A AMD lançou uma nova atualização de driver que vai além das correções de rotina. O Adrenalin 26.3.1, certificado WHQL, chega com otimizações de dia zero para dois grandes lançamentos e, mais importante, introduz oficialmente o FSR 4.1 para os proprietários das novas placas Radeon RX 9000. É uma atualização que mistura suporte imediato para jogadores com um vislumbre do futuro do upscaling baseado em IA da empresa.

O que há de novo para os jogadores

Se você está ansioso para mergulhar em Crimson Desert ou na sequência de Hideo Kojima, Death Stranding 2: On the Beach, essa atualização é para você. A AMD garantiu suporte de lançamento para ambos os títulos, o que promete uma experiência mais estável e otimizada desde o primeiro minuto de jogo.

E falando em Crimson Desert

FSR 4.1: A evolução do upscaling com IA

Aqui está a grande atração para quem investiu na geração mais recente. O FSR Upscaling 4.1 chega oficialmente às placas da série Radeon RX 9000 (RDNA 4). A AMD promete uma qualidade de imagem mais nítida, com detalhes mais finos preservados e um movimento de câmera mais suave durante o upscaling baseado em aprendizado de máquina.

O modo Ultra Performance também recebeu ajustes, visando extrair taxas de quadros ainda mais altas. É um movimento interessante, pois mostra que a empresa não está focando apenas na qualidade, mas também em oferecer opções para quem prioriza fluidez máxima.

Agora, um ponto importante – e um pouco frustrante para muitos: o FSR 4 e suas atualizações continuam restritos às RX 9000. Se você tem uma placa RDNA 3 ou mais antiga, o suporte oficial ainda não chegou. A comunidade de modders, é claro, já está fuçando para tentar fazer funcionar em hardware mais velho, mas para o usuário comum, a espera continua.

Correções urgentes e problemas persistentes

Nenhum driver está completo sem sua lista de correções, e o 26.3.1 resolve alguns problemas chatos. Um crash específico no Cyberpunk 2077 ao carregar saves com Path Tracing foi resolvido. Também foi corrigida uma perda intermitente de resposta do mouse e teclado que acontecia ao interagir com o painel do software AMD – algo que poderia tirar qualquer um do sério no meio de uma partida online.

Mas nem tudo são flores. A AMD listou alguns "problemas conhecidos" que ainda não foram resolvidos. O mais notável envolve o Battlefield 6. Usuários com o processador Ryzen AI 9 HX 370 podem enfrentar crashes, e a empresa afirma estar trabalhando com a desenvolvedora para uma correção. Também há relatos de problemas com o FSR aparecendo como inativo no painel para algumas RX 9000 no mesmo jogo.

Fora isso, Death Stranding 2 pode apresentar crashes intermitentes em GPUs da série RX 5000, e RoadCraft tem problemas relatados nas RX 9000. É sempre bom dar uma olhada nessa lista antes de atualizar, especialmente se você joga algum desses títulos.

Uma colaboração que define o futuro

Talvez o aspecto mais fascinante dessa atualização não seja apenas o que ela faz, mas de onde vem. O FSR 4.1 é baseado na mesma rede neural que impulsiona a PSSR 2.0, a tecnologia de upscaling do PS5 Pro. Ambas são frutos do Project Amethyst, uma parceria de 2023 entre AMD e Sony para desenvolver IA gráfica.

Isso cria um cenário curioso. A Sony já admitiu que o algoritmo do PS5 Pro tem origem direta nessa colaboração, e que os jogadores de PC já estavam usufruindo dos benefícios com o FSR 4. A versão do console, segundo eles, chega com seis meses extras de refinamento. É uma relação simbiótica rara entre PC e console, onde o desenvolvimento de uma plataforma alimenta diretamente a outra.

Para o usuário de PC com uma RX 9000, essa atualização solidifica o FSR como uma opção viável na crescente guerra do upscaling por IA. Com a NVIDIA investindo pesado no DLSS e a Intel no XeSS, a AMD precisa mostrar que seu caminho baseado em software e colaborações de largo alcance pode competir. O fato de a tecnologia deles estar no coração do PS5 Pro é um argumento de peso.

O download do driver Adrenalin 26.3.1, que pesa cerca de 2 GB, está disponível no site oficial da AMD. A empresa recomenda o uso da AMD Cleanup Utility antes de instalar, especialmente se você estiver fazendo um downgrade de uma versão mais recente. A compatibilidade abrange desde as RX 5000 até as novas RX 9000, tanto em desktops quanto em notebooks.

Mas vamos falar um pouco mais sobre essa relação PC-console, porque ela é mais profunda do que parece à primeira vista. Quando a AMD e a Sony anunciaram o Project Amethyst, muita gente pensou que seria apenas mais uma parceria de fornecimento de chips. A verdade é que eles estavam cozinhando algo muito mais ambicioso: uma arquitetura de IA gráfica que pudesse ser adaptada tanto para o ecossistema fechado de um console quanto para o mundo aberto e fragmentado do PC gaming. E isso é, francamente, um desafio monumental.

Pense no seguinte: no PS5 Pro, a Sony controla todo o hardware e software. Eles sabem exatamente qual é o processador, quanta memória tem, como o sistema operacional funciona. É um ambiente controlado. No PC? Bom, as variáveis são infinitas. Processadores diferentes, quantidades de RAM diferentes, placas-mãe diferentes, até mesmo a versão do Windows pode influenciar. Criar uma tecnologia de upscaling por IA que funcione bem nesse caos todo é como tentar ensinar uma receita de bolo para milhares de pessoas, cada uma com um forno diferente e ingredientes de marcas distintas.

O que o FSR 4.1 realmente entrega na prática?

Os comunicados oficiais falam em "qualidade de imagem mais nítida" e "movimento mais suave", mas o que isso significa quando você está jogando? Baseado nos primeiros testes que começaram a surgir em fóruns especializados, a impressão é que o salto do FSR 4 para o 4.1 é mais sutil do que revolucionário. Não é uma mudança do dia para a noite como foi do FSR 2 para o 3.

Os ganhos parecem estar mais nos cantos da imagem e em elementos de alta frequência, como fios de cabelo, grama ou texturas de tecido. O "ghosting" – aquele efeito fantasma que objetos em movimento rápido às vezes deixam para trás – parece ter sido reduzido, especialmente em modos como o Quality ou Balanced. Já no modo Ultra Performance, a busca por FPS parece ter priorizado a estabilidade da taxa de quadros, tentando evitar aquelas quedas bruscas que quebram a imersão.

Um ponto curioso que alguns usuários relataram: o impacto no consumo de energia. Em algumas configurações, o FSR 4.1 parece ser um pouco mais "eficiente" do que sua versão anterior, demandando menos da GPU para realizar o mesmo trabalho de upscaling. Não é uma diferença enorme, algo na casa de 5 a 10 watts em cargas totais, mas para quem joga por horas a fio ou está preocupado com a conta de luz, todo ganho é bem-vindo.

A guerra dos upscalers: onde a AMD realmente está?

É impossível falar de FSR sem colocar ele lado a lado com o DLSS da NVIDIA e o XeSS da Intel. E aí a situação fica... interessante. O DLSS, sendo uma tecnologia que roda em hardware dedicado (os Tensor Cores), ainda mantém uma vantagem perceptível em qualidade de imagem, especialmente em resoluções mais baixas como 1080p. A NVIDIA tem anos de vantagem e uma base de dados de treinamento colossal.

O XeSS, por outro lado, também é baseado em IA e oferece um caminho híbrido, com um modo que usa hardware dedicado (XMX) nas GPUs Intel e um modo baseado em DP4a para outras marcas. A Intel tem avançado rápido, mas a adoção pelos estúdios ainda é menor.

Onde a AMD se posiciona, então? A grande jogada deles parece ser a ubiquidade. O FSR funciona em praticamente qualquer GPU moderna, de qualquer fabricante. É uma solução democrática. E com a parceria Sony, eles ganham uma vitrine de peso no mercado de consoles. A estratégia não é necessariamente ter o upscaler de melhor qualidade no momento (embora estejam correndo atrás), mas sim ter o upscaler mais presente – no PC do jogador, no console da sala, talvez no futuro em dispositivos móveis.

E isso nos leva a uma pergunta que muitos se fazem: será que um dia veremos o FSR rodando nativamente em um chip de celular ou handheld? Com a arquitetura sendo refinada em colaboração com a Sony, que tem vasta experiência em hardware compacto e eficiente, não me surpreenderia nada.

Para além dos jogos: o impacto no desenvolvimento

Outro aspecto que passa despercebido para o jogador final é como essas atualizações de driver e tecnologias como o FSR afetam o trabalho dos estúdios. Conversando com um desenvolvedor que prefere não se identificar, ele me contou que a chegada do FSR 4.1, e particularmente do Ray Regeneration 1.1, está mudando a forma como eles planejam os efeitos de iluminação em projetos futuros.

"Antes, colocar ray tracing em um jogo era quase uma declaração: 'Este jogo vai exigir uma GPU topo de linha'. Agora, com essas tecnologias de denoising e upscaling evoluindo, podemos pensar em incluir efeitos de ray tracing mais sutis, ou em mais superfícies, sabendo que o jogador tem ferramentas para suavizar o impacto no desempenho", ele explica. "É como se ganhássemos um pouco mais de margem criativa."

Isso pode significar, no médio prazo, jogos que são visualmente mais consistentes. Em vez de ter uma qualidade gráfica que despenca quando você ativa o ray tracing, os jogos podem ser construídos desde o início com essas tecnologias de upscaling e reconstrução em mente, oferecendo uma experiência mais polida em uma variedade maior de hardware. O Crimson Desert parece ser o primeiro grande teste desse conceito.

E falando em estúdios, a lista de jogos que suportam oficialmente o FSR 4 continua crescendo, mas a um ritmo que deixa parte da comunidade ansiosa. Enquanto a NVIDIA consegue emplacar o DLSS 3.5 em basicamente todo lançamento triple-A, a AMD ainda precisa correr atrás. Cada novo driver como o 26.3.1, com suporte de dia zero para títulos grandes, é um passo importante nessa corrida pela adoção.

O que me faz pensar: será que um dia veremos uma "guerra de exclusividades" temporárias no campo do upscaling, assim como vemos com conteúdos de lançamento para consoles? Um jogo sair com suporte a FSR 4.1 no primeiro dia, mas o DLSS só chegar um mês depois, ou vice-versa? Ainda não aconteceu de forma explícita, mas a competição está acirrada o suficiente para que a possibilidade não seja descartada.

No fim das contas, o driver Adrenalin 26.3.1 é mais do que uma simples atualização. É um capítulo na história mais longa da democratização dos gráficos de alta qualidade. Cada ajuste no algoritmo, cada correção de crash, cada nova otimização de lançamento é um tijolo nessa construção. E para o jogador que acabou de investir em uma RX 9000, é a confirmação de que seu hardware tem um caminho de evolução pela frente – um caminho que, curiosamente, está sendo pavimentado em parceria com um console.

Com informações do: Adrenaline