobreposição de desenvolvimento entre RE Village, o remake de RE4 e, supostamente, o próximo título. Para manter um ritmo anual sustentável até 2029, essa estrutura teria que ser ampliada ou otimizada ao extremo.

    Imagine a logística: enquanto uma equipe finaliza os retoques finais em um remake para 2027, outra já estaria em pré-produção avançada de RE10 para 2029, e um terceiro grupo talvez começasse a explorar conceitos para o que vem depois. É uma máquina bem oleada, mas que depende de uma criatividade e um vigor que não podem esgotar. A pressão por inovação dentro de um cronograma tão rígido é, digamos, assustadora.

    O dilema criativo: entre a nostalgia e a ousadia

    Aqui reside, talvez, o ponto mais interessante de toda essa discussão. A estratégia alegada alterna claramente entre remakes (considerados "projetos mais seguros" em termos de apelo ao público e de escopo de desenvolvimento) e novas entradas principais. É um balanço inteligente, quase como um sistema de respiro. Os remakes geram caixa e mantêm o engajamento alto, financiando e abrindo espaço para os riscos maiores e o ciclo de desenvolvimento mais longo dos jogos totalmente novos.

    No entanto, isso coloca uma questão de fundo: os remakes estão se tornando a espinha dorsal da franquia? E até que ponto isso é saudável? Revisitar Code: Veronica seria um evento monumental para os fãs mais antigos – eu mesmo tenho memórias vívidas da atmosfera claustrofóbica da mansão Ashford. Mas e depois? Um remake de Resident Evil 5, como outros rumores sugerem, já é um território mais complexo. Lançado originalmente em 2009, ele é um jogo de uma era diferente, com um foco muito maior em ação cooperativa. Sua modernização exigiria mudanças mais profundas e controversas do que as feitas em RE2 ou RE4.

    Por outro lado, a simples menção a Resident Evil 10 já é suficiente para soltar a imaginação. Para onde a série pode ir depois dos acontecimentos de Village e do seu DLC? A história da família Winters parece ter encontrado uma conclusão, abrindo espaço para um novo protagonista, uma nova ameaça bioterrorista ou mesmo um retorno a personagens icônicos como Jill Valentine ou Leon S. Kennedy em um contexto totalmente novo. A expectativa por uma nova direção narrativa é palpável.

    O impacto no mercado e a reação dos fãs

    Do ponto de vista comercial, é difícil argumentar contra a lógica. Resident Evil é uma máquina de fazer dinheiro. O remake de RE4 vendeu milhões de cópias em tempo recorde, provando que o apetite por essas releituras está longe de ser saciado. Manter a franquia constantemente em evidência a torna um pilar para a Capcom, estabilizando receitas e garantindo relevância no competitivo mercado de games AAA.

    Mas e os fãs? A comunidade é diversa. Alguns celebrariam a chance de jogar um novo título da franquia todo ano, mesmo que alternando entre remake e jogo novo. Para outros, porém, parte da magia de Resident Evil sempre foi aquele período de antecipação, a especulação selvagem que preenche os anos entre um lançamento e outro. Um ritmo anual poderia, paradoxalmente, banalizar a experiência, transformando cada lançamento em um evento mais corriqueiro. Lembro-me da empolgação única que cercou o anúncio de RE7, após anos de afastamento da fórmula de terror puro. Será que teríamos espaço para uma reinvenção tão radical em um cronograma tão apertado?

    Há também o risco do cansaço por parte da mídia especializada e dos influenciadores. Com tantos lançamentos, a cobertura poderia se tornar mais superficial, e cada jogo teria menos tempo no centro das atenções antes do próximo chegar e roubar o holofote. É um ciclo que vemos em outras franquias anuais, e nem sempre é benéfico para a percepção de profundidade e qualidade de cada título individual.

    E não podemos esquecer do elefante na sala: a qualidade. O maior temor de qualquer fã é que a pressão por lançar um jogo por ano leve a cortes de conteúdo, bugs no lançamento ou uma falta de polimento final. A Capcom construiu uma reputação sólida com o RE Engine, mas até os melhores estúdios podem tropeçar sob prazos inflexíveis. A pergunta que fica é: a empresa está disposta a adiar um jogo, quebrando a sequência anual prometida, se for necessário para garantir sua qualidade? A história recente deles sugere que sim, mas a pressão comercial de um plano tão divulgado internamente seria enorme.

    Enquanto aguardamos por um comunicado oficial da Capcom – que provavelmente virá apenas quando eles estiverem prontos para anunciar o próximo jogo –, esses rumores servem como um fascinante exercício de especulação. Eles revelam os desejos da base de fãs, as possibilidades lógicas do mercado e os enormes desafios de se manter uma franquia de elite relevante por mais de três décadas. Cada novo vazamento, cada novo rumor, é como encontrar um fragmento de um arquivo espalhado por um corredor escuro da Umbrella: dá uma pista do que está por vir, mas a imagem completa permanece intencionalmente obscura e cheia de perigos potenciais.

    Com informações do: Adrenaline