O lançamento do Nintendo Switch 2 em junho de 2025 foi, sem dúvida, um sucesso estrondoso, superando até mesmo os números iniciais do seu antecessor de 2017. Mas, como acontece com muitos produtos de grande hype, o ritmo frenético das primeiras vendas nem sempre se sustenta. E foi exatamente isso que os dados do final do ano passado mostraram: uma desaceleração significativa que deixou muitos analistas e fãs coçando a cabeça. O que será que aconteceu? Seria apenas um cansaço natural do mercado, ou há fatores mais complexos em jogo?

Os números que contam a história
Os relatórios são claros e um tanto surpreendentes. Segundo análises do The Game Business e da NielsenIQ, o Switch 2 fechou o ano de 2025 com vendas 35% menores do que as do Switch original no mesmo período pós-lançamento nos Estados Unidos. No Reino Unido, a queda foi um pouco mais branda, mas ainda assim significativa: 16%. Na superfície, esses dados pintam um quadro preocupante. Mas, como sempre, o diabo está nos detalhes.
Aqui está um ponto crucial que muitas análises iniciais podem ter ignorado: a Nintendo não está vendendo apenas um console. Ela mantém duas gerações do Switch no mercado simultaneamente. E, curiosamente, quando você soma as vendas combinadas do Switch 2 e do Switch original no final de 2025, o resultado é 7% superior ao que a empresa vendeu no mesmo período de 2017. Isso muda completamente a perspectiva, não é mesmo? Em vez de uma simples queda, temos um cenário de migração de consumidores e uma estratégia de portfólio que parece estar funcionando, pelo menos em parte.
E não podemos esquecer que, apesar da desaceleração no último trimestre, o Switch 2 ainda mantém um ritmo cumulativo mais rápido que o do seu antecessor. A Nintendo já havia anunciado a venda de mais de 10 milhões de unidades até setembro, um marco impressionante que ajuda a compensar a queda posterior. Na minha opinião, focar apenas no trimestre fraco é como julgar um filme apenas pelo seu segundo ato.
O cenário por trás dos gráficos
A própria Nintendo atribuiu parte do desempenho a um "cenário econômico complicado". E eles não estão sozinhos nessa. A Circana, empresa de análise de mercado, apontou que novembro de 2025 foi um mês historicamente ruim para vendas de hardware e software nos EUA, afetando não só a Nintendo, mas também a Xbox Series X|S e PlayStation 5. Parece que a instabilidade econômica global, com rumores de aumentos de preços pairando no ar, fez muitos consumidores apertarem o cinto e repensarem compras de alto valor.
Mas será que a economia é a única culpada? Talvez não. A Nintendo também mencionou a falta de um "grande título ocidental" durante a temporada de Natal. E isso é um ponto interessante. O final do ano é tradicionalmente movido por lançamentos blockbuster, e a ausência de um desses títulos-âncora para o Switch 2 pode ter feito com que os jogadores casuais, aqueles que compram consoles impulsionados por jogos específicos, adiassem sua compra. Enquanto isso, o catálogo robusto e consolidado do Switch original continuava atraindo quem buscava opções mais acessíveis e uma biblioteca já vasta.
Olhando para frente, a perspectiva para 2026 parece envolta em uma névoa de incerteza. As três grandes fabricantes – Nintendo, Microsoft e Sony – ainda não revelaram completamente suas cartadas para o ano. Sem uma linha clara de grandes lançamentos anunciados, é difícil para os consumidores se animarem e para os analistas preverem uma recuperação robusta. É um jogo de espera, e o mercado de jogos, como sabemos, vive de antecipação e hype.
Fonte: VGC
O que os jogos (ou a falta deles) têm a ver com isso?
É quase um clichê, mas vale repetir: consoles são vendidos por jogos. E aí reside um dos pontos mais delicados da análise. O Switch 2 chegou com um lançamento forte, é verdade, mas o pipeline de títulos exclusivos de "próxima geração" parece ter dado uma pausa para respirar no segundo semestre. Enquanto o Switch original segue com um fluxo constante de lançamentos e remasters (que, vamos combinar, ainda vendem muito bem), o novo hardware ficou um pouco órfão de um killer app natalino.
Pense comigo: quantas pessoas você conhece que compraram um PlayStation 5 só para jogar o novo God of War ou um Xbox Series X pelo Starfield? Esse fenômeno é real. A ausência de um título ocidental de peso, como a Nintendo mesmo admitiu, criou um vácuo. O consumidor que já tinha um Switch original pode ter pensado: "Para que trocar agora se meus jogos antigos ainda funcionam e não tem um jogo novo que eu preciso jogar?" É uma lógica cruel, mas compreensível.
E isso nos leva a uma reflexão sobre a estratégia da Nintendo. A empresa sempre marchou ao som do seu próprio tambor, focando em uma proposta de valor única – a portabilidade híbrida – em vez de apenas poder bruto. Com o Switch 2, eles refinam essa fórmula, mas não a revolucionam. Será que, para uma parcela do mercado, a atualização não pareceu suficientemente urgente? Especialmente quando o modelo anterior ainda recebe suporte e tem uma biblioteca de mais de 10.000 títulos? É uma pergunta que deve estar tirando o sono de muitos em Kyoto.
O fantasma do preço e a sombra da próxima geração
Outro elefante na sala é o preço. Rumores sobre um possível aumento do Switch 2 circulavam desde meados do ano, alimentados pela inflação global e custos de componentes. A Nintendo nunca confirmou, mas o simples boato pode ter um efeito paralisante. Por que comprar hoje se amanhã pode ficar mais caro? Pior: por que comprar hoje se amanhã pode baratear em uma promoção? Essa hesitação do consumidor, em um período de incerteza econômica, é um veneno para as vendas no varejo.
E tem mais. A indústria vive de olho no futuro. Com a PlayStation 5 Pro no horizonte e rumores constantes sobre o que a Microsoft pode estar planejando, parte do público mais hardcore pode estar adotando uma postura de "esperar para ver". Se o Switch 2 é uma evolução iterativa do conceito original, alguns jogadores podem estar ponderando se não vale a pena esperar por uma revisão do hardware (um tal de "Switch 2 Pro" ou modelo revisado) ou até mesmo ver como a concorrência vai responder.
É um cenário complexo. De um lado, você tem a base fiel da Nintendo, que compra no lançamento quase por instinto. Do outro, está o público mais amplo e casual, que é volátil, sensível ao preço e precisa de um motivo muito claro para abrir a carteira. No final de 2025, parece que este segundo grupo simplesmente não encontrou motivo suficiente.
Mas calma, antes de entoarmos um réquiem para o Switch 2, é bom lembrar que a Nintendo é mestre em surpreender. A história do videogame está cheia de consoles que tiveram um começo lento para depois decolarem de forma espetacular. O próprio PlayStation 3 é um exemplo clássico. Tudo pode mudar com um único anúncio: um novo Zelda, um Metroid Prime 4 finalmente concretizado, ou uma revisão de preço agressiva. A empresa tem um histórico de jogadas estratégicas que viram o jogo quando ninguém espera.
O que me intriga, no fim das contas, é como esse momento será internalizado pela Big N. Eles vão dobrar a aposta na estratégia de suporte duplo aos dois consoles? Vão acelerar freneticamente o lançamento de jogos de primeira linha para o Switch 2? Ou vão confiar no seu planejamento de longo prazo, acreditando que essa é apenas uma turbulência passageira no voo? A resposta a essas perguntas vai definir não só o sucesso do Switch 2 em 2026, mas também o tom da próxima década para uma das empresas mais icônicas dos jogos.
Com informações do: Adrenaline











