Gaten Matarazzo, conhecido mundialmente por interpretar o adorável Dustin Henderson em Stranger Things, revelou recentemente sua nova paixão: The Legend of Zelda: Tears of the Kingdom. Mas o que realmente chama atenção não é apenas o fato de ele ser mais um jogador viciado no título da Nintendo - é a maneira como ele encontra conexões surpreendentes entre o universo de Hyrule e a série da Netflix que o tornou famoso.

Um ator que também é gamer

Matarazzo, que cresceu diante dos olhos do público enquanto interpretava Dustin, sempre foi bastante vocal sobre seus hobbies fora das telas. E diferente de muitos colegas de profissão que mantêm uma imagem mais reservada, ele não hesita em compartilhar suas paixões geek com os fãs.

Em entrevista recente, o ator confessou estar completamente imerso no mundo de Tears of the Kingdom, o que não é exatamente uma surpresa considerando a recepção esmagadoramente positiva do jogo. Mas o que me faz pensar é: quantas outras celebridades estão passando suas horas livres explorando Hyrule sem que a gente saiba?

Conexões entre mundos aparentemente distantes

O que realmente intriga na declaração de Matarazzo são as similaridades que ele identifica entre Stranger Things e a franquia Zelda. E quando você para para analisar, algumas paralelos realmente começam a fazer sentido.

Ambas as narrativas giram em torno de grupos de amigos enfrentando forças sobrenaturais que ameaçam destruir seu mundo. Em Stranger Things, temos o Mundo Invertido; em Zelda, diversos reinos e dimensões paralelas. Os protagonistas de ambas as obras - Eleven e Link - carregam responsabilidades enormes sobre seus ombros, precisando salvar não apenas seus amigos, mas toda a realidade como a conhecem.

E não podemos esquecer dos vilões - desde Vecna até Ganondorf, ambos representam ameaças ancestrais que ressurgem para desafiar a ordem estabelecida. É fascinante como narrativas aparentemente tão distintas podem compartilhar estruturas tão similares.

Por que essa intersecção importa

O que a experiência de Matarazzo nos mostra é que, independentemente da fama ou sucesso, as paixões genuínas transcendem as barreiras profissionais. Ver um ator de uma das séries mais populares da atualidade compartilhar entusiasmo por um jogo que milhões de pessoas também amam cria uma conexão autêntica com o público.

Na minha opinião, essa transparência sobre hobbies e interesses pessoais humaniza figuras públicas de uma maneira que nenhum roteiro cuidadosamente elaborado conseguiria. Quando Matarazzo fala sobre suas aventuras em Hyrule, ele deixa de ser apenas "o ator de Stranger Things" e se torna mais um membro da comunidade gaming.

E isso me faz questionar: quantas outras histórias de conexões entre diferentes universos de entretenimento estamos perdendo porque assumimos que celebridades vivem em uma bolha separada da nossa?

Matarazzo mencionou especificamente como a construção de dispositivos e soluções criativas em Tears of the Kingdom lembra a maneira como seu personagem, Dustin, frequentemente improvisa tecnologia usando peças encontradas pelo caminho. "É basicamente o que o Dustin faria se tivesse acesso aos poderes de Ultrahand", brincou o ator em uma entrevista. Essa observação me fez perceber quantas vezes, tanto na série quanto no jogo, a solução para problemas complexos vem justamente dessa capacidade de combinar elementos aparentemente desconexos.

A jornada do herói em diferentes mídias

O que me surpreende é como Matarazzo, vivendo diariamente o processo criativo de Stranger Things, consegue identificar esses padrões narrativos universais. Ele comentou sobre como tanto Link quanto os personagens da série passam por transformações significativas - o herói de Hyrule começa fraco e vulnerável, assim como as crianças de Hawkins precisam amadurecer rapidamente para enfrentar ameaças sobrenaturais.

E não são apenas os protagonistas que seguem essa trajetória. Personagens secundários em ambas as obras frequentemente têm seus próprios arcos de desenvolvimento. Pense em Sidon, em Zelda, ou em Steve Harrington, em Stranger Things - ambos começam de uma maneira e evoluem para se tornarem figuras fundamentais na luta contra o mal. É quase como se existisse uma receita narrativa que transcende mídias e gerações.

O elemento da descoberta compartilhada

Uma das coisas mais interessantes que Matarazzo destacou foi a sensação de descoberta que ambos os universos proporcionam. Em Stranger Things, os personagens estão constantemente descobrindo segredos sobre o Mundo Invertido e os experimentos do governo. Em Tears of the Kingdom, jogadores exploram as Sky Islands, as Depths, e recriam a superfície de Hyrule.

"Há uma emoção genuína em ambos os casos", explicou o ator. "Quando você está gravando uma cena importante de Stranger Things, há essa tensão de descobrir o que vem a seguir. E quando estou jogando Zelda, é a mesma sensação - aquela curiosidade sobre o que está atrás da próxima montanha ou dentro da próxima caverna."

E ele tem razão. Ambos os universos dominam a arte do pacing - saber quando revelar informações e quando manter o mistério. Quantas vezes ficamos até tarde da noite assistindo Stranger Things porque "só mais um episódio"? E quantas vezes dizemos a mesma coisa sobre "só mais um santuário" em Tears of the Kingdom?

A importância do grupo versus o herói solitário

Uma diferença crucial que Matarazzo apontou - e que eu acho particularmente fascinante - é a dinâmica entre o indivíduo e o grupo. Enquanto Link geralmente trabalha sozinho (com a ajuda ocasional de companheiros), os heróis de Stranger Things são fundamentalmente um coletivo. Dustin, Mike, Lucas, Will e Eleven são mais fortes juntos, e a série constantemente reforça que é sua amizade que os permite superar desafios aparentemente impossíveis.

Mas e se pensarmos em Link não como um verdadeiro solitário, mas como um catalisador que une diferentes raças e facções de Hyrule? Talvez a diferença não seja tão grande quanto parece. Em ambas as narrativas, o sucesso depende de construir alianças e entender que ninguém salva o mundo completamente sozinho.

Matarazzo mencionou que essa reflexão inclusive influenciou como ele vê seu próprio personagem agora. "Dustin sempre foi o cara das soluções tecnológicas, mas recentemente comecei a pensar nele como o 'Link' do grupo - não no sentido de ser o protagonista absoluto, mas no papel de conector, de alguém que usa ferramentas e conhecimento para unir as pessoas."

E isso me faz pensar: quantos outros atores e criadores encontram inspiração para seu trabalho em hobbies e paixões aparentemente não relacionados? Quantas conexões criativas estamos perdendo por manter muito rigidamente separados nosso trabalho e nosso lazer?

A experiência de Matarazzo sugere que talvez devêssemos abraçar mais essas intersecções. Quem sabe quais insights criativos podem surgir quando permitimos que nossos diferentes interesses conversem entre si? Quando um ator encontra paralelos entre seu papel em uma série de sucesso e um jogo que ama, ele não está apenas compartilhando um hobby - está nos mostrando como a criatividade realmente funciona: através de conexões inesperadas entre mundos aparentemente desconexos.

Com informações do: IGN Brasil