Quem diria que, décadas depois de Link pegar sua primeira espada no Famicom Disk System, a Nintendo ainda teria surpresas na manga? Em uma jogada que pegou muitos fãs de surpresa, a empresa lançou atualizações inesperadas para The Legend of Zelda: Breath of the Wild e Tears of the Kingdom, exatamente quando a série se prepara para celebrar seu 40º aniversário em 21 de fevereiro. É um presente para os jogadores e um lembrete do cuidado que a Nintendo ainda dedica a seus títulos, mesmo anos após o lançamento.

Zelda: Breath of the Wild ganha update surpresa nos 40 anos da série

O que há de novo nos jogos?

Vamos começar pelo mais antigo. Breath of the Wild, aquele jogo que revolucionou tudo em 2017, recebeu a atualização 1.9.0. A adição mais notável é o suporte a legendas em taiwanês, um recurso que, curiosamente, é exclusivo do Switch 2. Isso meio que dá um gostinho do que o hardware futuro pode oferecer em termos de localização, não é? Além disso, a Nintendo prometeu uma série de correções de bugs para "melhorar a experiência de gameplay". São aqueles ajustes invisíveis que, no fim do dia, fazem tudo funcionar mais suavemente.

Tears of the Kingdom recebeu um patch mais técnico, a versão 1.4.3. O destaque aqui é a correção de um problema específico e, vamos combinar, bem irritante: derrotar o Hinox Negro no Castelo de Hyrule não deve mais causar travamentos ou comportamentos estranhos. A atualização também traz melhorias gerais de estabilidade e desempenho. Parece pouco, mas para quem já passou horas explorando Hyrule, saber que a aventura está mais polida é sempre uma boa notícia.

Rumores e o futuro incerto de Hyrule

Enquanto esses updates cuidam do presente, a pergunta que não quer calar é: para onde vai a série a partir daqui? Após dois capítulos monumentais que praticamente redefiniram o conceito de mundo aberto, qual será o próximo passo da Nintendo?

Os rumores, é claro, já começaram a circular. Um vazamento de janeiro sugere que a engine usada em Breath of the Wild e Tears of the Kingdom será mantida para a próxima aventura, que supostamente exploraria elementos de realidades paralelas. Honestamente, não é uma ideia tão surpreendente assim. A franquia Zelda já brincou com conceitos de tempo, dimensões e mundos espelhados em vários de seus jogos. A pergunta é: como a Nintendo inovaria dentro dessa premissa?

Zelda: Breath of the Wild ganha update surpresa nos 40 anos da série

A única pista oficial veio do produtor da série, Eiji Aonuma, em dezembro do ano passado. Ele mencionou que o próximo capítulo poderia se inspirar no spin-off Age of Imprisonment (exclusivo do Switch 2), indicando um possível foco maior na ação. Será que veremos um Link ainda mais ágil e com um combate mais profundo? A possibilidade é tentadora.

Mas a Nintendo é famosa por seu secretismo. A forma como a empresa celebrará os 40 anos da série é uma incógnita total. Pode ser um grande anúncio, uma coletânea especial, ou uma comemoração mais discreta, focada em eventos na comunidade. E não podemos esquecer que, em 2027, teremos a estreia do filme live-action de Zelda. Talvez o próximo grande capítulo da franquia não seja nos games, mas nos cinemas.

Fontes: Nintendo Life, ScreenRant

E pensar que Breath of the Wild já tem quase uma década. É impressionante como a Nintendo continua a dar suporte a um jogo que, tecnicamente, já completou seu ciclo de vida. Isso fala muito sobre a filosofia da empresa, que parece tratar seus títulos principais como plataformas vivas, não como produtos descartáveis. Você já parou para pensar quantos jogos de mundo aberto de 2017 ainda recebem patches hoje em dia? A lista não é longa.

O suporte a legendas em taiwanês, em particular, é um detalhe fascinante. Não é apenas uma adição de idioma; é um sinal. Um sinal de que a Nintendo está olhando para mercados específicos e preparando o terreno para o Switch 2. A localização é um processo caro e demorado, então incluir isso em um update tardio sugere um planejamento de longo prazo. Será que veremos mais recursos "pró-futuro" sendo implantados em jogos antigos? É uma estratégia inteligente para construir uma ponte entre gerações de consoles.

O legado de uma revolução e o peso da expectativa

Falar sobre o futuro de Zelda é, inevitavelmente, falar sobre o legado esmagador de Breath of the Wild. O jogo não só redefiniu a franquia, mas colocou uma nova régua para todo o gênero de mundo aberto. Tears of the Kingdom conseguiu a proeza de expandir essa fórmula de maneira criativa, mas a pergunta que paira no ar é: até onde essa abordagem pode ser esticada?

Na minha experiência, jogar os dois títulos em sequência deixa claro um desafio. A sensação de descoberta absoluta, de pisar em um Hyrule desconhecido e quebrado, foi um momento único. Tears of the Kingdom tentou recriar isso com as Sky Islands e o Depths, mas parte da magia da primeira exploração é, por definição, irreplicável. A Nintendo agora enfrenta o dilema de todo artista após um sucesso retumbante: repetir a fórmula com risco de saturação, ou arriscar uma mudança radical que pode alienar fãs?

Os rumores de realidades paralelas me fazem voltar a títulos como A Link to the Past e Ocarina of Time. Esses jogos não usavam mundos alternativos apenas como cenários diferentes; eles os integravam profundamente à narrativa e à jogabilidade. O Mundo das Trevas não era só uma paleta de cores invertida; era um lugar mais hostil, com inimigos mais fortes e segredos interligados com o mundo da luz. Se a próxima aventura for por esse caminho, espero que a Nintendo aproveite para trazer de volta essa sensação de interdependência, onde suas ações em uma dimensão tenham consequências diretas e interessantes na outra.

E o tal foco na ação que Aonuma mencionou? Isso é algo que sempre dividiu a base de fãs. Alguns adoram o combate estratégico e baseado em recursos de jogos recentes, enquanto outros sentem falta da precisão e da variedade de ataques de títulos como Twilight Princess. Encontrar um equilíbrio aqui será crucial. Talvez a resposta não esteja em simplesmente tornar o combate mais complexo, mas em integrá-lo de forma mais orgânica ao ambiente. Imagine usar os poderes de manipulação de objetos de Tears of the Kingdom em tempo real durante uma luta contra um chefe, criando armadilhas ou plataformas dinâmicas. As possibilidades são enormes.

Além dos games: um universo em expansão

Enquanto especulamos sobre o próximo jogo, é fácil esquecer que Zelda já transcendeu os videogames há muito tempo. A série tem uma presença forte em merchandising, livros de arte, trilhas sonoras orquestradas e, agora, está prestes a dar seu maior salto midiático. O filme live-action é um ponto de interrogação gigante, mas também uma oportunidade única.

O sucesso (ou fracasso) desse filme pode redirecionar completamente os recursos e a atenção da Nintendo para a franquia. Um sucesso estrondoso como o de Super Mario Bros. poderia acelerar planos para séries animadas, mais filmes ou até mesmo parques temáticos. Por outro lado, a Nintendo é conhecida por ser extremamente protetora com seus personagens. Qualquer adaptação que não capture o espírito de aventura, descoberta e melancolia suave da série será vista como uma traição. O diretor Wes Ball tem a tarefa hercúlea de agradar tanto aos fãs de longa data quanto a um público mainstream que talvez nunca tenha segurado um controle.

E os 40 anos? A Nintendo tem um histórico... peculiar com aniversários. Às vezes eles soltam uma coletânea incrível, como Super Mario 3D All-Stars. Outras vezes, a comemoração se resume a alguns tweets e merchandising novo. Dado o tamanho e a importância da franquia Zelda, acho difícil que a data passe em branco. Mas o que seria digno de quatro décadas de lendas? Um remake de The Wind Waker ou Twilight Princess para o Switch 2? O relançamento dos jogos clássicos em uma nova coleção? Ou algo completamente inesperado, como um novo jogo spin-off focado em um personagem secundário?

O que esses updates surpresa nos mostram, no fim das contas, é que a história de Hyrule está longe de terminar. Ela está sendo constantemente reescrita, remendada e melhorada, mesmo nos capítulos que já consideramos completos. Cada patch, cada rumor, cada declaração de um produtor é uma peça de um quebra-cabeça maior. E talvez a maior lição dos 40 anos de Zelda seja justamente essa: a aventura nunca para de evoluir. Resta saber se nós, jogadores, estamos preparados para o próximo salto no escuro.

Com informações do: Adrenaline